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A perseguição religiosa na China -- 2ª parte (continuação da anterior)

Nossa Senhora, Imperatriz e Padroeira da China
Nossa Senhora Imperatriz da China é a padroeira. Em 1924, Sínodo em Xangai,
consagrou a China, a Mongólia, o Tibete e a Manchúria à Virgem Maria.
Os150 bispos foram encabeçados pelo delegado apostólico arcebispo Celso Constantini.
O Papa Pio XI Lhe consagrou a China.
A padroeira é conhecida também como Nossa Senhora de Donglu, pelo milagre feito nesse local.
É a própria Nossa Senhora Auxiliadora comemorada no dia 24 de maio.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs














A



perseguição



religiosa



na China











O drama dos católicos fiéis: “O Vaticano está vendendo a Igreja Católica na China”

Comunhão numa missa na clandestinidade no Domingo de Ramos, perto de Shijiazhuang, província de Hebei.
Comunhão numa missa na clandestinidade no Domingo de Ramos,
perto de Shijiazhuang, província de Hebei.

O acordo entre a Santa Sé e Pequim é o modelo do novo relacionamento do Vaticano com governos de esquerda no mundo inteiro: Rússia, Ucrânia, América Latina, entre outros.

Apanhado da situação da perseguição religiosa na China


Em outubro de 2017, diplomatas vaticanos tentaram convencer bispos instituídos canonicamente pela Santa Sé a entregarem suas dioceses a bispos ilegítimos, submissos ao Partido Comunista Chinês.

Dom Pedro Zhuang Jianjian, de Shantou (Guangdong), foi convidado por carta a entregar sua diocese a um bispo excomungado.

Mas se recusou, declarando: “Aceito levar a cruz por desobedecer”.

Em dezembro, Dom Zhuang foi retirado da sua diocese no sul do país e escoltado até Pequim, limitando-se a polícia a informar que “um prelado estrangeiro” o aguardava.

Ficou “sob controle” — leia-se: preso.

Apesar de sua idade avançada (88 anos), sua debilidade física e intenso frio em Pequim, foi-lhe negada assistência de um médico ou de um sacerdote.

Dom Zhuang foi conduzido à sede da Associação Patriótica e do fictício Conselho dos Bispos da China — uma espécie de CNBB instituída pelo regime comunista.

Ali  foi interrogado pelos bispos ilegítimos Ma Yinglin, Shen Bin e Guo Jincai, presidente, vice-presidente e secretário-geral dessa “CNBB chinesa”.

Foi também levado perante três representantes da Administração Estatal de Assuntos Religiosos.

Mons. Claudio Maria Celli, diplomata vaticano
ativo na aproximação do Vaticano com regimes comunistas,
tenta quebrar os bispos resistentes.
Na foto, com Nicolás Maduro, ditador da Venezuela.
Não obtendo os resultados visados, os agentes o conduziram até onde se encontravam o “bispo estrangeiro” e três sacerdotes do Vaticano.

O “bispo estrangeiro” era Mons. Claudio Maria Celli, encarregado pela diplomacia vaticana das negociações com o Partido Comunista.

Explicou que a Santa Sé deseja um acordo com o governo marxista, mediante a entrega de dioceses aos designados por Pequim, e pediu que Dom Zhuang entregasse sua Sé episcopal ao bispo ilegítimo José Huang Bingzhang, deputado no Parlamento (Assembleia Nacional do Povo).

Dom Zhuang manteve sua recusa. Todas estas informações são de AsiaNews em 22-1-18.

Uma carta ao Papa Francisco

Enquanto Dom Zhuang era chantageado em Pequim, a delegação vaticana se deslocava até Fujian, no sul do país, para tentar convencer o legítimo bispo diocesano de Mindong, Dom José Guo Xijin, a permitir que sua diocese fosse ocupada por Vicente Zhan Silu, bispo ilegítimo a serviço do regime comunista.

Dom José Guo havia passado quase um mês encarcerado antes da Semana Santa de 2017, tendo os agentes do governo feito de tudo para que ele assinasse um documento aceitando “voluntariamente” a imoral proposta.

Após a mencionada tentativa de outubro, o Cardeal Zen, arcebispo emérito de Hong Kong e figura de maior destaque do episcopado chinês, fez chegar a Dom Sávio Hon Taifai, responsável na Cúria Romana dos assuntos chineses, um relatório sobre os brutais fatos.

Dom Sávio levou o caso ao Papa Francisco, que prometeu estudar o assunto. O próprio cardeal, em carta publicada por AsiaNews (29-1-18), descreveu as violências que sofrera.

Ficava assim a impressão de que a investida tenderia a arrefecer, mas em dezembro ocorreu a nova pressão policialesca que relatamos acima.

Dom Zhuang, em lágrimas, pediu ao Cardeal Zen que levasse ao Papa um relatório, na esperança de que ele interviesse.

O cardeal aceitou a incumbência, apesar de recear que o Pontífice pudesse não querer receber a correspondência do prelado resistente.

Doente e debilitado, o cardeal Zen, de 85 anos, viajou de Hong Kong a Roma para chegar na hora da audiência geral do Papa, no dia 10 de janeiro.

Ingressou inesperadamente durante a cerimônia, ocupando o lugar reservado aos cardeais.

Cardeal Zen entrega carta ao Papa Francisco.
Cardeal Zen entrega carta ao Papa Francisco.
Num momento dramático, pôs a carta nas mãos do Santo Padre, acrescentando que viajara só para isso, e esperava que o Pontífice consentisse em ler a carta.

O Vaticano não quer um novo “caso Mindszenty”

O cardeal ficou surpreso quando, no mesmo dia, o Papa Francisco mandou chamá-lo para uma audiência privada. Informou que havia lido a carta, e se explicou: “Eu falei para eles [seus colaboradores na Santa Sé] que não criem outro caso Mindszenty!”.

O próprio cardeal divulgou esses fatos na citada carta de 29 de janeiro, e concluiu: “Ou se rende ou se aceita a perseguição. Pode-se imaginar um acordo entre São José e o Rei Herodes?”.

Perguntado se “acredita que o Vaticano está vendendo a Igreja Católica na China”, respondeu: “Sim, absolutamente”.

Segundo o jornal britânico “The Tablet” de 30-1-18, a sala de imprensa da Santa Sé reagiu de modo fora do comum e contradisse as palavras do Cardeal Zen.

Yi-Zheng Lian, professor na Universidade Yamanashi Gakuin, de Kofu (Japão), escreveu no “The New York Times” (8-2-18) que a política do Papa Francisco ante um governo ateu e comunista “não é inteiramente transparente”.

Para o “The Wall Street Journal” (2-2-18), a imagem do Pontífice como “defensor dos oprimidos” está ficando sem sentido, e acrescenta que ele não ajuda os ucranianos invadidos pela Rússia, dá as costas aos católicos chineses perseguidos e se alia aos seus algozes.

Um grupo de intelectuais católicos influentes de Hong Kong lançou uma petição internacional, visando impedir o iníquo acordo entre a Santa Sé e Pequim (Hong Kong Free Press, 15-2-18).

Simultaneamente, Dom Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler das Pontifícias Academias de Ciências e Ciências Sociais, voltou da China afirmando que “os chineses são os que melhor aplicam a doutrina social da Igreja”.

O Dr. Samuel Gregg, professor de filosofia política e diretor de pesquisas do Acton Institute, comparou a atual diplomacia do Vaticano com a moda dos anos 20 e 30.

E acentuou que nessa época intelectuais progressistas e esquerdistas voltavam de viagem à URSS comemorando com elogios a “primeira grande experiência do comunismo”, enquanto a realidade era bem outra, com muitos milhões morrendo de fome.

Mons. Sánchez Sorondo virou um símbolo da “irrealidade e a incoerência reinam no Vaticano” (Dr. Samuel Gregg) favorecendo os horrores do comunismo chinês
Mons. Sánchez Sorondo virou um símbolo da
“irrealidade e a incoerência reinam no Vaticano” (Dr. Samuel Gregg)
favorecendo os horrores do comunismo chinês
O escritor comentou as longas declarações de Dom Sánchez Sorondo (argentino muito próximo do Papa) como um sinal de que “a irrealidade e a incoerência reinam no Vaticano” (Law & Liberty, 8-2-18).

Uma nova Revolução Cultural

Em publicação no “The Catholic Herald” (31-8-17), o Pe. Alexander Lucie-Smith, doutor em moral e teologia, perguntou: “Como é possível que o Vaticano negocie com a China, que continua demolindo as igrejas?”.

A destruição sacrílega mais recente foi documentada em Yining, diocese de Urumqi, no noroeste do país.

Cruzes, estátuas, torres dos sinos, relevos religiosos, cruzes do cemitério e do interior do templo, incluindo a Via Sacra — tudo isso foi destruído.

Análogos atentados foram perpetrados contra as igrejas de Manas e Hutubi, na mesma diocese, segundo noticiou UCANews (1-3-18).

Em Yining tudo foi destruído enquanto as delegações chinesa e vaticana preparavam um “histórico acordo” para a nomeação dos bispos católicos pelo regime anticristão.

As profanações obedecem ao projeto do ditador Xi Jinping de “achinesar” a Igreja, submetendo-a às políticas do Partido Comunista, e ele o deixou bem claro no XIX Congresso do PC, em outubro de 2017: “A cultura […] deve ser aproveitada para a causa do socialismo, de acordo com a orientação do marxismo”.

Acrescentou que a religião deve ter por isso uma “orientação chinesa” e se adaptar à sociedade socialista guiada pelo partido (“The Washington Post”, 18-10-17).

O ditador definiu “achinesar” como a obrigatoriedade de “aderir e desenvolver as teorias religiosas, mas com características chinesas”.

Um comentário se tem generalizado, enquanto se multiplicam esses episódios de perseguição religiosa: “É uma nova Revolução Cultural”, batizada agora de “achinesar”.

Perseguição religiosa e Igreja clandestina

Essa posição anticatólica de Xi Jinping deve ser avaliada não apenas como uma série de violências de caráter transitório, pois ele acaba de reformar a Constituição comunista, proclamando-se ditador sem prazo de mandato.

Estaríamos assim diante de uma nova revolução cultural, cujas características não podem diferir muito do verdadeiro genocídio praticado por Mao Tsé-Tung. No campo religioso, tal revolução implicaria:
  • Aplicar o princípio da “independência”, significando ruptura com a Santa Sé;
  • Adaptar a religião à sociedade socialista, transformando-a numa força de propulsão comunista;
  • Resistir às “infiltrações religiosas do exterior”, banindo os símbolos religiosos, os missionários e as Ordens religiosas vindos de fora.
Assim sendo, já se podem ver com antecipação exemplos do que acontecerá aos católicos chineses, com a nova orientação comunista:
  • O Cruzeiro, símbolo da Redenção, é qualificado agora como “infiltração religiosa proveniente do exterior”, e foi arrancado com satânico impulso na igreja de Yining;
  • O princípio de “independência” proíbe rezar, inclusive no interior dos lares. Se a polícia encontrar duas pessoas rezando juntas em sua casa, vai prendê-las e obrigá-las a passar por uma “reeducação”, que implica reclusão num campo de concentração.
  • Hoje só está permitido o culto nas igrejas registradas na burocracia marxista, e nos horários fixados pelo governo. Um ato piedoso em outro lugar é tido como feito em “local ilegal” e sujeito a prisão, multas, e até expropriação do prédio.
  • Nas residências particulares, toda conversa religiosa ou oração ficou proibida.
  • Na porta das igrejas deve ser legível a proibição do ingresso aos “menores de 18 anos”. Crianças e jovens não podem participar nos ritos, receber catequese, instrução religiosa nem preparação para os sacramentos, explicou o Pe. Bernardo Cervellera, diretor da agência AsiaNews (2-3-18), do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras.
Antes e depois da destruição sacrílega dos símbolos católicos em Yining, diocese de Urumqi,
Antes e depois da destruição sacrílega
dos símbolos católicos em Yining,
diocese de Urumqi,

Diplomacia vaticana favorecendo os carrascos

O Partido Comunista ficou como “guia ativo” das religiões.

Sob a inspiração suprema de Xi Jinping, dependerá do PC a vida ou morte de qualquer entidade religiosa cristã, para o que não lhe faltará o apoio dos seus amigos do Vaticano, sempre tendentes à concessão.

O controle ditatorial e asfixiante está sendo exercido através do medo.

No passado recente, os católicos chineses já haviam enfrentado esse medo assassino e o venceram, mas desta vez a diplomacia vaticana se põe do lado dos carrascos.

Dom José Guo Xijin, bispo de Mindong, um dos mais diretamente extorquidos pelas Ostpolitik vaticana acabou sendo sequestrado pela polícia nas vésperas da Semana Santa de 2018.

Seu delito consistiu em se negar a concelebrar com o bispo excomungado que a Ostpolitik quer como novo bispo diocesano.

O sequestro causou estupor no mundo e o bispo foi liberado logo depois com proibição de celebrar missas sem o usurpador. Veja toda a história em "Bispo que Pequim e o Vaticano querem remover sofre intimidações policiais".

Uma das causas da pressa comunista em fazer acordo com seus correspondentes vaticanos é que há uma renascença religiosa na China que o governo não consegue controlar.

Mais de 80% da população tem religião, e pelo menos uma quinta parte dos membros do Partido Comunista pratica alguma delas em segredo.

Incapaz de convencer o povo com as ideias comunistas ateias, o regime recorre a medidas de força.

Mas, sendo essas insuficientes, apela a eclesiásticos ligados de um modo ou de outro à “Teologia da Libertação”.

Disse um fiel de Urumqi à AsiaNews: “Estou muito triste pelo fato de o Vaticano se rebaixar ao fazer pactos com este governo. Agindo desse modo, ele se converte em cúmplice de quem quer a nossa aniquilação”.





O comércio chinês de órgãos humanos
e a Ostpolitik vaticana

Protesto no mundo livre contra o comércio chinês de órgãos humanos.
Protesto no mundo livre contra o comércio chinês de órgãos humanos.
A Pontifícia Academia das Ciências Sociais, cujo chanceler é Mons. Marcelo Sánchez Sorondo, bispo muito próximo do Papa Francisco, voltou a albergar um encontro com a China sobre o tráfico de órgãos humanos.

A China é o maior e mais desumano fornecedor de órgãos humanos “frescos”. Esses são extraídos de dissidentes, presos ou simples cidadãos “caçados” a dedo em locais públicos para atender uma encomenda da elite do Partido Comunista ou de estrangeiros muito ricos.

