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terça-feira, 28 de julho de 2015

Pequim aprova sacerdotes chineses cismáticos
obedientes a Moscou

Wang Zuoan anunciou maior perseguição religiosa aos católicos fieis neste ano.
Wang Zuoan anunciou maior perseguição religiosa
aos católicos fieis neste ano.



A Rússia padece de um crescente isolamento internacional devido à invasão da Criméia e a penetração militar no leste ucraniano.

O isolamento patenteou-se pela ausência de líderes mundiais na parada do Dia da Vitória, excetuados muito poucos regimes amigos.

E acentuou-se com a não admissão do representante russo à reunião do G7 (outrora G7+1, ou G8), realizada na Alemanha, além dos parcos dividendos da visita de Vladimir Putin ao Papa Francisco.

Moscou retomou a velha aliança estratégica com Pequim, que foi ativa e intensa nos tempos de Stalin e Mao Tsé-Tung.

De fato, as tentativas de romper o isolamento pela via religiosa já tinham começado antes da visita do chefe do Kremlin ao Vaticano. Na China, a ponte é feita por meio da igreja cismática russa.

Pela vez primeira no período pós-staliniano, Pequim autorizou a ordenação de sacerdotes ortodoxos chineses, informou o metropolita Hilarion de Volokolams, chefe das relações exteriores do Patriarcado de Moscou, segundo a oficial agência Tass, referida por AsiaNews.



O anúncio aconteceu após a visita oficial do metropolita à China (14-17 de maio), onde participou no 4° encontro do grupo de trabalho sino-russo para cooperação na área religiosa.

O presidente Xi Jinping, participando do 70° aniversario da vitória soviética na II Guerra Mundial, encontrou-se em Moscou com o patriarca ortodoxo Kirill. Este elogiou a importância que Pequim estaria dando “ao papel da cultura, das tradições e do fator moral na formação da vida do povo e do indivíduo”.

Palavras profundamente enganosas e insinceras. A tal “importância” foi marcada pelo massacre sistemático de milhões de chineses durante a revolução maoísta, que visou especialmente qualquer religião e cultura tradicional, assim como os membros das classes sociais, representantes do passado milenar chinês.

Hoje o problema se põe de um modo diferente. O cristianismo progride a passos enormes, inclusive dentro do Partido Comunista, e Pequim quer acabar com esse movimento religioso. E para isso apela ao Vaticano e a Moscou.

O metropolita Hilarion qualificou os colóquios com os dirigentes marxistas chineses como “muito construtivos”. Ele confirmou que as partes chegaram a um acordo para “a ordenação de um sacerdote chinês que estudou vários anos na Rússia”.

Wang Zuoan troca presentes com o metropolita Hilarión  do Patriarcado cismático de Moscou  engajado em feroz hostilidade contra os católicos ucranianos.  Moscou 15-07-2014
Wang Zuoan troca presentes com o metropolita Hilarión
do Patriarcado cismático de Moscou
engajado em feroz hostilidade contra os católicos ucranianos.
Moscou 15-07-2014
Hilarion confirmou a formação de mais dois seminaristas em Moscou.

A seguir visitou uma comunidade ortodoxa no estado da Mongólia Interior, e concelebrou em Irkutsk, Sibéria, com um sacerdote da igreja ortodoxa autônoma chinesa.

A Revolução Cultural chinesa extinguiu o ramo cismático russo, mas agora quer ressuscitá-lo e promovê-lo entre os cristãos. Se a enganação prosperar, certo número deles poderá cair sob a autoridade religiosa de Moscou, consolidando assim o poder de Pequim sobre os logrados.

Kung Cheung Ming é o primeiro sacerdote cismático de língua chinesa. A Rússia o enviou a Hong Kong para desincumbir-se dessa ignóbil tarefa.

O Patriarcado de Moscou na China escorraçou também o periclitante Patriarcado ecumênico de Constantinopla, que havia tentado manter a partir de Hong-Kong uma última relação com as comunidades ortodoxas do continente.

