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terça-feira, 16 de julho de 2019

O longo e glorioso martírio de católicos na China – I

Funeral de Mons. Xue-Yan Fan, antigo bispo de Baoding. Seu corpo com muitos ossos quebrados, foi despejado, envolto em plástico
Funeral de Mons. Xue-Yan Fan, antigo bispo de Baoding.
Seu corpo com muitos ossos quebrados,
foi despejado, envolto em plástico
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Em pleno século XXI, continua a cruel perseguição religiosa na China comunista de que estamos transmitindo informações que chegam no Ocidente.

Inúmeros católicos, religiosos e leigos, estão testemunho da Fé, padecendo por isso sofrimentos indizíveis, às vezes a própria morte.

Essa perseguição é o desdobramento daquela iniciada durante a “Revolução Cultural” de Mao Tsé-Tung, e hoje é continuada pelo regime de Xi Jinping com conivências inimagináveis da diplomacia vaticana.

Que os corajosos exemplos desses novos mártires fortaleçam a nossa Fé. E nos estimulem a serem como eles, resistindo e progredindo contra todas as forças do mal, humanas e infernais, postas em ação.

Hoje em dia muito se fala (e de boca cheia) a respeito da China.

Louva-se o seu formidável desenvolvimento econômico e técnico (ao menos aparente), bem como sua expansão pelo Ocidente.

Entretanto, fala-se pouco ou praticamente nada sobre o regime que a domina — o comunista.

Sobretudo quase não se fala da sistemática perseguição que tal regime ateu e materialista move contra a Igreja Católica, a única e verdadeira Igreja de Cristo.

A Editora San Paolo, de Milão, Itália, publicou em 2006 um interessante documento intitulado Il Libro Rosso dei martiri cinesi (O Livro vermelho dos mártires chineses), contendo documentos pessoais sobre a cruel e implacável perseguição aos católicos chineses fiéis a Roma.

Embora tais documentos se refiram mais à época de Mao Tsé-Tung, eles conservam sua atualidade, pois a perseguição continua em nossos dias.

É o que afirma o destemido Dom José Zen, Cardeal Arcebispo emérito de Hong Kong, no prefácio do livro.
Depredação e saques das igrejas no início da revolução comunista
Depredação e saques das igrejas no início da revolução comunista
Afirma o purpurado: “O regime comunista, que foi o responsável pelos sofrimentos descritos neste livro, está ainda no poder [...].

“As comunidades [católicas] chamadas de ‘clandestinas’ ou ‘das catacumbas’, que recusam, com boa razão, submeter-se à política religiosa do governo, são continuamente sujeitas a abusos e mesmo a violências, de modo que não seria exagerado falar, nesses casos, de perseguição”.

E acrescenta: “Devo declarar que, infelizmente, há ainda várias dezenas de bispos, sacerdotes e leigos detidos em prisão domiciliar ou em prisões comuns.

“Inclusive há alguns de nossos irmãos bispos dos quais há anos que não se tem notícia”.

“Livro Vermelho dos Mártires Chineses”

Por isso pareceu-nos útil apresentar alguns aspectos desse livro, muito atuais em relação ao Brasil, onde está em andamento uma verdadeira revolução que, embora guardando aparências democráticas, é de cunho marxista.

Basta lembrar, por exemplo, o decreto 8.243, visando introduzir as famigeradas comunas populares — verdadeiros sovietes semelhantes ao Parlamento Comunal de Chaves e Maduro — a serem controladas pelos “movimentos sociais”, tão bafejados pelo PT.

Nosso objetivo é também informar os leitores sobre o que ocorre com os nossos irmãos da fé na tão badalada China, e propor-lhes que rezem pela sua perseverança.(1)

Como alerta o editor do referido livro, a não ser o relato dos sofrimentos e da morte de trinta e três monges trapistas, vítimas do terror comunista, que mencionaremos adiante, “no estrito senso do termo, nenhum dos eventos aqui registrados foi reconhecido solenemente pela Igreja como um ‘martírio’”.

Entretanto, o leitor reconhecerá isso imediatamente: os horríveis sofrimentos padecidos pelos protagonistas dessas histórias, a paciência evangélica com a qual os aceitaram e enfrentaram, e o fiel testemunho de Cristo de que deram mostra, garantem que todos eles têm boa razão para serem incluídos no Livro Vermelho dos Mártires Chineses (p. 22).

O martírio dos religiosos da Ordem Trapista

Profanação das igrejas
Profanação das igrejas
Com efeito, dois dos biografados — os padres Tan Tiande e Huang Yongmu — passaram respectivamente 30 e 25 anos de terríveis sofrimentos em prisões e campos de trabalhos forçados, constantemente sujeitos a “julgamentos populares”, sessões de “reeducação” e maus tratos.

Também tiveram que sofrer muito por sua fidelidade à verdadeira Igreja a jovem Gertrude Li Minwen e o Pe. Li Chang, razão pela qual são mencionados no livro.

Entretanto, mais impressionante é o relato dos sofrimentos e do martírio dos monges trapistas de Yangjiaping, cujo mosteiro havia sido fundado em 1883 por um abade trapista francês.

Seu florescimento em terras chinesas foi tal, que chegou a ter 120 membros, abrindo uma trapa (convento) perto de Pequim.

A perseguição começou no ano de 1947, com a chegada das tropas comunistas.

A comunidade de Yangjiaping tinha então 75 membros, 18 dos quais eram sacerdotes — cinco estrangeiros e os demais chineses.

Incitados pelos comunistas, os aldeões, que mantinham até então muito boas relações com os monges, começaram a hostilizá-los.

O mosteiro foi pilhado repetidas vezes e finalmente incendiado.

Os monges foram todos aprisionados e sujeitos a inúmeros “julgamentos populares tumultuosos, exaustivos interrogatórios e tortura desumana”.

Obrigaram-nos depois a participar de uma marcha sem fim, acompanhando como mulas de carga o exército comunista, cujas provisões e armas carregavam.

Como a maioria dos monges era constituída de idosos ou doentes, muitos expiraram no caminho.

Seis deles foram sumariamente executados. No final, 33 morreram, vítimas do ódio dos sem-Deus.

Parte do Corpo Místico de Cristo que é a Igreja

Qual é o interesse desse relato para nós? É ainda o Cardeal Zen quem afirma no prefácio:

“Os confessores e mártires da Igreja da China pertencem à Cristandade como um todo, e é nosso dever, bem como nosso direito, apresentar seus testemunhos, para que possam alimentar a fé dos cristãos através do mundo”.

Afirmação absolutamente cheia de sentido, pois eles fazem parte do Corpo Místico de Cristo que é a Igreja.

Alguns dados sobre a perseguição anticatólica

Nossa Senhora imperatriz da China, Auxílio dos Cristãos
Nossa Senhora imperatriz da China, Auxílio dos Cristãos
Em meados dos anos 40 do século passado, as forças nacionalistas de Chiang Kai-Shek lutavam contra as tropas comunistas de Mao Tsé-Tung.

À medida que as tropas vermelhas conquistavam terreno, sistematicamente perseguiam os católicos da região.

No dia 1º. de outubro de 1949, tendo os comunistas dominado a situação, eles proclamaram a República Popular da China.

Nessa época já havia cerca de três milhões e meio de católicos chineses.(2)

Imediatamente os comunistas iniciaram uma violenta campanha de ateização e uma implacável repressão às forças “contra-revolucionárias”, em especial à Igreja Católica, qualificada pelos “vermelhos” de “títere do Vaticano”.


Continua no próximo post: O longo e glorioso martírio de católicos na China – II


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