Os órgãos são arrancados numa rede de hospitais de alta tecnologia em território chinês onde ocorrem os transplantes ou desde onde são exportados.

Os organizadores vaticanos mantiveram no maior segredo o encontro feito na Casina Pio IV, belo palácio nos jardins da Santa Sé, inacessível ao público em geral.

Só veio a se saber do evento por um jornal do governo comunista chinês, segundo informou o site italiano “La Nuova Bussola Quotidiana”.

Foi o “Huanqiu Shibao”, tabloide de noticias internacionais editado também em inglês, como o “Global Times”, pelo quotidiano oficial do Partido Comunista Chinês, “Renmín Rìbao” (“People’s Daily”).

Mons. Marcelo Sánchez Sorondo, no primeiro encontro sobre tráfico de órgãos no Vaticano.
Mons. Marcelo Sánchez Sorondo,
no primeiro encontro sobre tráfico de órgãos no Vaticano.
Para o bispo: “os que melhor praticam a doutrina social da Igreja são os chineses“
Os poucos outros meios de informação que falaram do encontro – por exemplo, a agencia Reuters, o blog “Il Sismografo” editado na Secretaria de Estado vaticana e “AsiaNews” – tiveram que se limitar às informações do “Global Times”.

O site da Pontifícia Academia das Ciências Sociais fez silêncio completo. O tema enunciado do simpósio teve conotações “humanitárias”: “Escravidão moderna, tráfico de seres humanos e acesso à justiça para pobres e vulneráveis”.

Mas, o jornal chinês se concentrou exclusivamente no tráfico de órgãos e seus reflexos no acordo que Pequim quer fazer com a Santa Sé para controlar a Igreja Católica.

O primeiro encontro também promovido pelo organismo vaticano apresentou resultados perturbadores.

O personagem de destaque foi Huang Jiefu, presidente do Comitê Nacional chinês para a doação e transplante de órgãos, ex-vice-ministro da Saúde da China, que há vinte anos está no centro do tráfico mundial de órgãos humanos.

Segundo o site italiano “enquanto Huang Jiefu dava aulas, os defensores dos direitos humanos na China, notadamente a sociedade “Doctors Against Forced Organ Harvesting” – DAFOH não eram levados em consideração pela Academia Pontifícia.

Huang Jiefu, chefe da máquina de destruição de vidas humanas para arrancar órgãos foi recebido como vedette pelo Vaticano
Huang Jiefu, chefe da máquina de destruição de vidas humanas para arrancar órgãos
foi recebido como vedette pelo Vaticano
DAFOH foi nominada em 2006 para receber o Premio Nobel da paz por seu combate ao tráfico de órgãos humanos praticado por Pequim.

Em janeiro, DAFOH publicou um apanhado desse monstruoso comércio se baseando em jornais, por certo não “reacionários”, como o “The Washington Post”.

O relatório da DAFOH mostra as tentativas da China para enganar a opinião pública ocidental enquanto prossegue com as ilegais transações de órgãos humanos.

O primeiro indiciado é o Comitê chefiado por Huang Jiefu, acolhido como figura nos diálogos com a Santa Sé.

Huang alega que agora os órgãos só se tiram de doadores voluntárias.

Porém, até 2010 nunca houve “sistema de doações voluntárias de órgãos” e o hospital You’an de Pequim só registrou 30 casos em quatro anos (2013-2017), constata o relatório.

A minoria religiosa Falun Gong (ou Falun Dafa) foi especialmente atingida pelos catadores de órgãos.

A minoria étnica uigur é alvo da política de repressão política e comercialização de órgãos.
A minoria étnica uigur é alvo da política de repressão política e comercialização de órgãos.
Mais recentemente a caçada visou a minoria uigur, turcofona e islâmica que ocupa o noroeste da China.

No dia 31 de dezembro de 2017, diante do Parlamento britânico, Dolkun Isa, presidente do World Uyghur Congress, denunciou que Pequim criou um banco de dados genéticos de milhões de uigures visando o transplante forçado de órgãos.

A prática chinesa de transplantes forçados é tão grande que gerou um “turismo dos transplantes”. Até o Parlamento do Japão se declarou alarmado.

O esquema socialista é denunciado come “genocídio clínico” pelos especialistas que forneceram fortes e documentadas alegações sobre a verdadeira natureza do sistema de transplantes chinês.

Tudo isso a Pontifícia Academia das Ciências Sociais conhece muito bem comentou “La Nuova Bussola Quotidiana”.

O espantoso é que o “Global Times” comemore como uma vitória a nova reunião de cúpula no Vaticano sobre esse imoralíssimo procedimento montado pelo governo socialista.

A mídia oficial comemorou a participação de Mons. Sánchez Sorondo (4º à direita)
em congresso sobre transplante de órgãos, tema em que a China exibe tétrico curriculum.
Por sua vez, a International Coalition to End Transplant Abuse in China (ETAC), coalisão de advogados, médicos e defensores dos direitos humanos fizeram sentir seu desacordo com a conduta do Vaticano sob Francisco I em relação ao transplante abusivo de órgãos humanos originado na China.

A ETAC encaminhou uma Carta Aberta à mencionada Academia Pontifícia espantada pela segunda reunião com responsáveis chineses da cruel chacina de seres humanos para comerciar seus órgãos.

A reunião “Escravidão moderna, tráfico humano e Acesso à Justiça para Pobres e Vulneráveis”, realizada nos dias 12 e 13 de março teve entre seus discursastes ao Dr. Wang Haibo, chefe do Sistema de Respostas a Transplantes de Órgãos da China (COTRS).

A carta foi endereçada ao bispo Marcelo Sanchez Sorondo, chanceler dessa Academia, e desmentiu as alegações do COTRS segundo as quais não extraia mais órgãos de prisioneiros de qualquer tipo.

Guo Bin, criança de seis anos, teve os olhos arrancados pelo esquema de tráfico de órgãos do regime.
Guo Bin, criança de seis anos, teve os olhos arrancados
pelo esquema de tráfico de órgãos do regime.
Porém, os transplantes de “doações” aumentaram de modo exponencial nos últimos anos.

Na China vermelha não há leis que proíbam arrancar os órgãos aos prisioneiros, nem que desautorizem execuções extrajudiciais de prisioneiros de consciência.

E há robustas provas de que isso continúa sendo feito.

Na China não há verdadeiros processos judiciais e um condenado pode ser executado sem provas.

Acresce que a ordem de 1984 que estabelece as bases para coletar órgãos de prisioneiros continúa em pé.

Os chineses têm fundamentada resistência cultural a se oferecer como doadores voluntários de órgãos, pois os deixa a mercê do regime.

As alegações de Pequim de uma reforma do sistema de transplantes não passam de meras declarações propagandísticas à mídia feitas pelo Dr. Huang Jiefu, diz a carta da ETAC.

Tais alegações obedecem à política do estado socialista, mas não têm fundamento nos fatos e servem para acobertar os monstruosos abusos.

Numerosas e autorizadas testemunhas declaram que não se pode provar que tenham cessado.

David Kilgour (esquerda), David Matas (centro) e Ethan Gutmann (direita), autores do espantoso relatório 'Bloody Harvest-The Slaughter, An Update'.
David Kilgour (esquerda), David Matas (centro) e Ethan Gutmann (direita),
autores do espantoso relatório 'Bloody Harvest-The Slaughter, An Update'.
As estatísticas oficiais raramente são atualizadas e a integridade dos dados não é confiável, acrescenta a ETAC. A China publica dados incompletos e contraditórios sobre as alegadas “doações voluntárias”.

O COTRS não publica estatísticas hospitalares sobre o assunto que permitam uma conferição de veracidade.

A China mantêm mais de 12 bancos de dados oficiais sobre os transplantes, incluindo de coração, fígado e joelhos que não podem ser consultados.

Pequim viola os Princípios Guia da Organização Mundial da Saúde sobre transplante de órgãos e faz suspeitos pagamentos para as famílias pobres que perderam algum membro levado para tiara órgãos de transplante.

Nada indica que o socialismo chinês parou de arrancar órgãos pela força. Médicos e especialistas pedem moderação ao Vaticano que finge ignorar o que está acontecendo.
Nada indica que o socialismo chinês parou de arrancar órgãos pela força.
Médicos e especialistas pedem moderação ao Vaticano
que finge ignorar o que está acontecendo.
Esses e muitos outros dados apresentados na Carta Aberta da ETAC mostram que não só o sistema chinês não mudou, mas que horrendos abusos estão largamente documentados e deveriam chamar a atenção da Santa Sé.

A acolhida de responsáveis chineses por essas práticas inumanas estão servindo para a propaganda doméstica e internacional da China.

A extensa lista de médicos e especialistas signatários da Carta Aberta pedem que a Pontifícia Academia de Ciências modere seus julgamentos enquanto não houver dados certos que demonstrem a mudança do monstruoso sistema chinês.





China proibe venda da Bíblia

Menina lee Bíblia durante ato religioso.
Agora as Bíblias "não oficiais" estão proibidas
e as crianças não podem entrar nas igrejas
Pequim baniu a venda da Bíblia na Internet aplicando as novas regras de repressão da religião ordenada pelo presidente Xi Jinping, entronizado à testa do PC chinês sem limites de tempo, informou o “The New York Times”.

As principais lojas online do país tiraram logo o Livro Sagrado de seus sites. Lojas como Amazon, JD e Taobao preferiram não comentar o caso.

Das grandes religiões espalhadas no país, o cristianismo é a única que não pode oferecer seus textos sagrados em venda.

A Bíblia impressa só pode ser vendida em livrarias religiosas que precisam estar registradas na burocracia comunista e, portanto até os clientes são controlados.

A versão aprovada deverá estar de acordo com os objetivos do socialismo chinês. Isso equivale nos nossos país a só autorizar a Bíblia da Teologia da Libertação.

As lojas digitais abriram uma brecha para os fiéis comprarem a Bíblia Sagrada sem serem controlados pelo Partido. Mas agora a escapatória foi fechada.

Xi Jinping ordenou intensificar o doutrinamento marxista da juventude.
O endurecimento das regras contra o cristianismo é acompanhado pelo esforço de Xi para promover religiões pagãs como o taoísmo e o budismo, além de uma intensificação do ensino do marxismo nos locais de educação.

O governo subsidia a música taoísta ou romarias pagãs. O próprio Xi elogiou de público o budismo, qualificando como uma crença que está de acordo com a cultura e a vida espiritual chinesa.

Essas religiões sem estrutura e “alugadas” pelo marxismo constituem o modelo de crença “achinesada” em que o presidente marxista quer transformar o catolicismo. Para isso precisa do acordo com a Santa Sé.

Tomando essa medida de força, Pequim parece não temer reações negativas nas concomitantes negociações com a diplomacia vaticana, hoje mais sorridente aos ditadores comunistas.

Em entrevista coletiva de imprensa apresentando o veto, um porta-voz governamental afirmou que nunca o Vaticano terá controle da igreja chinesa, recolheu o “New York Times”.

A violência patenteia a força do anticristianismo dentro do PC chinês cujo departamento mais anticristão assumiu o controle da política religiosa.

“Parece que a porção antivaticanista do governo chinês saiu vencedora", disse Yang Fenggang, chefe do Centro de Religiões Chinesas da Universidade de Purdue.

Entre 2014 e 2016, mais de 1.500 Cruzes foram removidas das igrejas só numa província chinesa onde Xi exerce especial influência.

Vender a "versão não aprovada pelo comunismo" da Bíblia pela Internet é delito
Vender a "versão não aprovada pelo comunismo" da Bíblia pela Internet é delito
Mais um relatório oficial publicado na China patenteou o renascimento religioso no país.

O relatório anterior divulgado em 1997 calculava que os seguidores de religiões proibidas chegavam a ser 100 milhões.

O novo relatório duplica esse número.

O catolicismo passou de quatro a seis milhões no período, e os protestantes de dez a trinta e oito milhões.

Mas os especialistas julgam que esses números só representam a metade da realidade. O maior problema se põe com os budistas e taoístas cujos números são inverificáveis, e depois com os protestantes onde o senso de pertencença a uma denominação é volátil e instável.

Segundo o relatório já foram impressos 160 milhões de exemplares da Bíblia, que foram exportadas a mais de 100 países. Uma metade do total foi publicada em alguma das quatro principais línguas chinesas ou em algum dos mais de duzentos dialetos que há no país.





Templos demolidos, túmulos violados no “país que melhor aplica a doutrina social da Igreja”!

Proibir as cruzes e estreitar as mãos da Ostpolitik vaticana.
As cruzes da catedral do Sagrado Coração de Jesus de Shangqiu, China, foram removidas pelo governo local. Foi a primeira igreja católica da província de Henan vítima dessa violência.

As autoridades voltaram para instalar outras muito menores e em muito menor número, noticiou a agência UCANews.

Agentes dos comitês comunistas de rua e de bairro que espionam e controlam os cidadãos exigiram remover as cruzes.

“Os comissários impusera que a Cruz mais elevada da catedral fosse removida, mas os responsáveis da igreja discordaram” narrou uma fonte que não quis ter o nome divulgado.

Todas as tentativas de uma moderação da exigência foram inúteis e o governo apelou a máquinas para a demolição.

Além da catedral foram alvejadas uma pequena e velha capela e uma torre. Ao todo foram removidas 10 cruzes, seis das quais da catedral e três da capelinha.

Os fiéis compareceram na catedral e ficaram rezando do lado de fora.

Denúncias pela violência foram apresentadas em órgãos do Partido Comunista. Esse, temeroso de reações populares parece ter ordenado reerguer a metade das cruzes da catedral e uma da capela. O maior cruzeiro de seis metros foi substituído por outro de três metros.

Cruz da catedral de Shangqiu arrancada pela perseguição socialista.
Cruz da catedral de Shangqiu arrancada pela perseguição socialista.
O Pe. João disse que a exação foi brutal e contrária as leis escritas em matéria religiosa.

Um católico que trabalha no Partido Comunista local reconheceu que a catedral está em situação legal e que a remoção foi ilegal, se mostrando surpreso pelo fato de as cruzes originais não serem repostas.

Os incidentes contra o catolicismo se estão multiplicando na província de Henan.

Também o governo está afixando cartazes nas portas das igrejas proibindo o ingresso de crianças e jovens.

O Pe. João sublinhou que não só o Henan está sendo alvejado, mas desde que o presidente Xi Jinping abaixou as novas normas ditatoriais “incidentes como esse estão acontecendo em todo o país”.

“A Igreja católica da província de Henan, China central, está sendo violentamente perseguida! Rezem por ela!”: era a mensagem que chegava desde diversas partes do país, acompanhada de uma lista de episódios de violência antirreligiosa verificados nas últimas semanas, registrou a agência AsiaNews.