A “cooperação religiosa” sino-russa foi lançada em 2013, quando o Patriarca de Moscou, Kirill, foi recebido pelo presidente Xi na Grande Sala do Povo, em Pequim.

Segundo a bem informada agência AsiaNews, a manobra não deve surpreender. A igreja russa tem uma longa experiência de compromissos com os regímenes autoritários.

E Pequim só tem a ganhar com a entrada desse fator de divisão entre os cristãos.


4 comentários:

  1. Prezado Luís, o senhor viu essa notícia que saiu na Rádio Vaticano?

    Bispo reconhecido pelo Papa terá ordenação pública na China
    Pequim (RV) – Está prevista para a próxima terça-feira (4/8), na China, a ordenação episcopal do primeiro Bispo – a primeira a ser realizada publicamente no País. Trata-se da ordenação do novo Bispo de Anyang, na província de Henan, Padre Joseph Zhang Yinlin, 44 anos, nomeado no último dia 28 de abril, com a aprovação pontifícia.
    Padre Zhang será o primeiro Bispo chinês a ser ordenado publicamente no País três anos depois que a Santa Sé e a China retomaram o diálogo, em 7 de julho de 2012. Na época, Dom Taddeus Ma Daqin tomou posse como auxiliar de Shanghai mas, logo a seguir, se demitiu por protesto contra a Associação patriótica Católica chinesa, controlada pelo governo. Dom Taddeus ainda se encontra em prisão domiciliar, no seminário de Sheswhan.
    O novo Bispo de Anyang será também o primeiro Bispo chinês a ser ordenado, publicamente, sob o Pontificado de Francisco. Antes, a ordenação episcopal estava prevista para o último dia 29 de julho, mas a diocese decidiu adiar para o próximo dia 4 de agosto, por ocasião da festa de São João Maria Vianney, Santo Cura D’Ars, padroeiro dos sacerdotes. (MT)
    http://br.radiovaticana.va/news/2015/08/01/ordena%C3%A7%C3%A3o_episcopal,_p%C3%BAblica,_do_primeiro_bispo_na_china/1162249

    Me causou perplexidade essa notícia! Como será que o Papa Francisco conseguiu essa autorização?

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  2. Prezado Luís, saiu uma atualização da Rádio Vaticano sobre a ordenação de novos bispos na China. Veja!

    Após três anos, bispo com aval do Papa é ordenado na China
    http://br.radiovaticana.va/news/2015/08/05/ap%C3%B3s_3_anos_ordenado_na_china_1%C2%BA_bispo_com_aval_do_vaticano/1163060

    A notícia não é clara, dá a impressão de que Pequim teria autorizado bispos nomeados pelo Papa, mas fico com a desconfiança de que seja o contrário: o Vaticano teria ordenado sacerdotes indicados pela Associação Patriótica. O senhor sabe o que de fato aconteceu?

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    Respostas
    1. Prezado,
      As agências UCANews (http://www.ucanews.com/news/china-ordains-first-catholic-bishop-in-three-years/74026) e AsiaNews (http://www.asianews.it/news-en/Ordained-with-a-papal-mandate,-Fr-Joseph-Zhang-Yinlin-becomes-the-new-coadjutor-bishop-of-Anyang-%28Henan%29.-The-photo-gallery-34950.html) descrevem a cerimônia como sendo inteiramente canônica, seja sob o ponto de vista do bispo sagrado, seja dos ordenantes.
      A cerimônia ocorreu, porém, num acentuado clima de repressão religiosa, com muita polícia rodeando o templo e impedindo o acesso dos fiéis que eram muitos (chegaram a entrar 1.300).
      O Henan é uma das províncias com maior presença católica, e cristã em geral, e o governo segundo explicou o Cardeal Zen fica constrangido a arranjos para evitar revoltas populares.
      Se houve mexidas escuras por baixo, um dia se saberá.
      Atentamente

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    2. Obrigado pela informação!
      Um irmão em Cristo.

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