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terça-feira, 30 de junho de 2015

“Honrar os poderosos e oprimir os débeis”:
é a divisa da Ostpolitik vaticana com Pequim?

Cardeal Joseph Zen: não há razão alguma para o Vaticano ficar otimista. A liberdade religiosa não existe. Eles derrubaram cruzes e demoliram templos.
Cardeal Joseph Zen: não há razão alguma para o Vaticano ficar otimista.
A liberdade religiosa não existe.
Os comunistas derrubaram cruzes e demoliram templos.



O cardeal Joseph Zen, arcebispo emérito de Hong Kong, concedeu uma entrevista exclusiva à revista francesa L’Homme Nouveau sobre os problemas da Igreja Católica na China por causa da perseguição socialista e da aproximação diplomática do Vaticano com os ditadores de Pequim.


Nascido em Xangai, Joseph Zen foi para Hong Kong em 1948, a fim de ingressar no noviciado salesiano. Tornou-se sacerdote em 1961 e bispo em 1996. Bento XVI elevou-o ao cardinalato em 2006.

“Foi uma verdadeira surpresa para nós, tomar conhecimento de que Pequim quer reatar com Roma. Ficamos mesmo pasmos ao saber que as perspectivas eram tidas como muito promissoras pelo Vaticano”, disse.

Feitas as devidas ressalvas, o cardeal continuou: “Olhando as coisas mais de perto, não há razão alguma para ficar otimista. O governo chinês continua totalitário e a liberdade religiosa não existe. Recentemente eles removeram a cruz de numerosas igrejas e demoliram outros templos. Dois bispos continuam ainda na prisão. Diz-se que um deles morreu.



“A TV Phoenix entrevistou recentemente o Pe. Lombardi e nessa ocasião o Vaticano revelou seu entusiasmo pelo reaquecimento das relações entre a China e a Santa Sé.

“Mas como podem ser assim entusiastas? Não vemos razão alguma para essa euforia. Eles não entendem e não nos querem ouvir. Talvez eu seja a voz que brada no deserto, mas tenho que dizer o que devo dizer.

“Pode-se duvidar da boa-vontade do governo chinês. Enquanto aguardamos, devemos ser firmes. Não somos nós que temos que mudar, são eles.

Policias controlam peregrinos no santuário mariano de Donglu, província de Hebei
“Nestes últimos anos a Igreja praticou uma estratégia demasiado tímida, por medo e vontade de chegar a uma composição. Bento XVI foi um papa maravilhoso, mas as pessoas que ele escolheu não ajudaram em nada. No fim de seu pontificado, apareceu um projeto de acordo com o governo chinês.

“Hoje o governo puxa para assiná-lo a todo custo. É preciso que o Vaticano continue a recusar, pois esse acordo não é aceitável.

“Infelizmente, o novo Secretário de Estado está cheio de expectativas: por que o Cardeal Parolin achou conveniente louvar o Cardeal Casaroli?

“E por que ele ainda acredita nos milagres da Ostpolitik quando essa foi um insucesso, um grande insucesso? Eu não compreendo por que eles não aproveitam as lições da História. Na Hungria, ela deu num fracasso completo.

“A igreja oficial está completamente nas mãos do governo. As eleições visando à nomeação de um bispo são todas manipuladas: não há regra.

“A designação é aprovada depois pela Conferência Episcopal. Só que não existe Conferência Episcopal: trata-se apenas de fachada. O presidente da Conferência Episcopal é um bispo ilegítimo.

“Há dois anos, o novo bispo de Xangai, D. Ma Daqin, repudiou sua adesão à Igreja Patriótica durante a cerimônia de sagração. No dia seguinte, a sua sagração foi revogada. O chefe dos Assuntos Culturais, secretaria do governo, é o dono da Conferência Episcopal. Tudo é falso na China.

Igreja Católica clandestina em Tianjin, 6ª maior cidade chinesa.
Igreja Católica clandestina em Tianjin, 6ª maior cidade chinesa.
“Em 2010 houve nove sagrações episcopais. Todo o mundo saudou a novidade: eis que a China aceita os bispos propostos pelo Vaticano! Mas era o contrário que estava acontecendo: o Vaticano aceitava os bispos nomeados pelo governo!