A lápide e o túmulo de Mons. Li Hongye foram profanados e destruídos. Mons Li (1920-2011). Ele governou a diocese de Luoyang legitimamente e padeceu décadas em campos de trabalho forçado ou prisão domiciliar.

Os fiéis acreditam o frenesi sacrílego contra o túmulo se deve à presença de signos episcopais gravados sobre a lápide funerária.

Na mesma diocese foi inteiramente demolida a igreja de Hutuo, distrito de Xicun, Gongyi.

A violência mais sórdida foi aplicada em Zhengzhou. Representantes do governo irromperam na missa pascal, no domingo 1° de abril, sequestrando todas as crianças e menores de idade.

A nova lei de Xi Jinping proíbe dar educação religiosa aos menores de 18 anos. Desde então, todos os domingos há funcionários estatais nas portas das igrejas para impedir o ingresso dos menores.

Essa perseguição começou em Henan, na Mongólia interior e em Xinjiang onde a comunidade católica é pequena minoria.

A aplicação das novas leis está ocorrendo a modo de teste das resistências e dos métodos para sufoca-las.

Quando o sinistro treino for considerado suficiente virão os assaltos nas regiões onde os católicos representam uma percentagem importante da população, como em Hebei e Shanxi.

O túmulo profanado do bispo de Luoyang
O túmulo profanado do bispo de Luoyang
No Henan a quase totalidade da Igreja resiste ao socialismo – é “subterrânea” – e nas suas 10 dioceses – salvo a de Anyang – não há bispos submissos ao governo.

A diocese de Luoyang está sem bispo, mas a Santa Sé não nomeia sucessor contentando ao regime. Pequim se assanha contra a Igreja não oficial, especialmente a que está sem pastor.

Segundo um sacerdote local, o socialismo tenta atemorizar sobre tudo aos que querem se converter, tentando deter o potente surto religioso na região.

Na diocese de Zhengzhou, além da mencionada invasão da missa de Domingo de Pascoa, nas paroquias de Shuanghuaishu, Jiayu e Youfang, a polícia sequestrou os livros de oração, de cânticos e bíblias.

Na diocese de Shangqiu, os esbirros comunistas ameaçam os fiéis de impedir que seus filhos possam ir à escola e que tirarão a aposentadoria dos católicos anciões.

Eles vão de porta em porta dizendo que os desobedientes serão expulsos dos empregos públicos e residências estatais.

Na entrada principal da igreja de Qixian, diocese de Kaifeng, afixaram cartazes proibindo “pregar a menores nos locais de atividade religiosa”.

O mesmo acontece na diocese de Anyang. O jardim de infantes da igreja de Weihui foi clausurado pela força, numa noite em que membros do governo jogaram os bancos das crianças para fora e selaram as portes.

Todos os objetos sacros das igrejas de Xincun e Gaoqiangying foram sequestrados pelas tropas de segurança.

A casa da igreja em Huaxian também foi clausurada e o cruzeiro que coroava a igreja de Xincun foi destruído.

Policiais impedem missa pela violência em Heilongjiang
Policiais impedem missa pela violência em Heilongjiang
Na diocese de Puyang houve igrejas demolidas e os presidentes dos conselhos paroquiais foram obrigados a denunciar os dados (nomes, RG, local de trabalho, moradia, etc.) dos membros das comunidades.

Nas dioceses de Xinxiang, o governo mandou demolir a cruz da igreja de Xishang norte, roubou as bíblias das crianças e os livros da igreja e sequestrou a documentação financeira da igreja.

Um vídeo rapidamente retirado de circulação exibiu policiais invadindo um local “clandestino” onde se celebrava a Missa do Domingo Pasqual na província de Heilongjiang, nordeste da China, segundo informou o “Catholic Herald” do Reino Unido.

O local foi saqueado e os esbirros tentaram prender o pároco e o líder leigo da comunidade. As autoridades socialistas comemoraram ter “impedido com sucesso a atividade religiosa de um sacerdote católico ‘subterrâneo’”.

A publicação inglesa rememorou a perseguicao que sofriam simultaneamente os bispos Vicente Guo Xijin, de Mindong, e Pedro Shao Zhumin de Wenzhou, que foram feitos prisioneiros para lhes impedir celebrar os ofícios quaresmais, enquanto os agentes do governo dialogavam com os enviados do vaticano para destitui-los.

O acordo procurado pelos delegados vaticanos e marxistas chineses vem sendo fortemente criticado nos ambientes sinceramente católicos.

Isto no país e no momento em que Mons. Marcelo Sánchez Sorondo, Chanceler da Pontifícia Academia das Ciências e da Academia Pontifícia das Ciências Sociais, conhecido como conselheiro próximo do Santo Padre, defende que:

“Neste momento, os que melhor praticam a doutrina social da Igreja são os chineses [...]. Os chineses procuram o bem comum, subordinam as coisas ao bem geral“, “La Stampa” de Turim do dia 2 de fevereiro 2018.





Bispos cismáticos chineses dão poder sem limites a perseguidor supremo

Bispos ilegítimos numa sessão do Congresso da China comunista (na foto sessão 12ª) em Pequim
Bispos ilegítimos numa sessão do Congresso da China comunista
(na foto sessão 12ª) em Pequim
Três bispos cismáticos chineses que também são deputados pelo Partido Comunista, participaram no XIII Congresso Nacional do Povo (NPC) que em março de 2017 aprovou 21 emendas da Constituição chinesa e acrescentou no Preâmbulo o “Pensamento de Xi Jinping”, noticiou “Infocatolica”.

A emenda mais significativa na historia do comunismo chinês é a quinta denominada “sanweiyiti” (três cargos em una só pessoa). Essa unificou as três máximos poderes na pessoa de Xi Jinping: Secretário Geral do Partido, Chefe de Estado e Presidente da Comissão Militar Central.

E tudo isso sem fixar limites de tempo em qualquer caso. Xi será líder máximo de por vida.

As intenções de voto são desconhecidas, mas ai daquele que vote desafiando o chefe supremo. A simples presença dos três bispos excomungados implica em um voto positivo à pior ditadura da China.

O bispo José Huang Bingzhang foi excomungado publicamente pela Santa Sé em 2011. Ele foi designado pelo governo para se apossar da diocese de Shantou.

Foi em favor dele que a Santa Sé pediu ao bispo ordinário legítimo da diocese, Mons. Zhuang Jianjian, que renunciasse.

José Huang Bingzhang, bispo excomungado e deputado do Partido Comunista. Pequim quer que o Vaticano lhe dê uma diocese
José Huang Bingzhang, bispo excomungado e deputado do Partido Comunista.
Pequim quer que o Vaticano lhe dê uma diocese
O segundo é Guo Jincai, “bispo de Chengde”, ordenado ilegitimamente, sem mandado papal, em 2010. Quando foi sagrado sacrilegamente o Vaticano informou que não existia a diocese de Chengde.

Guo foi feito secretário geral da Conferência Episcopal Chinesa, uma “CNBB” fictícia criada e controlada pelo governo. Esse aguarda que a Santa Sé o reconheça como “legal” e oficialize a “diocese de Chengde” em virtude do acordo que o marxismo visa assinar com o Vaticano.

O terceiro bispo ilícito é Fang Jianping, ordenado no ano 2000, mas depois perdoado pela Santa Sé. Mas muitos católicos chineses criticaram esse perdão porque Fang não deu sinal algum de remorso ou emenda de vida.

Fang participou em três ordenações episcopais sacrílegas como consagrante ou como con-celebrante. Também foi premiado com a vice-presidência da “CNBB chinesa” do PC.

Durante a XIII assembleia, jornalistas perguntaram a Fang se os católicos chineses deviam apoiar a Xi Jinping. Ele respondeu que “naturalmente sim”, sublinhando que “a cidadania deve estar antes da religião ou do credo”.

Fang Jianping, bispo excomungado que aguarda favorecimento da Ostpolitik. Fiéis reprovam seu cinismo.
Fang Jianping, bispo excomungado que aguarda favorecimento da Ostpolitik.
Fiéis reprovam seu cinismo interesseiro.
Interrogado ainda o que é que era mais importe Deus ou o Partido comunista, declarou parafraseando enganosamente ao ensinamento evangélico que “o que é de Deus pertence a Deus, e o do país, ao país”.

A submissão vil e plena à ditadura comunista por parte desse bispo cismático está na linha de pensamento de Mons. Sánchez Sorondo, Presidente da Pontifícia Academia para as Ciências, comentou “AsiaNews”.

De fato, esse promovido prelado vaticano exibiu um entusiasmo falso e descontrolado pelo comunismo chinês em declarações que passarão para a História.

À luz do histórico da conduta destes bispos um eventual acordo entre a ditadura chinesa e a Santa Sede se apresenta como um profundo escândalo para uma multidão de fieis do mundo todo, concluiu a agência do Instituto Pontifício para as Missões no Exterior.





A estrategia chinesa do Papa Francisco
e o “nos emporcalhamos” de Pio VII com Napoleão

A estratégia do Papa Francisco em face da China comunista conduz a um desastre historicamente comprovado
A estratégia do Papa Francisco em face da China comunista
conduz a um desastre historicamente experimentado
O acordo pretendido pelo Vaticano com Pequim travestido de restabelecimento de plenas relações diplomáticas evoca precedentes infelizes, segundo o Prof. George Weigel, historiador e maior biógrafo do Papa João Paulo II, vertido em artigo para Slate. 

Ele menciona os exemplos da Itália de Mussolini e do Terceiro Reich de Hitler. Os ditadores acabaram violando sistematicamente as Concordatas assinadas com a Santa Sé.

Os diplomatas vaticanos parecem seguir a mesma estrada desastrada, e como o próprio Papa Francisco ignorariam as advertências que vêm dos bispos fiéis desde a China escreve Weigel.

Eles se encaminham a violar o próprio Direito Canônico onde diz que “não se concede às autoridades civis direito ou privilegio algum na eleição, nomeação, de apresentação ou de designação dos bispos”.

A sabia norma é ainda mais necessária em face de um regime violador cotidiano dos direitos humanos com demonstração de grande crueldade.

A diplomacia vaticana parece não querer ver os fracassos dos acordos com os ditadores populistas e igualitários que violam inescrupulosamente a palavra empenhada.

Pior ainda, o Papa João XXIII reorientou a diplomacia vaticana para se voltar concessivamente para o monstro comunista. Foi a política conhecida como Ostpolitik vaticana, conta o historiador.

O principal executor foi Mons. Agostino Casaroli, diplomático de carreira, posteriormente elevado à púrpura e feito Secretário de Estado pelo Papa Wojtila, segundo conta seu grande biógrafo.

O historiador George Weigel aponta uma catástrofe como resultado da política vaticana de aproximação com o comunismo.
O historiador George Weigel aponta uma catástrofe
como resultado da política vaticana de aproximação com o comunismo.
A Ostpolitik de Casaroli visou um “meio de não morrer” como disse o próprio Casaroli.

Para isso sacrificou os heróis da fé que recusavam até as menores concessões ao anticristo marxista, entre eles o Cardeal húngaro José Mindszenty, o Cardeal Beran da Checoslováquia, o Cardeal Stepinac, arcebispo de Zagreb ou o Cardeal Josyf Slipyj, cabeça do rito greco-católico ucraniano.

Weigel defende que com toda objetividade: a Ostpolitik de Casaroli foi um fracasso e até uma catástrofe.

Entre suas consequências é de se mencionar com dor a infiltração dos serviços secretos comunistas no coração do Vaticano e a debilitação dos representantes da Igreja diante de seus homólogos comunistas.

Nenhuma melhora foi obtida para os cristãos esmagados pela bota marxista, a Ostpolitik fez mais mal do que bem, defende o historiador. E fornece exemplos.

A hierarquia católica húngara virou um anexo do Partido comunista. A repressão se agravou ainda mais na Checoslováquia. Ali bispos e sacerdotes trabalhavam como porteiros, lavavam pátios ou reparavam ascensores aguardando a noite para celebrar missas clandestinas.

Na URSS, o rito greco-católico ucraniano virou a maior comunidade religiosa ilegal do mundo.

Por sua vez, os líderes do catolicismo lituano foram condenados a trabalhos forçados nos campos de concentração.

Mas, a queda da URSS aparentemente esvaziou de significado a diplomacia de aproximação com o comunismo.

A Ostpolitik do Papa Francisco leva à capitulação diante do monstro marxista chinês, como outrora fez a Ostpolitik com o comunismo soviético
A Ostpolitik do Papa Francisco leva à capitulação diante do monstro marxista chinês,
como outrora fez a Ostpolitik com o comunismo soviético
Mas essa criminosa política continuou sendo cultuada como um modelo em Roma nos ambientes eclesiásticos à sombra dos pontificados de João Paulo II e Bento XVI. Uma nova geração de diplomáticos vaticanos foi iniciada nessa admiração torta.

Por isso, registra Weigel, quando o Cardeal Jorge Mario Bergoglio ascendeu com o nome de Papa Francisco, a equipe da Ostpolitik estava pronta para reiniciar as capitulações “casarolianas”.

A China, potencia anticristã emergente, passou a ser o objetivo privilegiado dessa equipe. Se ela obtém um resultado “positivo” se acomodando à ditadura de Xi Jinping ela poderia transpor o modelo a países sob ditaduras comunistas ou cripto-comunistas.

É o caso eminente da América Latina com governos de tipo petista ou bolivariano.

A Igreja Católica na China não será menos aviltada que no leste europeu sob a bota soviética. De fato, sob as manobras da Ostpolitik os fiéis estão sendo aviltados com formas de vassalagem e humilhação tal vez até agora não vistas, prossegue Weigel.

Taiwan, a primeira democracia chinesa da historia seria uma das primeiras vítimas, e sua queda emitiria uma péssima notícia sobre o engajamento do Vatican com a doutrina social católica.

O Papa Pio VII chorou sua moleza
quanto extorquido por Napoleão:
“nos emporcalhamos”
O Papa Francisco com seu Secretário de Estado
percorrem via análoga à de Pio VII
e o Cardeal Consalvi.
O resultado será análogo, diz Weigel.
Tudo somado, conclui o Dr. Weigel, a tentativa diplomática repousa sobre fundamentos precários surdos ao bom senso e à experiência histórica.

A Ostpolitik vaticana está reeditando a frustrada política de molezas do Papa Pio VII em face de Napoleão Bonaparte.

