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terça-feira, 17 de abril de 2018

Bispo que Pequim e o Vaticano querem remover sofre intimidações policiais

Mons Vincent Guo Xijin foi sequestrado pela polícia comunista em ato de intimidação e libertado com proibição de celebrar
Mons Vincent Guo Xijin foi sequestrado pela polícia comunista
em ato de intimidação e libertado com proibição de celebrar
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O bispo de Mindong, Mons. Guo Xijin, 59, é um dos dois prelados “subterrâneos” — reconhecidos pela Santa Sé, mas não pelo governo comunista — que receberam pedido da Santa Sé para passar suas dioceses para bispos ilegítimos e até excomungados, criados do regime anticristão.

Uma delegação diplomática vaticana presidida por Mons. Claudio Maria Celli pediu ao bispo legítimo ficar na diocese como bispo auxiliar do bispo ilegítimo e excomungado Zhan Silu.

A inédita capitulação seria parte inicial de um acordo histórico entre a Santa Sé e o comunismo chinês.

Posto contra a parede pelas autoridades vaticanas, Mons. Guo reafirmou a disposição de se submeter à vontade do Papa Francisco, mas pediu que a transferência fosse formalizada com um “documento autêntico verificável do Vaticano”, segundo informou o jornal “The New York Times”.

O pedido, aliás, tão razoável numa situação canônica em extremo complicada, parece ter caído mal no Vaticano e em Pequim. Até o presente, a Santa Sé não ousou emitir o documento de praxe, tal vez temendo deixar uma prova de irregularidade. E Mons. Guo ficou com a diocese aguardando instrução.

Na presidência de Xi Jinping o regime vem demolindo as igrejas e os símbolos da Cruz pelo país todo, vendo nelas uma ameaça ao controle marxista.


A igreja católica dita “subterrânea” é especialmente odiada pelo socialismo. Já a chamada “igreja patriótica” criada pelo governo em 1957 com bispos ilegítimos é submissa ao Partido Comunista.

Esse quer que todo o clero fiel a Roma seja submetido ao comando dessa repartição “patriótica” marxista.

Mons. Guo é sucessor de Mons. Vincent Huang Shoucheng, um herói da fé que passou 35 anos nas prisões e campos de concentração.

Em 2017, Mons. Guo foi preso durante 20 dias para que não pudesse celebrar uma Missa para crismar crianças e neófitos.

Mons. Guo é sucessor de D.Vincent Huang Shoucheng, herói da fé que passou 35 anos nas prisões
Mons. Guo é sucessor de D.Vincent Huang Shoucheng,
herói da fé que passou 35 anos nas prisões. O regime comunista
proibiu que fosse enterrado com símbolos episcopais como mitra e báculo
e o povo os fez com flores como se pode ver na foto.
O pedido de Mons. Guo de se submeter à vontade do Papa Francisco, após comunicação da transferência da diocese feita em “documento autêntico verificável do Vaticano”, teve o efeito enlouquecedor da verdade sobre os artifícios insinceros.

E o corajoso bispo de Mindong foi sequestrado pela polícia na noite do dia 26. Os policiais também levaram preso o chanceler da diocese, o Pe. Xu, como informou a documentada agência “AsiaNews”.

No dia do aprisionamento, Mons. Guo foi convocado pelo Escritório de Assuntos Religiosos, onde discutiu com os funcionários socialistas durante pelo menos duas horas.

Ele teve tempo para fazer rapidamente uma mala e foi feito desaparecer pela polícia como no ano passado.

Os fiéis acham que o bispo foi sequestrado porque se negou a concelebrar as cerimônias da Semana Santa com o bispo ilícito, excomungado e cismático Zhan Silu.

Até Patrick Poon, responsável pela ONG esquerdista Amnesty International na China, mostrou seu espanto e exigiu que o governo chinês comunicasse com a maior urgência o paradeiro do bispo.

“É vergonhoso assediar um prelado e leva-lo preso sem razão legítima alguma. É uma violação evidente da liberdade religiosa”, disse ele à France Press.

O blog “Il sismógrafo” redigido na Secretaria de Estado da Santa Sé e caixa de ressonância habitual dos acordos com o regime comunista reproduziu a informação da agência France Press.

Mas acrescentou que tendo consultado um porta-voz vaticano não identificado, esse se recusou a fazer comentários, contrariamente à ONG não-religiosa mencionada.

A polícia local indagada pela agencia France Press, declarou não saber de nada. O mesmo fez o escritório provincial para as questões religiosas. Essa “ignorância” é de praxe nos “desaparecimentos” praticados pelas autoridades chinesas.

Mas, após 24 horas de intimidante prisão, os eclesiásticos recuperaram a liberdade, por tempo indefinido. A violência foi praticada enquanto progridem as negociações sino-vaticanas, noticiou “La Nación”.

A polícia, entretanto, proibiu a Mons. Guo celebrar qualquer missa como bispo, completou “AsiaNews”. A Ostpolitik vaticana ficou em embaraçosa e inexplicável posição.

Achinesar a Igreja é submete-la ao governo marxista. Bispos excomungados são até deputados do Partido Comunista.
Achinesar a Igreja é submete-la ao governo marxista.
Bispos excomungados são até deputados do Partido Comunista.
No mesmo mês de março, acrescentou a agência, também Mons. Giulio Jia Zhiguo, bispo legítimo (“subterrâneo”) de Zhengding (Hebei), foi sequestrado pela polícia comunista nos dias 6 e 7.

A repressão visou impedir com ameaças que o prelado divulgasse algum comentário sobre os “diálogos” entre a China e o Vaticano entre os jornalistas estrangeiros presentes em Pequim para acompanhar as reuniões da Assembleia Nacional do Povo, órgão máximo do PC chinês.

Nos mesmos dias, sacerdotes católicos “não oficiais” de Heilongjiang, e o administrador apostólico de Harbin, Mons. Giuseppe Zhao, ficaram retidos nas delegacias para não terem contatos com os jornalistas.

Simultaneamente a ditos fatos, o jornal francês “La Croix” ligado ao episcopado francês, anunciou que o Vaticano aguardava uma delegação chinesa para as primeiras semanas de abril.

Segundo o Cardeal Joseph Zen, bispo emérito de Hong Kong, o objetivo da comitiva seria a assinatura do acordo histórico do Vaticano com a ditadura maoista. A informação não foi confirmada pelo Vaticano.

Teria sido simbólico que tal acordo tivesse sido assinado na Semana Santa, quando a liturgia da Igreja lembra o dia em que Judas negociou a venda de Jesus (quarta-feira santa) e o dia em que o entregou aos enviados dos sacerdotes para ser morto (quinta-feira santa).

Felizmente, o acordo não foi assinado nessa data e parece encontrar dificuldades de concretização. O serviço de imprensa vaticano anunciou oficialmente não há acordo iminente algum com a China.

Do outro lado, o sequestro de Mons. Guo teria sido fruto da pressão de setores marxistas rijos que não querem acordo algum.

Idas e vindas destas foram frequentes nas relações com o poder soviético.

Porém, o monstro comunista ficou espreitando. E a Ostpolitik vaticana também.

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