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terça-feira, 21 de abril de 2015

Diálogo? Pequim quer “rendição incondicional” da Santa Sé, diz cardeal resistente

Cardeal Joseph Zen Ze-kiun: “acordo a qualquer preço, caminha para uma rendição incondicional, como quer Pequim”
Cardeal Joseph Zen Ze-kiun: “acordo a qualquer preço,
caminha para uma rendição incondicional, como quer Pequim”



O cardeal Joseph Zen Ze-kiun, arcebispo emérito de Hong-Kong, vem se destacando como porta-voz da fidelidade do catolicismo chinês a Roma. Apesar da idade, sua atividade apostólica continua incansável.

Em entrevista ao jornal milanês Il Corriere della Sera, ele “pôs os pingos nos is” a respeito de conversas pessoais de alto nível entre a Santa Sé e a ditadura de Pequim.

As conversações estariam sendo conduzidas pelo Secretário de Estado da Santa Sé, Mons. Pietro Parolin, e se apoiariam num clima telefônico amistoso estabelecido entre o Papa Francisco e o líder da ditadura maoísta, presidente Xi Jingping.

Corriere della Sera: O que não entendem em Roma?

Cardeal Zen: “Na Cúria, os italianos não conhecem a ditadura chinesa, porque jamais experimentaram o regime comunista. Eu sempre confiei em Parolin, até ficar sabendo que ele era a favor de um acordo que, no estado atual das coisas, seria apenas uma rendição incondicional”.


Corriere della Sera: Mas nos últimos meses a China acenou com uma nova disposição, falou-se de uma oferta sobre o problema da nomeação dos bispos.

Cardeal Zen:Em Pequim não há vontade de diálogo. Acontece que nos colóquios seus delegados levam à mesa um documento que o lado católico tem que assinar e os nossos não têm possibilidade nem força de propor outra coisa.

“Será que vamos sacrificar a nomeação e a sagração de bispos em aras de um diálogo fajuto?

“Na China ainda há dois bispos muito idosos no cárcere. Talvez um deles esteja morto, após anos de detenção, e não o dizem, deixando a família na dúvida. Falo de Mons. Shi Enxiang, encarcerado por causa de sua fidelidade à Santa Sé. Mons. Shi teria 93 anos. Em fevereiro (2015), o chefe comunista de sua cidadezinha foi perguntar à família se tinha recebido o corpo. Depois vieram outros dizendo que aquele funcionário é um bêbado e que nada se sabe do bispo”.

Corriere della Sera: O que se deveria fazer então?

Cardeal Zen:Seria necessário bater forte com o punho na mesa, reforçar nossa Igreja Católica e o nosso clero na China, porque quando os nossos estão unidos, os funcionários do regime têm medo, ficam aterrorizados com a ideia de terem problemas com seus superiores. Porque todo chefe político na China é ao mesmo tempo imperador e escravo: pode esmagar quem está embaixo dele, mas teme ser esmagado por quem está acima dele”.

Corriere della Sera: E se o Papa lhe pedisse para silenciar?

“Responder-lhe-ia relembrando o que ele fazia em Buenos Aires: rezava missa nas praças, fazia manifestações nas calçadas, é algo formidável”.

Concluindo, o Cardeal sublinhou:

Cardeal Zen: “Os comunistas esmagam as pessoas quando veem que elas têm medo. Em sentido contrário, é necessário estimular os católicos chineses perseguidos a serem corajosos. Aqueles que em Roma bramam por conseguir acordos a qualquer preço, caminham para uma rendição incondicional, como quer Pequim”.


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