O historiador Alexandre-Francois Artaud de Montor conta que após assinar a Concordata com o imperador revolucionário, o Papa VII exclamou: “ci siamo sporcati” (“nos emporcalhamos”). (“Storia di Pio VII scritta dal cavaliere Alexandre-Francois Artaud de Montor”, Milão, Giovanni Resnati libraio, 1845, vol III, pág. 43).

Esses fracassos e o fantasma do “ci siamo sporcati” não são uma receita para o sucesso diplomático mas sim para um desastre diplomático e eclesiástico como provável resultado do acordo procurado pelo Vaticano e a ditadura marxista chinesa, conclui o renomado historiador.





Vaticano “entrega a Igreja
a uma marionete do comunismo”

Segundo Mons. Sánchez Sorondo China é
o país onde melhor se aplica a doutrina social da Igreja.
Fotomontagem com encenação das torturas atuais aos cristãos.
O âncora do programa da ETWN The World Over, Raymond Arroyo abordou o tema do crescente relacionamento entre a Santa Sé e a China marxista, e disparou ao Cardeal Zen, bispo emérito de Hong Kong que estava sendo entrevistado:

“Agora sabemos que um dos objetivos do presidente Xi é inculcar o pensamento comunista combinando-o com a teologia”.

E indagou ao purpurado: “o Sr. se preocupa achando que o Vaticano pode ficar nas mãos deles? O objetivo declarado deles é misturar a agenda comunista com as religiões existentes. É isso o que está acontecendo neste caso?”, registrou InfoCatólica.

O jornalista americano parecia não habituado às atividades da Teologia da Libertação na América Latina e à sua livre entrada no Vaticano no atual pontificado, não percebendo que a tentativa marxista já está em avançado estado de infiltração.

Mas o Cardeal Zen nem se imutou e esclareceu ao ingênuo e bem intencionado jornalista americano:
“É óbvio, estão [os diplomatas vaticanos] entregando toda a administração da Igreja nas mãos de uma marionete do governo chamada ‘Associação Patriótica’ há uma completa rendição. É incrível”.

Arroyo disse que a culpa é atribuída aos assessores do Papa, mas agora o Cardeal chinês fala em “suicídio” e afirma “que é um ato desavergonhado de rendição”.

“Não sou um desenhista”, respondeu o prelado, mas se o fosse “faria uma imagem apresentando o Papa ajoelhado e lhes oferecendo as chaves do reino dos céus, dizendo: ‘agora, por favor, me reconheçam como Papa”.

Bispos ilegítimos membros ativos da IX Assembleia do Partido Comunista foram recebidos por u Zhengsheng, do Politburo do PC.
Bispos ilegítimos membros ativos da IX Assembleia do Partido Comunista
foram recebidos por Yu Zhengsheng, do Politburo do PC.
O cardeal descreveu o absurdo da capitulação do Vaticano ante o regime comunista da China, sublinhando o ridículo de os comunistas temerem o Papa, enquanto os assessores do Pontífice “lhe aconselham renunciar à sua autoridade”.

O jornalista Arroyo lembrou então a declaração do bispo Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da Pontifícia Academia das Ciências: “os chineses são os melhores aplicando a doutrina social da Igreja”.

O cardeal Zen interrogado sobre isso, respondeu como quem se refere a um inconsciente:

“Não há tempo para perder falando disso”. A declaração de Mons. Sorondo não foi levada a sério, “fez rir a todos”, acrescentou.

Enquanto a mídia foca a tentativa sino-vaticana mais avançada para suplantar dois bispos legítimos com outros dois ilegítimos, o Cardeal falou de cinco bispos excomungados que o comunismo quer inserir em dioceses.

Dois desses cinco, disse Zen, “todo o mundo sabe que têm mulheres e filhos”.

Zen teme muito especialmente pelos 30 bispos fiéis a Roma resistentes às injunções do socialismo e perseverantes sob a perseguição.

Serão levados à prisão se não aceitam o “acordo” com o marxismo? “Isso é terrível! Vão aniquilar a Igreja” que persevera!, exclamou.

Na chamada “Igreja oficial” há muitos bispos em atrito com a ditadura, lembrou, e o governo está obrigado a tolerá-los. Mas saindo o acordo com a Ostpolitik vaticana, até esses perderão toda esperança e padecerão a vingança marxista.

“Devemos estar prontos para o martírio”, acrescentou o Cardeal, mas se acontecer, o sangue derramado comprará a expansão da fé católica na China”.

“Eu nunca rezo pelo martírio”, mas se Deus quer isso de nós “é uma graça e Ele nos dará a fortaleza”.

“Devemos orar, porque está vindo uma tragédia que nos fará voltar ao tempo das catacumbas”.





2018: ano da grande “fake news” sino-vaticana?

Bispos ilegítimos vão a proferir subserviência ao PC durante a IX Assembleia do Partido em Pequim.
Bispos ilegítimos vão a proferir subserviência ao PC
durante a IX Assembleia do Partido em Pequim.
Na China um “pusillus grex” (uma pequena grei) está sendo perseguida por um gigantesco poder ateu.

Até pouco a cruel alternativa era “se render ou o martírio”.

Agora é “se render com o estimulo do Vaticano ou voltar para as catacumbas”, explicou o Card. José Zen, bispo emérito de Hong Kong para “AsiaNews”.

Mas, por que o Vaticano faz isso? Ele não percebe muitas igrejas e prédios católicos sobrevivendo nas comunidades ‘subterrâneas’, como em Hebei e Fujian?

Em grandes cidades como Shanghai, muitos fiéis assistem à missa dominical em casas privadas. O Vaticano não sabe disso?, indagou o purpurado

De fato, a influência local dos católicos força as autoridades marxistas a tolerarem um certo grau de “liberdade para os pássaros fora da jaula”. Mas agora o Vaticano vai ajudar o governo a empurrar todos para dentro da gaiola.

Isso é uma novidade absoluta! Isso sim faz HISTORIA!, exclama o Cardeal.

O cardeal chinês responde ao Pe. Jeroom Heyndrickx, um bardo do entreguismo à seita comunista. Ele defende o acordo entre os marxistas e os diplomatas vaticanos como uma bênção porque os fiéis chineses “poderão celebrar numa só comunidade”. E acrescenta cinicamente: “2018 será o ano da verdade”.

Mas, de qual verdade?, pergunta o experiente cardeal. Na China a verdade não goza de alta estima. Acabou em tudo, desde a comida até os medicamentos produtos habitualmente adulterados pelo sistema.

O Pe Jeroom Heyndrickx se fez bardo dessacralizado da capitulação católica ante o comunismo chinês
O Pe Jeroom Heyndrickx se fez bardo dessacralizado
da capitulação católica ante o comunismo chinês
Na China atual a única verdade é a que cai no goto do chefe comunista.

“Celebrar numa só comunidade”? Mas, onde? Numa igreja da Associação Patriótica, sob a vigilância de tele câmaras ouvindo um sacerdote pregando as últimas instruções do Presidente-Imperador?

Isso não é professar a fé!

Segundo o Cardeal, o Pe. Jeroom Heyndrickx aprendeu demais dos comunistas mestres em manipular as palavras.

Na realidade, os católicos fiéis à verdadeira fé, sob a autoridade do Papa, serão confinados numa mesma prisão, governados por funcionários do governo disfarçados de ministros de Deus. Esses ordenarão bradar todos juntos. “¡Viva China e a Igreja Católica chinesa!”

Mas essa Igreja chinesa independente não será mais a Igreja católica!

O Pe. Heyndrickx atribui o “milagre” a Papa Francisco, mas é ele quem colhe a cizânia que semeou com a cumplicidade da Santa Sé, desde a publicação da Carta do Papa para a China em 2007. Enquanto amigo da Associação Patriótica, para sacerdote progressista difundiu péssimas interpretações.

Por sua vez, o presidente Xi Jinping no encerramento da Assembleia Popular Nacional (APN) em Pequim, deixou bem claro suas imposições com palavras inchadas de retórica.

A ordem é “prosseguir sob a guia do marxismo-leninismo, do pensamento de Mao Tsé Tung, da teoria de Deng Xiaoping, (…) e do pensamento do socialismo com características chinesas rumo a uma Nova Era [cujo autor é o próprio Xi]”, escreveu “AsiaNews”.

Xi Jinping exigiu implementar teorias religiosas 'achinesadas' sobre o socialismo.
Xi Jinping exigiu implementar
teorias religiosas 'achinesadas' sobre o socialismo.
Após o discurso de Xi, em roda de imprensa o primeiro ministro Li Keqiang ameaçou os EUA com represálias comerciais, reafirmou a intolerância de Pequim em face da independência de Taiwan e instou a Hong Kong e Macau a se integrarem mais na China vermelha.

Xi e Li fizeram absoluto silêncio sobre sua eternização no poder aprovada pela assembleia.

Segundo especialistas foi mais um “golpe de Estado” a ser somados aos outros já consumados pela ditadura.

Os católicos chineses apontaram o perito de Xia Baolong, ex secretário do PCC no Zhejiang, ter sido promovido a secretário geral da Conferência Política Consultiva do Povo Chinês.

Xia é o cúmplice íntimo de Xi Jinping responsável pela campanha de destruição de igrejas e cruzes em Zhejiang nos anos 2014 e 2015.

Para um católico chinês que não quis ser identificado, ficou evidente que sob Xi “a perseguição dos cristãos” rende fartos benefícios àqueles que procuram fazer carreira dentro do Partido Comunista.





No berço da China: perseguição assanhada
contra todo símbolo de Cristo

Uma das estações da Via Sacra em Henan, antes e depois da demolição
Uma das estações da Via Sacra em Henan, antes e depois da demolição
Com escavadeiras, braços mecânicos e martelos pneumáticos, agentes socialistas de Anyang (em Henan, província berço da civilização chinesa) demoliram uma Via Sacra erigida na trilha que leva até o mais antigo local de romaria na China: o santuário de Nossa Senhora do Carmo em Tianjiajing, noticiou a agência AsiaNews.

As 14 estações da Via Sacra gravadas em ardósia, representando os vários passos da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo com desenhos e gravados em estilo chinês com meditações que estimulam a devoção.

Há anos que o governo ameaçava essa destruição além do Santuário da Virgem do Carmo que coroa a montanha dominando um cenário panorâmico.

A construção da piedosa Via Sacra foi iniciativa do missionário do Pontifício Instituto para as Missões no Exterior, Mons. Stefano Scarella, vigário apostólico em Henan setentrional, para agradecer a liberação do extermínio dos católicos ameaçados por fanáticos pagãos Boxers em 1900.

A Via Sacra foi concretizada entre os anos 1903-1905. O Santuário foi danificado na Segunda Guerra Mundial e durante a Revolução Cultural marxista ordenada por Mao Tsé Tung. Em todas às vezes, foi reconstruído.

Escavadeira demolindo uma estação da Via Sacra
Escavadeira demolindo uma estação da Via Sacra
Todo ano se fazia uma peregrinação nacional reunindo por volta de 40-50 mil pessoas.

Em 1987, o governo enviou tropas e veículos armados para sitiar a área do santuário e bloquear o acesso a 50.000 peregrinos. Esses sortearam as barragens militares marchando pelos campos, contou “UCANews”.

Porém, o governo marxista de Henan, em maio de 2007 proibiu as peregrinações nacionais; o governo da cidade também revogou a licença do santuário e da romaria qualificando-os de “atividades religiosas ilegais”.

No Henan está em andamento uma forte perseguição contra todos os cristãos. Essa inclui destruição de túmulos e igrejas, proibição dos menores comparecer às missas e prisão de sacerdotes.

As perseguições atuais já se inserem no “Plano quinquenal de desenvolvimento para achinesar Igreja católica” aprovado por aclamação – inclusive dos bispos cismáticos ‘católicos’, não reconhecidos pela Santa Sé – no Quarto Encontro Comum dos Organismos Nacionais, noticiou “Infocatólica”.

Yu Bo, vice-diretor da Administração Estatal de Assuntos Religiosos, explicou que o Plano estava “orientado a implementar mais profundamente o espírito do Nono Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês (PCC) de outubro de 2017 e o espírito da Conferência Nacional sobre atividades religiosas de abril de 2016”.

“Achinesar” a Igreja Católica inclui segundo o presidente Xi Jinping:

1. a eliminação das “influências estrangeiras” (com destruição da obra dos missionários);

2. prescindir do mandato da Santa Sé para as sagrações episcopais (banindo o poder do Papa);

3. assumir o Partido Comunista como “guia” das religiões (exercendo o papel de uma espécie de CNBB ateia).

No Henan, a oração está sendo constrangida à clandestinidade
No Henan, a oração está sendo constrangida à clandestinidade
Xi Jinping deixou claro seu objetivo, mas o Plano Quinquenal não foi revelado, ficando a Igreja submetida ao arbítrio em nome de um texto ignoto.

Circulam rumores de que o Partido Comunista quereria “reescrever a Bíblia”, aliás como foi feito pela Teologia da Libertação na América Latina.

Os vexames acontecem enquanto na China e fora dela voltam a circular anúncios de uma próxima componenda entre Pequim e o Vaticano. Rumores semelhantes até agora não se verificaram, ao menos de público.

Os católicos chineses não acreditam em resultados bons desse anunciado acordo.

Em abril (2018) devassas policiais assaltaram igrejas e locais de oração em oito das 10 dioceses da província de Henan: Anyang, Luoyang, Xinxiang, Puyang, Zhengzhou, Shangqiu, Kaifeng e Zhumadian.

Uma igreja católica e o túmulo de um bispo foram demolidos; sacerdotes resistentes foram expulsos de suas paróquias, os objetos de piedade foram confiscados, e policiais foram instalados nas igrejas aos domingos para impedir que crianças e jovens pudessem ingressar.

A província de Henan, que é o berço da China, acolhe a segunda maior população cristã do país, após a província de Zhejiang.

Em 2009, foram recenseados por volta de 2,4 milhões de cristãos, incluindo 300.000 católicos. Pelo fim de 2011, havia pelos menos 2.525 igrejas cristãs e 4.002 postos cristãos.





Apocalíptica capitulação diante do Anticristo comunista

Bispos compactuados com o Anticristo marxista deverão dirigir a Igreja?
O comunicado de imprensa da Santa Sé informando a assinatura de um pacto com os algozes marxistas de Pequim confirmou laconicamente o que há tempo vinha sendo temido.

Com uma astúcia: o acordo é secreto e ‘provisório’. Os fiéis deverão obedecer a um texto desconhecido com a inércia de um cadáver.

