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terça-feira, 11 de junho de 2019

Comunismo chinês teme
até os mártires enterrados

Policiais uniformizados bloqueiam quem entra na aldeia para venerar o túmulo do bispo mártir
Uniformizados bloqueiam quem entra na aldeia para venerar o túmulo do bispo mártir
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









Quando no último dia 13 de abril (2019) os fiéis foram visitar o túmulo de Mons. Pedro José Fan Xueyan (1907-1992), ex-cardeal da diocese de Baoding, província de Hebei, se depararam com um obstáculo que para nós é inacreditável.

Mas não assim para eles. É policialesco e agressivo, mas é frequente no socialismo.

Este ano, duas viaturas de polícia com telecâmeras de vigilância e espionagem instaladas no teto, bloqueavam a estrada, informou Bitter Winter.

Os policiais interrogavam os transeuntes que iam para a cidade: “se vais procurar vossos parentes podeis passar. Mas se vais a visitar o túmulo, então não podeis”.

Segundo um dos fieis do local, também havia agentes do governo uniformizados fazendo guarda em volta da pobre sepultura do bispo.

Mais um posto de controle e bloqueio foi montado na entrada da aldeia de Xiaowangting onde morou o falecido sucessor dos Apóstolos.

Por volta de 20 policiais com uniformes camuflados garantiam a vigilância em postos de controle ostensivo, analisando cada pedestre que passava.

Um fiel contou que muitos não ousam se aproximar da sepultura de medo das represálias dos agentes do Partido Comunista. Nesse caso, lembram a memória de Mons. Fan com cerimônias no interior de suas casas.



“Malgrado a perseguição constante de que foi objeto pelo comunismo, o bispo preferiu morrer antes que aceitar compromissos.

“Sua fé inspirou sempre aos fiéis sinceros. É isto que assusta mais do que tudo ao Partido Comunista, que o considera inaceitável”, acrescentou.

Desafiando a polícia, fiéis fizeram uma Cruz com flores sobre o túmulo de Mons. Fan, 2018.
Desafiando a polícia, fiéis fizeram uma Cruz com flores sobre o túmulo de Mons. Fan, 2018.
O bispo passou mais de trinta anos na prisão porque se recusou a romper a união com Roma e aderir à Associação Patriótica Católica Chinesa, uma dependência do estado marxista.

Por isso foi um dos prisioneiros de consciência encarcerados durante o mais longo período de tempo no mundo.

Foi nomeado bispo da diocese de Baoding no dia 12 de abril de 1951 e foi sagrado dois meses depois.

Foi um dos últimos bispos chineses sagrados pelo Vaticano antes que a China maoista rompesse as relações.

Mons. Fan desapareceu em novembro de 1990. Dava-se por certo seu martírio até que em 16 de abril de 1992, a polícia abandonou seu cadáver congelado numa sacola de plástico do lado de fora da casa de parentes.

As autoridades alegaram que o prelado morrera de pneumonia três dias antes. Porém o corpo presentava fraturas ósseas e outras feridas compatíveis com a tortura.

Desde então, desafiando a proibição, todos os anos os fiéis se reúnem em volta de seu túmulo para lhe render homenagens.

Em 2001 o governo enviou um bulldozer para impedir a visita. Também incrementou a vigilância na zona entre os dias 11 e 13 de abril, bloqueando as estradas em um perímetro de 7 quilômetros e meio em volta do lugar da sepultura do heroico prelado.

Numerosos bispos da Igreja Católica dita “clandestina” estão sendo perseguidos atualmente porque se recusam a aderir à Associação Patriótica controlada pelo governo.

Alguns pagaram o preço mais alto com a própria vida. Outros sofrem espionagem constante ou detenções domiciliares e não podem exercer sua missão episcopal.

A situação deles piorou após a assinatura de um Acordo secreto entre a diplomacia da Santa Sé e o regime marxista de Pequim em 2018.

Barraca policial junto à estrada para intimidar romeiros
Barraca policial junto à estrada para intimidar romeiros.

O Vaticano diz que o acordo deveria unificar os bispos “patrióticos” alinhados com o comunismo e os “clandestinos” fiéis a Roma.

Mas o Partido Comunista usa o Acordo para impor a submissão dos padres e bispos “clandestinos” ao comunismo por meio da Associação Patriótica.

Em qualquer hipótese, os que perseveram na Igreja e recusam a submissão inaceitável ficam sob controles abusivos constantes do Partido Comunista, ou diretamente perseguidos.

Mons. Estêvão Li Side, bispo legítimo “clandestino” da diocese católica de Tianjin, que foi sagrado secretamente em 1982, dos anos depois foi capturado e condenado a prisão domiciliar.

Desde então, o Partido Comunista o prendeu de tempos em tempos até que em 1991 o condenou a uma prisão domiciliar em Liangzhuangzi, zona montanhosa do distrito de Jizhou, longe da cidade.

Mons. Li ainda pode administrar os sacramentos, celebrar missa e funerais. Mas, sempre sob controle do governo e estritamente vigiado.

Hoje o bispo tem 94 anos e já não pode cuidar de si próprio, tendo necessidade de que alguém tome conta dele.


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