“A Santa Sé faz concessões demais e por vezes aprova candidatos que não são bons. Como pode um governo ateu apresentar nomes? O que ele sabe dos bispos?

“Eu voltei a Xangai pela primeira vez em 1974. Todas as religiões haviam desaparecido. No início dos anos 80, a Igreja recomeçou.

“Os religiosos que estiveram na prisão nos anos 50 puderam sair e ingressaram nas fileiras da Igreja clandestina. Alguns se uniram à igreja patriótica.

“Mas todos estavam idosos. Os velhos sacerdotes, que sofreram muito, são bons sacerdotes. Eles sabem que não se pode confiar nos comunistas. Permanecem fiéis à Igreja Católica, mas muitos têm medo.

“As famílias conservaram a fé vivendo na clandestinidade. Nesse ponto eu estou cheio de esperança.

Católicos rezam na festa de Nossa Senhora Auxiliadora e de Sheshan, padroeira da China.
Católicos rezam na festa de Nossa Senhora Auxiliadora
e de Sheshan, padroeira da China.
“A Igreja clandestina é muito forte. É difícil avançar números, mas pode-se achar que a Igreja se divide em duas metades entre a igreja oficial e a Igreja clandestina.

“As situações são muito contrastantes segundo os lugares. Xangai, por exemplo, é uma cidade aberta, mas a Igreja clandestina é deveras clandestina. A missa é dita nos prédios privados. Não podemos ter igrejas.

“Mas, no norte do país, a Igreja clandestina é muito poderosa. Ela até possui grandes igrejas. O governo deixa correr. A Igreja é clandestina não porque não tem base, mas porque está fora da lei.

“A Igreja clandestina foi debilitada pelo Vaticano. Favorecendo a igreja oficial, o Vaticano debilita a Igreja clandestina: o Vaticano indica numerosos novos bispos para a igreja oficial, e muito poucos para a Igreja clandestina.

“A Santa Sé pede aos católicos que se aproximem da igreja oficial, mas como se pode pedir à Igreja clandestina que obedeça a um bispo oficial?

“Nós bradamos nossa revolta, mas eles não nos ouvem. Há seminários clandestinos, mas eles têm muitas dificuldades.

“Em certas dioceses, os bispos oficiais não obedecem ao governo. São bons bispos: eles combatem o governo.”

Cardeal Zen: por que o Vaticano  acredita nos milagres da Ostpolitik quando essa foi um grande insucesso?
Cardeal Zen: por que o Vaticano  acredita nos milagres da Ostpolitik
quando essa foi um grande insucesso?
O cardeal descreveu também a perturbação causada pelo abandono do latim no ensino dos seminários.

A China tem algumas línguas oficiais e várias centenas de dialetos. Quando o Vaticano II proibiu o latim, a Igreja ficou sem professores para ensinarem nas várias línguas e dialetos chineses.

Os seminaristas foram então mandados para o exterior. Porém, como voltavam com a cabeça confusa, deixaram de ser enviados até não ficarem adultos e saberem discernir os erros que grassam no Ocidente. O cardeal exemplificou:

“Quanto aos seminários do Ocidente, constatamos que até nos professores havia aqueles que não respeitavam o Magistério. Alguns ensinam contra a Humanæ Vitæ.

“Hoje nós temos novos problemas, especialmente com os homossexuais. Na situação política da China, todos os holofotes estão focados na ‘democracia’. Se o senhor for pela ‘democracia’, terá problemas se disser que é contra os homossexuais.

“Honrar os poderosos e oprimir os débeis”, essa é a nova divisa.”


2 comentários:

  1. Veja essa notícia!
    China retira cruz de igreja após fim de protesto pacífico
    http://br.radiovaticana.va/news/2015/08/07/china_retira_cruz_de_igreja_ap%C3%B3s_fim_de_protesto_pac%C3%ADfico/1163568

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  2. Um vídeo sobre a demolição de cruzes na China. (Pena que o vídeo não tenha legendas... Quem sabe algum leitor do blog anime-se a fazê-las.)
    China is Tearing Down Christian Crosses | China Uncensored
    https://youtu.be/pjSwJBnHoYQ

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