Não parece verdadeiro, escreveu o vaticanista Marco Tosatti, que uma ditadura sanguinária e desumana, que mantém milhões de em campos de concentração receba a tarefa de escolher os bispos que governarão a grei de Jesus Cristo.

E isso por meio de uma Associação Patriótica, mera emanação burocrática do Partido Comunista.

Seria, acrescentou Tosatti, como se Pio XI e Pio XII tivessem confiado ao III Reich a eleição dos candidatos ao episcopado.

O Acordo Provisório, diz o comunicado da Santa Sé “e fruto de uma gradual recíproca aproximação ... ele trata da nomeação dos bispos ... e cria ... as condições para uma mais ampla colaboração bilateral”.

O Cardeal Joseph Zen anunciava que esse acordo abriria a estrada para um cisma, pois criaria um ente eclesiástico na China em ruptura com dois mil anos de história da Igreja.

A mídia comemorou a aprovação do mesmo pela Conferência Episcopal Chinesa. Só que essa espécie de CNBB chinesa não existe. É uma mera invenção do Partido Comunista, controlada pela Associação Patriótica, também emanação direta do Partido Comunista.

Numa ditadura marxista, tudo reverte nas mãos dos ditadores.

O regime perseguidor de toda religião deverá escolher os bispos?
Entidades promotoras da Revolução Cultural no Ocidente também comemoraram. Como a Comunidade de Sant’Egidio na Itália, fazendo coro ao macrocapitalismo publicitário que dizem repudiar.

Em sentido contrário, entre muitos outros, o historiador George Weigel, destacou que o acordo anunciado pela Santa Sé “é uma clara violação da atual legislação eclesiástica”.

E até do Concilio Vaticano II em que os signatários eclesiásticos do acordo dizem acreditar!

Uma segunda “Nota Informativa” da Santa Sé com data de 22.09.2018 levanta a excomunhão e recebe em plena comunhão eclesiástica aos sete bispos “oficiais” sagrados sacrilegamente e que vivem escandalosamente com mulheres e filhos em endereços públicos e notórios.

Alguns deles, além do mais, são deputados do Partido Comunista. Eles vieram sendo sagrados após alguns bispos colaboracionistas terem se submetido ao regime de Mao Tse Tung em 1951.

Para o vaticanista Sandro Magister se trata de um “acordo fantasma”. Todo o mundo o vê e obedece, mas ninguém sabe o que é.

O “Global Times”, edição em inglês do muito oficial “Diário do Povo” do governo, comemorou a adesão das autoridades vaticanas.

As destruições sacrílegas dos símbolos cristãos continuam desapiedadamente
E lembrou deliciado os elogios de Mons. Sánchez Sorondo, chanceler das Pontifícias Academias de Ciências e Ciências Sociais vaticanas à tirania marxista da China “o país que serve o bem comum e mostrou sua habilidade para combater a pobreza e a poluição” (sic!).

Para “La Nuova Bussola Quotidiana” se tratou de um triunfo dos “lapsi”. Quer dizer, dos maus cristãos que sob a perseguição romana preferiam queimar incenso aos deuses para não sofrer punições. A similitude do escândalo salta aos olhos.

O cardeal de Hong Kong, Joseph Zen, de 86 anos, fez ainda um apelo para que o Secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, dê um passo atrás nessa “incrível traição” da fé Católica.

“Eles estão dando comida na boca dos lobos.” “É uma completa rendição. É uma traição [da nossa fé]. Eu não tenho outras palavras”, acrescentou.

O cardeal descreve Parolin como alguém que despreza heróis da fé. “Ele deveria se demitir”, e esclareceu: “E não acho que ele tenha fé. Ele é apenas um bom diplomata, em uma definição muito secular, mundana.”

O pasmo e a indignação suscitados pelo anúncio do acordo moveu ao Papa Francisco a compor uma longa “Mensagem ao católicos chineses e à Igreja Universal”.

Se a tentativa foi tranquilizar, o efeito não pode ser mais contraproducente. Ficaram confirmados os mais cruéis temores e a responsabilidade direta e pessoal do pontífice no iníquo acordo.

Os aplausos das esquerdas mundiais ateias e eclesiásticas choveram sobre um acordo que passará para a História como uma das mais apocalípticas capitulações diante do poder do Anticristo comunista.

Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos, Imperatriz da China vencerá!
Enquanto ressonavam os aplausos da iniquidade, ABCNews, entre outras, informava documentadamente que na China está se intensificando a demolição de igrejas, as profanações dos símbolos cristãos, notadamente das Cruzes, derrubadas ou queimadas por agentes do governo.

O vaticanista John L.Allen Jr. se apresenta como um entusiasta intransigente da “mudança de paradigma” que o Papa Francisco quer impor à Igreja desfigurando-A radicalmente.

Mas, reconheceu na sua página que gestos tão brutais como o mencionado acordo com o comunismo chinês e os silêncios clamorosos diante das denúncias de envolvimento do Pontífice em crises de abusos sexuais, estão criando um “déficit de confiança” na base de simpatizantes do Papa Francisco.

A Igreja na China já viveu perseguições piores, por exemplo, sob Mao Tse Tung e sua Revolução Cultural.

No Ocidente padeceu perseguições que visaram exterminá-la como sob o Império Romano, por obra do furor protestante, do ódio igualitário da Revolução Francesa, das revoluções comunistas na Espanha, México e tantas outras.

E Ela sempre saiu vitoriosa. Imploramos a Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos, Imperatriz da China, que efetive Seu triunfo o antes possível nos presentes dias.

Na China e na Igreja toda!





Perseguição anticristã em nome do pacto Vaticano-Pequim

O povo fiel está vendo a onda de destruição anticristã e os policiais alegando que é em acordo com o Papa
O povo fiel está vendo a onda de destruição anticristã
e os policiais alegam que estão aplicando o acordo com o Papa!
O “pacto provisório” entre a Santa Se e o governo marxista de Pequim está se revelando ser o que seus opositores sempre denunciavam: um instrumento de perseguição anticristã.

O Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, arcebispo emérito de Hong Kong e um dos mais respeitosos mas firmes opositores à esse iníquo pacto, tinha anunciado que se a política vaticana de aproximação com o comunismo assinava dito acordo, para ele só ficaria se retirar a uma vida de recolhimento.

Mas, ele recebeu horrorizado relatos enviados da China continental sobre a perseguição contra o catolicismo – e em todas as suas tendências.

Trata-se de sequestros de sacerdotes, profanações de templos, saques, violências e até mortes praticados pela polícia comunista alegando estar fazendo a vontade do Papa Francisco expressa no “pacto”.

Então, malgrado sua avançada idade foi a Roma para tentar um derradeiro gesto que tocasse o coração do pontífice tão endurecido em relação aos fiéis católicos chineses.

Igreja demolida em Zhengzhou, na central província de Henan, 3 de junho de 2018
Igreja demolida em Zhengzhou, na central província de Henan, 3 de junho de 2018
O heroico Cardeal entregou ao Papa uma carta de sete páginas lhe implorando que conceda atenção aos padecimentos que se abatem sobre a chamada “igreja subterrânea” (dos católicos que obedecem a Roma, e que o comunismo considera rebeldes e ilegais).

Segundo o Cardeal, o pontífice nem tomou conhecimento do que foi feito na China contra a Igreja Católica e veio agindo segundo os conselhos de seus assessores mais radicais ligados à famigerada “Ostpolitik”.

O bispo emérito de Hong Kong também concedeu em 8 de novembro (2018) uma entrevista a UCANews, um reputado consórcio de agências de congregações missionárias no Oriente.

O Cardeal afirmou que nos relatórios que ele recebeu, sacerdotes e leigos “dizem que agentes do governo estão forçando-os a ingressar na Associação Patriótica Chinesa [órgão do governo para escravizar os católicos e obriga-los a aceitar o socialismo] e para que obtenham dela uma ‘carteira de sacerdote’ do governo e tudo isso alegando que o Papa assinou o acordo provisório Sino-Vaticano”.

Acontece que dito acordo contém cláusulas secretas que os católicos chineses fiéis a Roma desconhecem e por isso não sabem o que fazer.

“Alguns sacerdotes estão fugitivos, outros estão desaparecidos porque não sabem o que fazer e estão perturbados.

“O acordo não é conhecido, e eles não sabem se o que dizem os agentes do governo é verdade ou não”, acrescentou.

O Cardeal Zen já tinha entregue outra carta ao Papa Francisco alertando para os crimes anticatólicos que iriam ser cometidos
O Cardeal Zen já tinha entregue outra carta ao Papa Francisco
alertando para os crimes anticatólicos que iriam ser cometidos
O Cardeal Zen sublinhou que a Igreja Católica na China está enfrentando uma nova perseguição e que a Santa Sé está ajudando ao Partido Comunista Chinês a suprimir as comunidades de católicos fiéis.

Ele esteve em Roma desde 9 de outubro até 1º de novembro (2018) para entregar o relatório nas próprias mãos do Papa. “Eu queria falar de novo ao Papa e aguardo que ele reconsidere, mas essa pode ter sido a última vez”, disse.

Na carta descreve, segundo UCANews, como a polícia confisca o dinheiro dos fiéis, assedia aos parentes dos sacerdotes, os prende no cárcere ou até lhes tira a vida por causa de sua Fé.

“Mas, ainda assim a Santa Sé não os aguenta, os considera como fatores de perturbação e se refere a eles como a causa do problema porque não promovem a unidade [com as associações e clero comunista]. É isto o que mais lhes causa dor”, explicou o Cardeal.

A carta também reafirma que a Igreja Católica na China não tem mais liberdade para eleger os bispos.

O Cardeal apontou as contradições berrantes entre o que o Papa diz e o que faz em nome do “acordo provisório”:

Violências contra os fiéis em Henan, 5 de setembro de 20118
Violências contra os fiéis em Henan,
5 de setembro de 20118
“O Papa disse que os membros da Igreja na China deveriam ser profetas e por vezes criticar o governo.

“Mas eu fico muito surpreso vendo que ele não entende a situação da Igreja na China”, acrescentou.

O Papa Francisco alegou como razões para assinar o acordo: promover a proclamação do Evangelho e unir as comunidades católicas na China. Mas é o contrário disso que acabou resultando!

E, no avião, de retorno de sua visita ao Países Bálticos em setembro (2018) Francisco I disse que o povo deveria “render louvores à aqueles que sofreram pela Fé”, sob a perseguição nazista e comunista.

Mas, é essa perseguição que está acontecendo hoje na China, e o Papa não sabe de nada!

O Cardeal apontou como ao Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado vaticano, como um dos principais responsáveis da impiedosa situação. Esse cardeal negociou o “acordo provisório”.

Mons. Zen disse ser impossível no ambiente criado pelo “acordo provisório” tentar reunir os católicos fiéis e os subservientes do comunismo.

Porque os agentes marxistas interferem na vida das comunidades impedindo que os católicos preservem a pureza da fé.

“Nossa suprema autoridade é o Papa. Não podemos ataca-lo, disse Zen.

“Se o Papa está errando, eu espero que admita o erro; mas se ele não o reconhecer, eu espero que um Papa no futuro denunciará o erro. Sempre no fim a decisão é do Papa.

“Por isso nenhum de nossos irmãos na fé deve se rebelar”, concluiu.

No próximo post trataremos de chuva de perseguições, violências e profanações desatadas após o farisaico “acordo provisório”.





Bispo sequestrado: comunismo aproveita insensibilidade do Papa Francisco

Mons Pedro Shao Zhumin, obispo de Wenzhou (Zhejiang), sequestrado pela polícia.
Mons Pedro Shao Zhumin, obispo de Wenzhou (Zhejiang), sequestrado pela polícia.
Simultaneamente à patética viagem do Cardeal Zen a Roma para fazer um derradeiro pedido de auxílio ao Papa Francisco, a agência AsiaNews informou que o bispo de Wenzhou (Zhejiang), Mons. Pedro Shao Zhumin, foi sequestrado pela polícia no dia 9 de novembro (2018) e foi conduzido a um local afastado durante “10 ou 15 dias”.

Estes sequestros acompanhados de torturas e tentativas de “lavagem de cérebro” não são novidade e a polícia os define cinicamente como “períodos de feiras”.

Poster pede orações por Mons Pedro Shao Zhumin, bispo de Wenzhou sequestrado
Poster pede orações por Mons Pedro Shao Zhumin,
bispo de Wenzhou sequestrado
Na realidade, os sequestrados são submetidos a interrogatórios e sessões de doutrinação marxista.

Os fiéis da diocese pediram à Igreja d mundo todo, orações pelo bispo encarcerado e sob violência ideológica.

Não há notícia de que a Santa Sé se tenha pronunciado sobre o caso.

Mons. Shao, 55, não é reconhecido pelo governo socialista mas ocupa a diocese por disposição da Santa Se.

Nos dois últimos anos foi sequestrado pela polícia pelo menos 5 vezes. Na última, em maio de 2017, ficou preso sete meses.

As brutalidades policiais têm sempre o mesmo objetivo: que se afilie Associação Patriótica (AP). Mas, o prelado sabe que fazendo isso, adere a uma Igreja “independente” da Santa Sé.

Essa segundo a Carta aos católicos da China de Bento XVI é “inconciliável com a doutrina católica”.

Malgrado seja resistente e muito perseguido, Mons. Shao é muito querido até pela comunidade católica “oficial”.

De fato, existem leigos e sacerdotes que aderem por pusilanimidade ou venalidade à “Igreja oficial” do governo mas em seu íntimo admiram aos fiéis perseguidos “subterrâneos”.

E se o Vaticano assumisse uma atitude firmes formariam uma unidade com os católicos perseguidos.

Policiais e autoridades de Henan, arrancam símbolos cristãos, 5 de setembro de 20118
Policiais e autoridades de Henan, arrancam símbolos cristãos, 5 de setembro de 20118
Na diocese de Wenzhou (sudeste da China) há perto de 130.000 católicos.

Uma maioria de 80.000 fiéis pertence à “Igreja subterrânea” que não aceita o socialismo e permanece fiel a Roma.

Na diocese até os sacerdotes submissos ao regime comunista sofrem restrições e controles arbitrários.

Por exemplo, no último dia de Defuntos ficaram proibidos de visitar os túmulos de sacerdotes e bispos “subterrâneos” venerados por todos os católicos.

No fundo todos sabem que a autenticidade do catolicismo e da fidelidade à Igreja está nos chamados “subterrâneos”.

Nos domingos, em todas as igrejas “oficiais” ou “subterrâneas”, a polícia proíbe que as crianças e adolescentes menores de 18 anos compareçam às cerimônias ou recebam aulas de catecismo.

