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terça-feira, 14 de março de 2017

No Natal, chineses deram de ombros ao comunismo
e se voltaram para o Menino Jesus

Natal na China em 2016.
Natal na China em 2016.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O comunismo chinês se debate num drama que o leva à implosão. Para impor seu marxismo ao mundo inteiro ele precisou recorrer a macrocapitalistas do mundo livre – pró-comunistas sorrateiros – que o ajudaram a desenvolver uma indústria imensa.

Explorando seus cidadãos como servos e usufruindo de cumplicidades econômicas, políticas e religiosas no Ocidente, o regime de Pequim invadiu os mercados mundiais e está destruindo as economias dos países que pensa escravizar.

Porém, a modernização introduzida em largos setores da China, país de dimensões e população continentais, favoreceu um afrouxamento do regime de miserabilismo e da repressão assassina dos tempos de Mao Tsé-Tung.



Muito ativo, criativo, poético e religioso, desafiando a perseguição policial, o povo chinês aproveitou as estreitas e perigosas frestas abertas no sistema. E começou a procurar tudo que é o contrário do regime de pesadelo que inferniza sua vida.

Neste blog temos tratado muito – e continuaremos tratando – da expansão do catolicismo, das dezenas de milhares de motins populares em todos os níveis contra o regime, da recuperação de costumes sociais visceralmente anti-igualitários, etc. e do cada vez mais estéril furor repressivo do comunismo que oprime o país.


Natal na China 2016. Até bispos amigos do socialismo como D. Joseph Li Shan, arcebispo de Pequim, respeitaram o Natal.
Natal na China 2016. Até bispos amigos do socialismo
como D. Joseph Li Shan, arcebispo de Pequim, respeitaram o Natal.
No Natal de 2016, os ditadores de Pequim amarguraram mais uma.

As ruas comerciais da China comunista ficaram cobertas de faixas de “Feliz Natal!”. É de se observar que o cristianismo – embora em franco crescimento – é bem minoritário no país, segundo reportagem de “Aleteia”.

Mas a ditadura entendeu para onde correm as tendências profundas da alma chinesa.

“É um sério desafio”, declarou a Academia Chinesa de Ciências Sociais. Para esse guardião da ortodoxia marxista, o crescente interesse dos chineses pelo Natal é “um novo avanço da cristianização”. E, obviamente, um perigo para o ateísmo de Estado.

As cores natalinas, as árvores e canções de Natal viam-se e ouviam-se por toda parte.

Em 2014, a Academia Chinesa de Ciências Sociais elaborou um livro para orientar a Inquisição marxista contra os “mais sérios desafios” que estão surgindo no país.

Ela citou explicitamente quatro:

– os ideais democráticos exportados pelas nações ocidentais
– a hegemonia cultural ocidental
– a disseminação da informação através da internet
– a infiltração religiosa.

Pouco depois, dez estudantes chineses de doutorado denunciaram em artigo o “frenesi do Natal” e apelaram ao povo chinês para rejeitá-lo.

Para os autores bajuladores do regime, a “febre do Natal” na China demonstra a “perda da primazia da alma cultural chinesa” e o colapso da “subjetividade cultural chinesa”. Leia-se a crise do comunismo e do paganismo.

Nesse trabalho pode-se aquilatar a dimensão do fenômeno:

“Festa da Sagrada Natividade” nas escolas

“O pior é que – escrevem eles – nos jardins de infância e nas escolas primárias e secundárias, os professores compartilham com as crianças a ‘festa da Sagrada Natividade’, montam ‘árvores do nascimento de Jesus’, distribuem ‘presentes pelo nascimento de Jesus’, fazem ‘cartões do nascimento de Jesus’ e, assim, imperceptivelmente, semeiam na alma das crianças uma cultura importada e uma religião estrangeira”.

Natal em Pequim 2016 Para a Academia Chinesa de Ciências Sociais o marxismo está ameaçado
Natal em Pequim 2016 Para a Academia Chinesa de Ciências Sociais o marxismo está ameaçado

“Ausência total de valores”

“A perda total de referência ética, a moralidade em decadência, a falta de sinceridade e um nível insuficiente de cultura [consequências do comunismo confessadas por esses seus arautos] leva os chineses a buscar um porto seguro para o seu corpo e para a sua alma; a perturbação mental causada pelo ‘desencantamento’ da modernidade, junto com a ausência total de valores, tem incentivado as pessoas a redescobrir o sentido da vida religiosa”.

A dilaceração interna da China entre a utopia igualitária socialista-comunista e o doce ideal de Cristandade só faz crescer.

O governo chinês e suas instituições reagem com violência e arbitrariedades para sufocar o cristianismo. Mas não o conseguem. Pelo contrário, só perdem simpatias e apoios na alma popular.

E o glorioso símbolo da Cruz enche os horizontes visuais desse imenso país, malgrado as sacrílegas destruições policiais.

O furor anticristão poderá desatar perseguições ainda mais atrozes do que as já vistas. Mas a China está se configurando cada vez mais como um dos países onde se verificará por excelência o triunfo do Imaculado de Maria profetizado por Nossa Senhora em Fátima.


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