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domingo, 8 de março de 2015

Pequim esconde cadáver de bispo resistente morto na prisão

Dom Cosme Shi Enxiang (com roupa de prisioneiro):  Pequim esconde o cadáver para evitar multitudinário enterro
Dom Cosme Shi Enxiang (com roupa de prisioneiro):
Pequim esconde o cadáver para evitar multitudinário enterro



É muito “perigoso” e “preocupante”, comentam os católicos de Hebei.

Eles se referem às artimanhas de Pequim com o corpo de Dom Cosme Shi Enxiang, dado como certamente morto no dia 30 de janeiro de 2015, escreveu o Pe. Bernardo Cervellera, especialista em assuntos chineses.

Os parentes aguardam a devolução do cadáver, ou pelo menos as cinzas do bispo, que desapareceu pela última vez em 13 de abril de 2001, quando foi levado pela polícia.

Dom Cosme, de 93 anos, é um bispo “subterrâneo” (proibido pelo regime) de Yixian, província de Hebei. Ele foi conduzido numa Sexta-Feira Santa a um local desconhecido, sem processo nem indiciamento.

Os parentes pediram em vão durante anos notícias à polícia, até que em 30 de janeiro um empregado público de Baoding (Shizhuang) comunicou que o prelado estava morto.

A notícia percorreu toda a China e os católicos falam dele como de um “mártir” ou de um “santo” que passou a metade de sua vida em prisões e campos de concentração por causa de sua fidelidade à fé e ao Papa.


Devido à sua avançada idade, Dom Cosme pode ter morrido em decorrência das condições de insalubridade ou de torturas.

Os católicos de Yixian estavam organizando os funerais, dos quais participariam milhares de pessoas.

A perspectiva do multitudinário enterro apavorou o regime.

A prefeitura disse então que o funcionário que vazou a notícia devia estar bêbado, ou que não entendeu a pergunta ou as palavras que pronunciou.

Anteriormente, outros bispos resistentes – ou “subterrâneos” porque não são aceitos pelo comunismo – tiveram a mesma sorte de Dom Cosme.

Dom João Gao Kexian:  a polícia cremou e sepultou o corpo  para não deixar vestígios das torturas
Dom João Gao Kexian:
a polícia cremou e sepultou o corpo
para não deixar vestígios das torturas
Em 2005, Dom João Gao Kexian, bispo de Yantai (Shandong) morreu nas mãos da polícia, após cinco anos de prisão. Os parentes não puderam encomendar autópsia porque o corpo foi logo cremado e sepultado, sem conhecimento da família.

Em 2007, Dom João Han Dingxian, bispo de Yongnian (Hebei), morreu após dois anos de isolamento em cárcere policial. O corpo foi cremado e enterrado sem cerimônia religiosa.

Dom Liu Difen, bispo resistente de Anguo (Hebei), morreu num hospital em 1992. Ele estava preso e a polícia avisou os familiares para que fossem visitá-lo, pois estava “muito doente”. Logo depois da visita, o bispo apareceu morto. Segundo os parentes, no corpo do prelado havia dois furos nos quais se podia enfiar um dedo, sinal de que havia sido torturado.

Dom Giuseppe Fan Xueyan, bispo de Baoding (Hebei), foi preso durante alguns meses em 1992. A polícia comunista devolveu o cadáver, abandonando-o envolto num saco plástico na porta da casa de parentes.

O corpo apresentava sinais de tortura no pescoço (talvez tenha sido enforcado com um fio de ferro) e vários grandes hematomas no peito, na testa e nas pernas.

Dom Fan havia passado quase 30 anos na prisão por se recusar a aderir à Associação Patriótica, autarquia burocrática comunista que mantém boas relações com a Teologia da Libertação e com a CNBB no Brasil. Milhares de fiéis foram ao funeral, apesar da intimidação de muitos soldados.

No dia anterior à morte de Dom Cosme, apareceu em Baoding o “número quatro” do Politburo, Yu Zhengsheng. Ela fora inspecionar a “situação das religiões”, segundo a agência oficial de informações Xinhua.

Foi a primeira vez que um personagem comunista tão graduado foi visto na pequenina Baoding.

Segundo os fiéis, tudo indica que a cúpula do Partido Comunista está preocupada com os abalos sociais que poderiam acontecer quando for anunciada a morte do venerado bispo.

O regime teme sobretudo a publicidade do caso no exterior, no preciso momento em que ele banca de “moralizador” da corrupção em meio a escândalos de membros do partido.

Dom Pedro Fan Xueyan:  a polícia devolveu seu corpo num saco de lixo
Dom Pedro Fan Xueyan:
a polícia devolveu seu corpo num saco de lixo
A entrega do corpo ou de suas cinzas implicaria reconhecer, pela primeira vez em 14 anos, que o regime socialista sequestrou e matou o heroico prelado, após anos dizendo que não sabia nada dele.

Dom Cosme Shi Enxiang nasceu em 17 de abril de 1922 em Shizhuang (Hebei). Ordenado sacerdote em 1947, por não atender às exigências de apostasia de Mao Tsé-Tung e por sua fidelidade ao Papa, foi preso pela primeira vez em 1954.

Em 1957 foi condenado a trabalhos forçados, primeiro na gélida região de Heilonjiang e depois nas minas de carvão de Shanxi.

Foi liberado em 1980, recomeçando seu apostolado. Em 1982, foi sagrado bispo secretamente por Dom Zhou Fangji.

Em 1987 foi posto em prisão domiciliar.

Em 1989, após o massacre da Praça Tiananmen, os bispos “clandestinos” fiéis a Roma foram todos presos, juntamente com muitos sacerdotes.

Em poucas semanas, cinco bispos e 14 sacerdotes “desapareceram” nos cárceres, sendo liberados somente em 1993, após uma campanha internacional de denúncias.

Dom Cosme foi novamente preso em 13 de abril de 2001, não se sabendo desde então mais nada sobre ele, até a dolorosa notícia recente.

Um fiel de Yixian disse à agência AsiaNews: “Nós só queremos seu corpo ou suas cinzas para dar digna sepultura a este mártir da fé”, que passou 54 anos (mais da metade de sua vida) na prisão.

No Vaticano, a Ostpolitik, ou política vaticana de aproximação com os regimes comunistas, tampouco nada sabe a respeito do heroico prelado católico.


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