Na imensa região de Hebei que envolve a capital Pequim no nordeste, quatro sacerdotes “subterrâneos” foram raptados pela polícia porque se recusavam a se inscrever na oficial Associação Patriótica (AP).

Católicos rezam na clandestinidade, como na época das catacumbas.
Católicos rezam na clandestinidade, como na época das catacumbas.
Dois deles pertencem à diocese de Xiwanzi e os outros dois à de Xuanhua, informou “AsiaNews”.

Todos eles foram sequestrados em suas paróquias e levados a um local desconhecido para serem doutrinados na política religiosa do governo agora amparada por trás do “acordo provisório”, segundo narraram sacerdotes que passaram por esse momento amargo e cheio de dores.

Desde a assinatura do “acordo” a AP se assanhou contra os sacerdotes que resistem ao comunismo “malgrado o acordo”.

Muitos sacerdotes resistentes, escreve AsiaNews, estariam dispostos a reconhecer ao governo em termos genéricos para obedecer a Roma, mas não querem de jeito algum aderir à AP.

Essa, segundo reafirmado na Carta aos Católicos do papa Bento XVI tem estatutos que “são inconciliáveis” com a doutrina católica. Neste ponto o papa Francisco vem se omitindo sistematicamente.

Cruz arrancada da torre da igreja católica de Lingkun, Wenzhou, região de Zhejiang, 11 de outubro de 2018
Cruz arrancada da torre da igreja católica de Lingkun, Wenzhou,
região de Zhejiang, 11 de outubro de 2018
Pese a chuva de violências persecutórias, na região (equivalente a um Estado) de Hebei e na vizinha região de Henan as comunidades subterrâneas estão sendo suprimidas ou impossibilitadas de se reunirem.

Muitas cruzes e ornamentos sagrados das igrejas estão sendo destruídos com o a argumento da “achinesamento” e da submissão da fé católica à cultura chinesa, suprimindo toda iniciativa de evangelização, pretexto arguido para assinar o “acordo provisório”.

No dia 1º de novembro foi destruída a cruz do campanário da igreja de Shangcai (Henan). O templo foi trancado e ninguém pode usa-lo para qualquer ato de culto.

Muitos católicos declaram que se sentem “abandonados”, “esquecidos” e até “traídos”.





O comunismo cerceou o Natal, mas sente que seus días estão contados

Natal na China foi visto como atividade ilegal. Foto arquivo
O Natal na China foi visto como atividade ilegal. Foto arquivo
Nem luzes de cores, nem árvores, nem guirlandas de qualquer tipo, ainda que despojadas de qualquer alusão religiosa.

Obviamente, nem presépios nem a contrafação de São Nicolau mais conhecida como Papai Noel, suas renas e trenó.

Puro ateísmo materialista anticristão e antiocidental. Banidas todas as formas que podiam trazer alguma alegria ao espírito e elevar os pensamentos.

Assim o determinaram as autoridades da cidade de Langfang, na província de Hebei, no coração da China. Todo e qualquer símbolo ou exibição natalina foi banido das ruas e das lojas, noticiou o “The New York Times”.

E isso após o “acordo provisório” com a Santa Sé que prometia segundo a diplomacia vaticana aproximar o cristianismo do feroz materialismo de Xi Jinping.

As missas "não oficiais" deviam acontecer em locais dissimulados
Os funcionários da prefeitura, alegaram que o Natal está proibido por instrução do líder máximo e que não há o que protestar após a Santa Sé reconhecer o novo estatuto do catolicismo “achinesado” ou melhor, comunistizado.

Segundo o presidente Xi Jinping, o Natal não é mais do que uma celebração ocidental que serve de pretexto para incentivar a venda de produtos desnecessários que, para pior, cristianizam o país.

Como se a China não invadisse com produtos desnecessários e de má qualidade o mundo todo.

Essa é a filosofia do comunismo moderno chinês diante do qual se curvam tantos ocidentais também descristianizados.

Os agentes municipais de Langfang mandaram destruir ou apagar tudo o que tivesse cor vermelha, cor que de si fala do Natal e da alegria.

Supomos que não foi interditada a tonalidade tijolo sujo avermelhada do Partido Comunista, imitada pelo PT.

Loja não pode funcionar com árvore de Natal em Lanfang.
Loja não pode funcionar com árvore de Natal em Lanfang.
A censura se abateu sobre as decorações inclusive as que nada tinham a ver com o Natal, mas que podiam despertar ou se aproximar das alegrias natalinas em ruas, lojas e escolas.

Os empregados da prefeitura comunista percorreram centros comerciais e ruas durante os dias 23, 24 e 25 de dezembro para garantir que ninguém tinha violado os preceitos ateus.

O uso das praças e espaços abertos por parte de pregadores religiosos também foi banido. Se alguém fosse identificado difundindo palavras ou material cristão devia ser imediatamente denunciado à polícia.

Não faltaram camelôs que tentaram burlar a perseguição correndo com carrinhos em que dissimulavam os produtos natalinos, como árvores de Natal, papais Noel ou doces típicos da festa.

Quando pegos tiveram os produtos destruídos, os vendedores foram chicoteados e dispersados. Isto no país que o Mons. Vaticano Marcelo Sánchez Sorondo, um íntimo do Papa Francisco, qualificou de modelo de aplicação da doutrina social da Igreja !!!!

Yaqiu Wang, investigador da insuspeita ONG Human Rights Watch, explicou que “a proibição das decorações natalinas em Langfang é parte integral do controle estrito do governo chinês sobre a religião”. Não foi, portanto, ato restringido a uma cidade só.

Natal proibido em Lanfang
Natal proibido em Lanfang.
Em verdade, não é a primeira vez que o marxismo chinês tenta apagar os fundamentos do Natal. Em dezembro de 2017, a cidade de Hengyang, na região de Hunan, convocou os membros do Partido Comunista e familiares para “resistirem ao festival ocidental”.

Tampouco é uma invenção da China comunista. Por toda parte o comunismo – e seu correspondente ocidental, a Revolução Cultural – trabalha afincadamente para apagar a doce lembrança de Cristo e a maravilhosa comemoração da vinda ao mundo do Redentor.

Tampouco é tentativa de hoje. Em todos os séculos, pagãos e inimigos da religião tentaram erradicar a magna festividade da sociedade, da cultura e das almas. Mas nunca o conseguiram, ela sempre voltou superando até as piores deturpações.

De fato, o maior inimigo do Natal é o próprio Lúcifer e seus anjos infernais que, após o nascimento do Redentor veem perder sua influência sobre a humanidade.

Então mobilizam todos seus sequazes humanos para perder o maior número possível de almas.

Funcionários removem decoração julgada natalina numa loja de Louis Vuitton
Funcionários removem decoração julgada natalina numa loja de Louis Vuitton
Na China o catolicismo, e o cristianismo em geral, são minoritários, embora estejam crescendo aceleradamente.

As religiões numericamente predominantes são pagãs: o budismo, o taoísmo, o confucionismo, o maometismo e conjuntos de antigas superstições.

Porém, o 25 de dezembro com sua bênção atrai até os pagãos e é ocasião de numerosas conversões inclusive dos ateus mais empedernidos.

Por isso, o comunismo treme: ele sabe que tem seus dias contados na imensa nação chinesa.





Milagres da fidelidade católica sob a perseguição

Refeição num seminário clandestino não-identificado
Refeição num seminário clandestino não-identificado
Wang Jie é um diácono católico que se prepara para o sacerdócio na Igreja clandestina chinesa. O nome é fictício pois corre risco de cair nas mãos da polícia, mas narrou sua história para ACIDigital.

Ele nasceu “em uma região onde a maioria das pessoas é pagã”. Nenhum de seus parentes era católico e seus pais “nunca tinham ouvido a palavra ‘cristianismo’”.

Mas um dia sua mãe ficou doente e os hospitais não conseguiam cura-la. Foi então que viram uma cruz num local que eles imaginaram ser um centro médico. Mas era uma igreja católica onde uma religiosa curou a mãe de Wang.

Eles voltaram para agradecer aquela “senhora” e a religiosa lhes falou pouco a pouco da fé. A família ficou muito interessada e afinal todos foram batizados quando Wang tinha 8 anos.

“Nós sabemos que isso foi um milagre para que pudéssemos conhecer a fé. Deus nos guiou à sua casa”, afirma ele.

A Igreja Católica fiel a Roma é conhecida como “Igreja clandestina”, e no dia de hoje não pode praticar a sua fé abertamente porque o governo, conluiado com a diplomacia vaticana, só reconhece a “Igreja patriótica”, engendro criado pelo Partido Comunista.

Wang Jie recorda que, devido à política comunista do filho único, seus pais não poderiam ter sua irmã, e seriam fortemente penalizados pelo governo. Mas eles recusaram toda hipótese de aborto.

“Quando a minha irmã nasceu, encontramos uma família que acabava de ter outro filho e o registraram como se fossem gêmeos. De fato, a minha irmã não tem o mesmo sobrenome que eu, mas o dessa família, porque segundo esses documentos eles são irmãos”, disse.

Um dia os pais encontraram um sacerdote que era reitor do seminário. Por ele ficaram sabendo que havia seminaristas se preparavam para o sacerdócio, e que cada três ou quatro meses mudavam de lugar porque as autoridades poderiam descobri-los e seriam torturados e enviados a campos de concentração.

Os pais de Wang ofereceram sua residência, e assim os seminaristas transformaram o 1º andar da casa num seminário durante 10 anos, enquanto a família morava no térreo.

O exemplo deles tocou o coração de Wang que, com 16 anos, decidiu entrar no seminário. “Dentro do meu coração eu gostava dessa vida, queria ser como eles”, explicou.

A decisão final foi tomada depois de acompanhar um desses seminaristas a uma catequese.

“Quando voltei para casa foi como se algo tivesse acendido no meu coração, eu disse aos meus pais que queria ser sacerdote. Eu tive esta semente da vocação no meu coração”, contou.

Ele sabe que ser membro da Igreja clandestina na China é muito difícil. “Tudo é realizado na família, nas casas. A mesma mesa que usam para comer, é limpa e depois celebram a Missa. Depois recolhem tudo e ensinam o catecismo ou conversam sobre temas familiares”, explicou.

Os católicos se conhecem através de padres que colocam as famílias em contato.  

“Nós ligamos e informamos que um 'amigo' está vindo para jantar. Isso significa que o padre virá e celebrará a Missa. Não podemos falar explicitamente porque as autoridades chinesas podem estar nos ouvindo”, assinalou.

Entretanto, assegurou que viver sob o risco de as autoridades comunistas detê-lo, vale a pena, porque, “se queremos ter a Verdade, é o que devemos fazer apesar das dificuldades”.

“A fé não é como uma fábrica onde trabalhamos e, se gosto, fico, e se não gosto, vou a outro para lugar. Minha fé é encontrar o teu Pai, o teu Deus e viver a vida assim”.

“Há uma frase que eu gosto muito de Tertuliano: 'Sangue dos mártires semente de novos cristãos'”, repete Wang.

“Quando estou na fila para entrar no país e tenho o meu passaporte nas mãos, começo a rezar à Virgem Maria: ‘Minha mãe, ajudai-me. Minha mãe, ajudai-me’. E tudo sempre vai bem; embora os perigos sejam reais, Deus sempre me ajuda”, afirmou.

Além disso, sublinhou que, embora os católicos clandestinos não vivam uma situação nada fácil, eles se sentem encorajados professando a fidelidade ao Papado. “Deus concedeu a chave do Papado a São Pedro e isso faz parte da nossa fé e, ou nos unimos a Pedro, ou não caminhamos”, explicou.

Esse maravilhoso auxílio da graça pode muito mais que as violências comunistas ou as insídias da Ostpolitik vaticana.

“Na China, há 30 anos que os sacerdotes e bispos fiéis a Roma foram proibidos, mas, apesar disso, o número de fiéis católicos não diminuiu.

“Eles vivem a fé graças ao Terço, a Virgem Maria. Isso é muito importante na China e eles mantêm sua fé graças a Ela, porque não podem participar dos sacramentos. A Igreja é de Deus e Ele sabe por que faz cada coisa, por isso devemos estar unidos a Pedro”, concluiu.





No país modelo da Ostpolitik vaticana, Marx é o único deus

Interrogatório policial na China
Interrogatório policial na China
O Partido Comunista Chinês reforçou o velho dogma marxista na nova versão do livro obrigatório “Normas Disciplinares do Partido Comunista Chinês”.

A proibição de acalentar qualquer crença religiosa foi acentuada com maiores castigos para quem dentro do Partido deixe transparecer fé ou simpatia religiosa, noticiou o site Bitter Winter, especializado na repressão contra todas as religiões na China.

O Departamento de Organização do Partido difundiu um vídeo de cinco minutos denominado “microaula partidária” para, segundo seu website, fornecer “uma moderna educação a distância para os membros e dirigentes do partido em todo o país”.

O vídeo encoraja os inscritos a enfatizar a “tolerância zero” contra correligionários que revelem alguma simpatia pela religião.

O vídeo ensina que tampouco os membros aposentados do Partidão podem acreditar na religião ou participar de cultos.

Se assim fizerem serão expulsos do Partido, ficando privados de bolsas, aposentadorias e outros benefícios.

Assim está acontecendo no país que segundo Mons. Marcelo Sánchez Sorondo, presidente das Academias Pontifícias de Ciências e Ciências Sociais do Vaticano, eclesiástico muito próximo do Papa Francisco, qualifica de “país modelo na aplicação da doutrina social da Igreja”.

Sem dúvida, a expressão não se aplica à Igreja fundada por Jesus Cristo na pessoa de São Pedro. Mas se aplica de cheio à Igreja progressista pós-conciliar que está perturbando a fidelidade normal dos católicos a Nosso Senhor Jesus Cristo.

La croce della chiesa cattolica La croce della chiesa cattolica clandestina del borgo di Xintaizi, prima e dopo la rimozione Na igreja católica "clandestina" de Xintaizi: a Cruz foi arrancada, as portas fechadas, não há mais veículos de fiéis no templo.del borgo di Xintaizi, prima e dopo la rimozione
Na igreja católica "clandestina" de Xintaizi: a Cruz foi arrancada,
as portas fechadas, não há mais veículos de fiéis no templo.
Os membros do Partido devem preencher um cadastro especial após assistir ao vídeo para deixar a garantia de que ficaram informados da propaganda ateia.

As autoridades investigam afincadamente o pensamento dos militantes do Partido, pois têm abundantes provas de que muitos se fingem comunistas para se beneficiarem de cargos e bolsas, sem acreditarem no que o comunismo prega.

Liu Cheng [todos os nomes citados por Bitter Winter são fictícios para evitar represálias], ex-militante comunista, hoje com seus setenta anos, que vive na cidade de Shangzhi, na província de Heilongjiang, nordeste da China, foi ameaçado: não pode acalentar crenças e deve parar de acreditar em Deus.

Liu recebeu a ameaça de viva voz em dezembro de 2018, na sua cidade.

Os enviados advertiram ele que é incompatível acreditar em Deus e no Partido.

Os militantes só podem acreditar no Partido Comunista e professar a ideologia do ateísmo marxista ou serão ejetados do Partido.

Liu que já estava pronto a abandonar o Partido, acabou renunciando definitivamente a ele.

Também o diretor da escola da cidade de Dandong foi punido com a expulsão após uma inspeção constatar que ele acreditava em Deus.

Nesse clima, é fácil que se multipliquem os compromissos e concessões. Mas não é isso o que quer o Partido. Ele quer que as pessoas adiram no fundo de suas almas ao ateísmo comunista.

Wang Xinguang diácono protestante aprovado pelo governo em Shangrao, na província de Jiangxi, sul este do país, foi advertido que só podia acreditar no ateísmo e no marxismo-leninismo.

Se ele prosseguia colaborando em atividades religiosas estaria violando a disciplina do Partido, seria expulso dele e seus filhos sofreriam as consequências não conseguindo empregos.

Wang largou sua seita protestante.

Faixas proíbem ingresso na igreja católica clandestina de Xintaizi sob sequestro judicial
Faixas proíbem o ingresso
na igreja católica clandestina de Xintaizi sob sequestro judicial
Em material de propaganda distribuído aos maestros, lê-se um apelo do divinizado presidente Xi Jinping’s para que os militantes “sejam insofismáveis ateus marxistas, estritamente afinados com as instruções do Partido, reforçando convicções e ideais para ter sempre em mente as metas do partido e não procurar valores e crenças nas religiões”.

A Constituição reconhece a liberdade de religião. Mas as autoridades, prossegue, Bitter Winter, sempre atacam a fé e não toleram que os cidadãos exerçam essa liberdade.

Isso que é verdadeiro para as pessoas comuns, é especialmente severo quando se trata de militantes ou funcionários comunistas: a religião é uma “linha vermelha” que não pode ser atravessada. Mas a massa dos seguidores mostra a língua à cúpula partidária.

Fenggang Yang, professor de sociologia na Universidade Purdue nos EUA cita um inquérito da Horizon Research de 2007, segundo o qual pelo menos 85% dos militantes comunistas tem uma tal ou qual inclinação pela religião quando não participam ativamente – e secretamente – em grupos religiosos.

Essa duplicidade é vista em Pequim como um perigo latente contra o regime.

Hu Ping, comentarista político e editor chefe de Beijing Spring, declarou a “Voice of America” que os membros religiosos do partido sabotam os esforços do comunismo oficial.

Compreende-se que os inimigos de Deus precisem então apelar aos maus dirigentes religiosos para ver se por meio deles arrancam a fé do povo.

Isso explicaria tudo o que Pequim quer tirar do “acordo provisório” com a diplomacia vaticana: fazer que os bispos e padres “vermelhos” alinhados com o Papa Francisco e a teologia da libertação matem a fé na alma dos fiéis.





Invasão de telecâmeras empurra fiéis para catacumbas

A invasão das telecâmeras está forçando os fiéis para se reunir em catacumbas
A invasão das telecâmeras está forçando os fiéis a se reunirem em catacumbas
A China está instalando um novo sistema de telecâmeras de controle da população em estradas, ingressos das aldeias, denominado “Olhos Aguçados” (“Sharp Eyes”) ou, com maior hipocrisia, “Projeto de neve deslumbrante”, “Xue Liang” em chinês, noticiou “Bitter Winter” com informações da China continental.

O sistema vem se acrescentar ao fabuloso sistema de controle da população facial das cidades denominado “Crédito Social”.

Cfr. Embora não o seja, a ditadura chinesa se parece com a do Anticristo

Nasce a mais requintada ditadura rotulada “crédito social”  

Pentágono: celulares chineses espionam conversas

A nova rede está adaptada às necessidades de controle e repressão nas áreas rurais e já está sendo testada em 50 cidades. O plano que visa a instalação em todo o país foi aprovado em 2016 pelo Comitê Central do Partido Comunista Chinês – PCC.

A ordem do PCC é que até 2020 seja feita a “cobertura completa de todas as regiões, a integração de todas as redes e a disponibilidade instantânea e a controlabilidade em todos os pontos”.

Residentes do distrito Baqiao de Xi’an, a capital da província histórica de Shaanxi, no centro da China, denunciaram que desde outubro 2018 houve um rápido incremento de telecâmeras de vigilância em estradas e entradas das aldeais.

Os olhos cibernéticos da ditadura invasora podem se encontrar até a menos de 30 metros um do outro, e no máximo entre a 300 a 500 metros.

Fotógrafo argentino achou telecâmeras até em toaletes. Para secar as mãos precisava tirar foto no sistema.
Fotógrafo argentino achou telecâmeras até em toaletes.
Para secar as mãos precisava tirar foto no sistema.
O jornal californiano “Los Angeles Times” calcula que na China, para 1,4 bilhões de pessoas, há já instaladas mais de 176 milhões de telecâmeras de vigilância.

O jornal escreve que já “há dois anos um residente da aldeia de Anxi, na província de Sichuan, tentava queimar um pouco de lixo quando os alto-falantes pronunciaram seu nome e endereço lhe ordenando apagar imediatamente o fogo. O homem tomou um susto, apagou o fogo e saiu correndo”.

A Radio Free Asia, afirma que o “Olhos Aguçados” está sendo embutido em telas de TV e smartphones para que a vídeovigilância atinja as casas e a intimidade das pessoas.

O maior temor dos fiéis é que o sistema esteja voltado, como muitos indícios estão deixando claro, contra quem professa uma religião.

Teme-se que o PCC tenha ordenado a inclusão de dispositivos secretos em eletrodomésticos, telefones celulares e outros dispositivos “inteligentes” para fuçar na vida privada das pessoas, usando os recursos da inteligência artificial e do reconhecimento facial.

O PCC diz que apenas quer controlar a criminalidade e garantir que as pessoas estejam seguras em suas casas.

Mas as testemunhas falam do contrário: “é como se todos tivéssemos uma corda no pescoço e fossemos conduzidos ao matadouro. Vivemos como sendo observados por um microscópio e isso é aterrorizante”.

A espionagem constante é especialmente espaventosa para as pessoas que têm religião pois incorrem no risco de sofrer sérios problemas com a máquina de opressão socialista.

As invasoras telecâmeras viraram a arma mais eficaz do regime para monitorar os locais de culto que têm aprovação do governo. E para reprimir os que não foram autorizados pelos ditadores, que por meio delas procuram identificar e prender os fiéis.

O documento interno do PCC “Coleção de casos exemplares no âmbito das operações especiais”, citado por “Bitter Winter”, descreve detalhadamente quanto gastou o regime com mecanismos eletrônicos para perseguir os chineses com fé.

Na cidade de Hebi, no condado de Xun, as despesas com telecâmeras atingiram o equivalente a 130.000 dólares [por volta de R$ 520.000] para vigiar 53 locais religiosos. Cinco deles foram fechados desde a instalação.

As telecâmeras estão sendo instaladas nas igrejas de todo o país. Em algumas delas há funcionando até oito, somando as que funcionam por dentro e por fora.

O governo registra os sermões e as informações pessoais dos presentes. E quem se opõe às revisões é punido.

Telecâmeras espionam locais de encontro dos fiéis como esta igrejinha clandestina em Qiuxi
Telecâmeras espionam locais de encontro dos fiéis
como esta igrejinha clandestina em Qiuxi. Foto de Bitter Winter
O governo também está cruzando essas informações religiosas com outros bancos de dados que reforçam a invasão cibernética e as punições.

Os fiéis denunciam que os agentes socialistas os obrigam a serem fotografados. Aqueles que perguntam o por que recebem respostas contraditórias que sugerem o pior.

Segundo fontes do Ministério de Justiça ouvidas por “Bitter Winter”, as fotos dos religiosos vão para um arquivo especial do projeto “Olhos Aguçados”.

A uma mulher evangélica de Hebei, a polícia lhe mostrou a filmagem dela resultante de 11 meses de espionagem inclusive com informações de outros fiéis amigos dela.

Com estas intimidações é quase impossível que os fiéis possam se reunir. Estão desaparecendo até os locais onde os fiéis podiam se esconder para rezar.

Mas eles perseveram se agrupando em morros, florestas ou plantações.

Durante a igualitária Revolução Cultural de Mao Tsé Tung (1966-1976), houve cristãos que cavaram refúgios subterrâneos para se encontrar, aliás como no tempo das catacumbas e das sanguinárias perseguições romanas.

No fim, contra todas as evidências, acabaram vencendo e cristianizando o Império dos Césares, que ficou todo ele oficialmente católico.





Mais relatos emocionantes dos católicos perseguidos sob o acordo Pequim-Vaticano

O povo fiel está vendo a onda de destruição anticristã e os policiais alegando que é em acordo com o Papa
O povo fiel está vendo a onda de destruição anticristã
e os policiais alegando que é em acordo com o Papa
Transcorridos apenas quatro meses do acordo provisório assinado pelo Vaticano para supostamente suavizar as tensões, o Partido Comunista Chinês – PCC está multiplicando as supressões de igrejas católicas e a perseguição aos fiéis ditos “clandestinos” porque não são obedientes ao comunismo, escreveu o bem informado site Bitter Winter.

O ministro das Relações Exteriores anuncia que Xi Jinping e o Papa Francisco avançam no processo de melhoramento das relações recíprocas. Mas, no interior da China, o PCC está fazendo exatamente o oposto.

Em dezembro (2018), policiais de Taining, na província de Fujian, devassaram uma igreja e prenderam o sacerdote e as religiosas.

A polícia entrou ilegalmente no prédio intimidando as freiras caso não encontrassem o sacerdote. Os fiéis foram humilhados.

Em outubro (2016) a igreja católica de Gucheng, na província de Hebei, foi fechada acusada de ser um “local de encontro sem licença”.

As portas internas foram vedadas, a estátua de Nossa Senhora no centro do pátio foi removida e a Cruz foi desmantelada.

Um fiel contou que o governo lhes exige aderir à Associação Patriótica, órgão criado pelo socialismo, hastear a bandeira marxista e cantar o hino nacional. “Querem que abandonemos Deus para só acreditar no governo”, completou.

Em Weinan, província de Shaanxi, os funcionários marxistas ameaçaram os fiéis dizendo:

“Se vocês querem ler as Escrituras vão nas igrejas da Associação Patriótica, ou levareis uma multa de 20 mil renminbi [mais de 12.000 reais]. Se vocês não têm dinheiro para pagar, vão ir na cadeia”.

Os fiéis responderam que jamais entrariam numa igreja do governo. Então os policias prenderam como refém um homem de 75 anos “para interrogá-lo”.

No continente, os fiéis acham que o acordo provisório Vaticano-Pequim deu mais liberdade para a caçada das igrejas católicas “clandestinas”.

Um sacerdote “clandestino” da arquidiocese de Fuzhou, explica: “O PCC quer submeter a todos os sacerdotes. Se o padre não obedece, o enxotam da igreja porque não é um padre segundo a lei.

“O PCC está usando métodos ‘pesados’ de doutrinamento para transformar os padres. Os sacerdotes que são corajosos, resistem e não obedecem, continuarão a serem feitos prisioneiros”.

Mesmos atropelos e vexações aconteceram na província central de Jiangxi, informa Bitter Winter num outro artigo.

Na diocese de Yujiang, a igreja católica da Anunciação – única do condado e que custou por volta de 600.000 reais doados pelo povo – foi invadida por policiais no dia 12 de agosto (2018). Os agentes tentaram forçar os fiéis a se afiliarem à comunista Associação Patriótica.

Os marxistas ouviram uma recusa massiva. Então chantagearam com a ideia de demolir a igreja e encarcerar os fiéis.

Esses foram fotografados contra sua vontade e seus números de celular foram anotados.

Para salvar a igreja, os fiéis decidiram se reunir nas montanhas que há por trás da aldeia para assistirem à missa.

Mas foram descobertos num 15 agosto. O chefe dos assuntos religiosos do condado repetiu as ameaças e mandou fotografá-los de novo. Se os fiéis não aderem ao governo, seus filhos em idade escolar não poderiam receber aulas.

O sacerdote é perseguido com o pretexto de uma campanha nacional contra o crime organizado, mas todos sabem que é falso.

Em Rongshan, diocese de Yujiang, se reproduziram idênticas cenas com o acréscimo de que uma turma de estudantes de entre 9 e 13 anos foi dissolvida com os mesmos pretextos persecutórios.

Um policial disse às crianças: “vocês são o futuro do Partido Comunista. Não pretendam apreender a acreditar em Deus ou a achar que vocês são seus seguidores”.

Na diocese de Yujiang, o bispo “clandestino”, Mons. Tomás Zeng Jingmu, foi arrestado muitas vezes e passou em prisão mais de trinta anos.

Suspeita-se que foi maltratado até ser morto no dia 2 de abril de 2016.

A paróquia de Dongergou, uma das mais antigas de Shaanxi, alberga um famoso local de romaria: o santuário de Nossa Senhora das Sete Dores no topo do Monte das Sete Dores.

Todo ano é frequentado por dezenas de milhares de pessoas através de um sendero marcado pelas estações da Via Sacra e por estátuas de santos e anjos.

A missão foi erigida pelos padres franciscanos em 1893. Eles montaram um seminário que formou cem sacerdotes. A aldeia conta 1.300 pessoas todas católicas.

Em julho o uso da igreja foi proibido alegando que o acesso estava “perigoso”. O pedido de licença para conserto foi negado, noticia Bitter Winter.

Em outubro os perseguidores demoliram a estátua do anjo na entrada do santuário. Alegando que havia “cruzes e estátuas demais”.

O seminário franciscano de Dongergou chegou a formar cem padres
O seminário franciscano de Dongergou chegou a formar cem padres
Os fiéis continuam se reunindo diante da igreja.

O Pe. Wang que foi expulso de sua igreja em Shijiazhuang voltou a ser convocado pela polícia para conversar sobre o acordo entre o Vaticano e a China.

O “diálogo” virou logo uma sessão de interrogatório e intimidação nos padrões conhecidos, informou ainda outro artigo de Bitter Winter.

O Pe. Wang recusou a política de “sinização”. Então o PCC proibiu os minores de idade de entrar na igreja e obrigou a que nela sejam montados grandes retratos dos líderes comunistas Mao Tsé Tung e Xi Jinping.

Para o sacerdote o acordo com a Santa Sé concedeu uma “vantagem absoluta” ao comunismo perseguidor.

E acrescentou que “a Igreja Católica ‘clandestina’ está em perigo de ser extinta.

O Pe. Feng, de Shijiazhuang, foi submetido secretamente a sessões de “conversão ideológica”, ou métodos de tortura para mudar as ideias.

O Pe. Ma, da cidade de Xingtai, vive mudando frequentemente o local de celebração da missa, e só informa os fiéis a último momento.

Na província de Hebei os perseguidores requintaram forçando os católicos a içar a bandeira comunista do lado de fora da igreja de Zhengding, onde mora o bispo Júlio Jia Zhiguo.

Esse ficou encarcerado por quase trinta anos porque recusa a aderir à igreja dita patriótica invenção do governo. É mais um artigo de Bitter Winter.

As missas devem acontecer em locais dissimulados.
As missas devem acontecer em locais dissimulados.
No 1° de outubro, membros do partido começaram a escavar um buraco diante da igreja de Wuqiu, na área urbana de Jinzhou, para instalar a bandeira comunista.

O bispo Jia se opôs proclamando que só se adora a Deus e não a bandeira chinesa.

Um frade ancião pulou dentro do buraco para impedir que continuassem trabalhando. Mas foi advertido que seria enterrado vivo.

Os fiéis foram ameaçados de terem interrompida a água e a energia elétrica, e que seus filhos não poderiam frequentar a escola.

Um fiel comentou: “não participaremos da cerimônia da bandeira e não cantaremos o hino nacional. Se o governo não nos permitir ler as Sagradas Escrituras ou ir à missa, faremos isso em casa. Quanto mais nos perseguem, mais forte fica nossa fé”, concluiu.





No Calvário carcerário porque acreditam em Jesus Cristo

“É o inferno na terra!” assim um cristão descreveu o tempo de “reeducação pelo trabalho” passado num campo de concentração, parte da galáxia carcerária, ou “laogai”, criada pelo socialismo chinês em 1957.

Nesses campos, o regime reclui dissidentes, fiéis de religiões proibidas como o catolicismo fiel a Roma e os “contrarrevolucionários”, reais ou imaginários.

Oficialmente foram abolidos em 2013 para ocidental ver. Mas, na prática estão sendo multiplicados do atual ditador Xi Jinping, em parte para se beneficiar com o produto da “mão de obra escrava” assim recrutada.

Produto que depois é vendido no mundo com preços abaixo de qualquer concorrência.

Bitter Winter entrevistou a alguns ex-presos que relataram a dolorosa experiência do atual sistema.

A situação dos religiosos é pior que a dos demais presos. Para o Partido Comunista Chinês – PCC, o “crime” de acreditar em Cristo é mais grave que roubar, assaltar, incendiar ou assassinar.

As quotas de trabalho diário são enormes, como produzir 3.000 acendedores de cigarros, 1.000 peças de roupa interior, ou 4.000 caixas de fósforos.

Os gerentes de produção aumentam a carga de trabalho segundo os interesses do momento por vezes até os prisioneiros perderem a pele dos dedos, e independentemente da idade ou forças físicas.

O turno de trabalho quotidiano mais curto anda pelas 12 horas, podendo chegar até 20 horas por dia.

“Durante dois anos e dez meses de prisão passei sentado num banco mais de 10 horas por dia. Achava que minhas costas iam quebrar. Não nos era permitido nem mesmo limpar o suor”, contou um ex-preso por motivos religiosos.

Um outro encarcerado com os mesmos pretextos, contou que “sempre éramos obrigados a cumprir os serviços perigosos, como aplicar uma cola que continha certo tipo de veneno. Os olhos ficavam tão irritados que as lágrimas escorriam ininterruptamente”.

Um outro cristão designado para um forno de tijolos contou que “a temperatura do forno podia atingir 60 ou 70 graus. Os prisioneiros-escravos podiam se queimar e seu cabelo saia chamuscado.

“As autoridades não lhes forneciam sapatos resistentes e os trabalhadores deviam se apoiar num pé por vez balançando de um lado a outro para não se queimarem.

“Os recém-chegados não resistiam sequer cinco segundos e saiam correndo. Então o gerente os golpeava com um tubo”.

Um deles tentou se suicidar, mas o chefe o agrediu aos golpes e lhe aplicou descargas elétricas.

Os presos deviam tomar sopa de vegetais com insetos boiando. Em consequência da desnutrição ficavam sem força para trabalhar. Então as autoridades da prisão-fábrica os torturavam.

Os próprios carcereiros incitavam os prisioneiros mais agressivos a baterem nos outros reclusos.

Zhu [pseudônimo] descreveu que nesses casos “os carcereiros atavam as mãos e pés do operário-escravo esgotado numa cerca de ferro para obriga-lo a ficar em pé, excetuadas as refeições, no inverno ou no verão, sem direito a dormir”.

Um outro cristão que não pode completar a quota foi constrangido a ficar sem calca na intempérie no inverno. Sem cessar vertiam água fria na sua cabeça.

O trabalho em excesso e as punições corporais provocavam doenças e dores. Mas não havia tratamento médico.

Os outros reclusos podiam receber uma “dieta para pacientes”, mas não assim os cristãos.

Após cinco anos e oito meses nesse regime, Zhu desenvolveu uma atrofia nos músculos dos ombros. Hoje pena para esticar seus braços e não pode realizar trabalhos pesados. Muitos ficaram incapacitados para sempre ou morreram na prisão-fábrica.

Em 24 de março de 2015, o Tribunal Popular de Xiangyun, província de Yunnan, condenou a cristã Wang Hongli [nome autêntico], a cinco anos de prisão por “socavar a aplicação da lei”.

Na cárcere-fábrica, devia empacotar jeans e costurar pernas das calcas. Após dois anos, ela só pesava 32 quilogramas e seu rosto ficou tão magro que os lábios não podiam fechar. Suas clavículas eram claramente visíveis. Quando sua família a visitou, chorou e disse: “Não posso suportar mais”.

Outro cristão que trabalhava na mesma seção contou que em agosto de 2017, Wang Hongli não podia comer mais nada. Não conseguia segurar um par de tesouras. Mas os guardas não lhe permitiam descansar até que faleceu com 42 anos.

A polícia alegou para a família que a Sra. Wang que tivera vários infartos cerebrais e infecção dos pulmões. Ela, entretanto, sempre tivera boa saúde, sem antecedentes médicos relacionados com as doenças pretextadas.





Arrancam estátuas de mártires para que chineses não imitem seu exemplo

Estátuas dos santos mártires Wu, removidas por injunção marxista. Foto Bitter Winter.
As imagens e monumentos erigidos para comemorar os 120 Mártires chineses são objetivo da sanha marxista na província de Hebei, China, escreveu “Infocatólica”. 

Segundo as denúncias provenientes do continente e veiculadas pelo site Bitter Winter, o regime comunista está demolindo e retirando sistematicamente as estátuas desses mártires modelos de fidelidade a Cristo numa era de perseguição.

Tudo começou em Dongxihetou, diocese de Hengshui, em outubro de 2018. Os fiéis que contribuíram para elaborar as estátuas foram intimidados com o espectro dos cárceres socialistas.

As estátuas comemoravam a São Paulo Wu Anju (1838-1900), São João Baptista Wu Mantang (1883-1900) e São Paulo Wu Wanshu (1884-1900).

O Papa Pio XII proclamou mártires aos três em 17 de abril de 1955 que, aliás eram da mesma família. Por fim, foram canonizados no dia 1° de outubro de 2000.

A violência faz parte de uma generalizada campanha de demolições de símbolos religiosos. Essa visa não somente os católicos ditos clandestinos fiéis a Roma, mas até as imagens da Associação Patriótica Católica (órgão governamental para controlar a Igreja).

O inimigo único são Nosso Senhor, Nossa Senhora, os Santos e todo bem feito pela Igreja Católica.

Um dos bustos de santos no condado de Wuyi, removidos pela perseguição anticristã
Um dos bustos de santos no condado de Wuyi, removidos pela perseguição anticristã.
Foto Bitter Winter.
Foram também suprimidas as imagens na igreja católica de Wuyi dos missionários franceses jesuítas mártires São Modesto Andlauer (1847-1900) e São Rémy Isoré (1852-1900), assassinados pelos nacionalistas Boxers.

Segundo os católicos locais o partido comunista chinês – PCC quer apagar a lembrança dos mártires, que deram a vida em fidelidade a Jesus Cristo por volta do ano 1900.

O PCC acha que esses mártires mantêm viva a memória e encorajam muitos heróis católicos que estão fazendo o holocausto de suas vidas sob a atual ditadura comunista.

O furor marxista aparece desprovido de toda moderação após ter conseguido um acordo com a Santa Sé em 2018, registra Bitter Winter.

A mesma fonte foi informada que os fiéis de Wuyi foram constrangidos a desmantelar as imagens dos santos com suas próprias mãos. Se não o faziam o leigo que deu o maior donativo teria seus bens confiscados.

Os 120 mártires da China beatificados ou canonizados
Os 120 mártires da China beatificados ou canonizados
Também a estátua de São Chi Zhu (1882-1900), que estava exposta na igreja católica de Dechao (Shenzhou, Hebei), foi desmontada por pressão das autoridades.

São Chi havia sido linchado com facas e armas de fogo durante a rebelião nacionalista dos Boxers (1899-1901).

Os repressores locais intimaram os fiéis a fechar a igreja, remover todas as imagens de Jesus e dos santos.

Se não o faziam, a igreja seria demolida.

O exemplo de todos esses mártires inspirou gerações inteiras de fiéis católicos chineses.

Incapaz de convencer os chineses de abandonar a Igreja e vendo que muitos se convertem a Ela, a ditadura tenta apagar a lembrança dos heróis.

E com a anuência da política externa vaticana!

Porém, eles brilham de glória no Céu, e manobra humana alguma conseguirá apagar seu fulgor e seu exemplo empolgante seguirá fortalecendo a fidelidade dos católicos autênticos.





Comunismo chinês teme até os mártires enterrados

Policiais uniformizados bloqueiam quem entra na aldeia para venerar o túmulo do bispo mártir
Uniformizados bloqueiam quem entra na aldeia para venerar o túmulo do bispo mártir
Quando no último dia 13 de abril (2019) os fiéis foram visitar o túmulo de Mons. Pedro José Fan Xueyan (1907-1992), ex-cardeal da diocese de Baoding, província de Hebei, se depararam com um obstáculo que para nós é inacreditável.

Mas não assim para eles. É policialesco e agressivo, mas é frequente no socialismo.

Este ano, duas viaturas de polícia com telecâmeras de vigilância e espionagem instaladas no teto, bloqueavam a estrada, informou Bitter Winter.

Os policiais interrogavam os transeuntes que iam para a cidade: “se vais procurar vossos parentes podeis passar. Mas se vais a visitar o túmulo, então não podeis”.

Segundo um dos fieis do local, também havia agentes do governo uniformizados fazendo guarda em volta da pobre sepultura do bispo.

Mais um posto de controle e bloqueio foi montado na entrada da aldeia de Xiaowangting onde morou o falecido sucessor dos Apóstolos.

Por volta de 20 policiais com uniformes camuflados garantiam a vigilância em postos de controle ostensivo, analisando cada pedestre que passava.

Um fiel contou que muitos não ousam se aproximar da sepultura de medo das represálias dos agentes do Partido Comunista. Nesse caso, lembram a memória de Mons. Fan com cerimônias no interior de suas casas.

“Malgrado a perseguição constante de que foi objeto pelo comunismo, o bispo preferiu morrer antes que aceitar compromissos.

“Sua fé inspirou sempre aos fiéis sinceros. É isto que assusta mais do que tudo ao Partido Comunista, que o considera inaceitável”, acrescentou.

Desafiando a polícia, fiéis fizeram uma Cruz com flores sobre o túmulo de Mons. Fan, 2018.
Desafiando a polícia, fiéis fizeram uma Cruz com flores sobre o túmulo de Mons. Fan, 2018.
O bispo passou mais de trinta anos na prisão porque se recusou a romper a união com Roma e aderir à Associação Patriótica Católica Chinesa, uma dependência do estado marxista.

Por isso foi um dos prisioneiros de consciência encarcerados durante o mais longo período de tempo no mundo.

Foi nomeado bispo da diocese de Baoding no dia 12 de abril de 1951 e foi sagrado dois meses depois.

Foi um dos últimos bispos chineses sagrados pelo Vaticano antes que a China maoista rompesse as relações.

Mons. Fan desapareceu em novembro de 1990. Dava-se por certo seu martírio até que em 16 de abril de 1992, a polícia abandonou seu cadáver congelado numa sacola de plástico do lado de fora da casa de parentes.

As autoridades alegaram que o prelado morrera de pneumonia três dias antes. Porém o corpo presentava fraturas ósseas e outras feridas compatíveis com a tortura.

Desde então, desafiando a proibição, todos os anos os fiéis se reúnem em volta de seu túmulo para lhe render homenagens.

Em 2001 o governo enviou um bulldozer para impedir a visita. Também incrementou a vigilância na zona entre os dias 11 e 13 de abril, bloqueando as estradas em um perímetro de 7 quilômetros e meio em volta do lugar da sepultura do heroico prelado.

Numerosos bispos da Igreja Católica dita “clandestina” estão sendo perseguidos atualmente porque se recusam a aderir à Associação Patriótica controlada pelo governo.

Alguns pagaram o preço mais alto com a própria vida. Outros sofrem espionagem constante ou detenções domiciliares e não podem exercer sua missão episcopal.

A situação deles piorou após a assinatura de um Acordo secreto entre a diplomacia da Santa Sé e o regime marxista de Pequim em 2018.

Barraca policial junto à estrada para intimidar romeiros
Barraca policial junto à estrada para intimidar romeiros.

O Vaticano diz que o acordo deveria unificar os bispos “patrióticos” alinhados com o comunismo e os “clandestinos” fiéis a Roma.

Mas o Partido Comunista usa o Acordo para impor a submissão dos padres e bispos “clandestinos” ao comunismo por meio da Associação Patriótica.

Em qualquer hipótese, os que perseveram na Igreja e recusam a submissão inaceitável ficam sob controles abusivos constantes do Partido Comunista, ou diretamente perseguidos.

Mons. Estêvão Li Side, bispo legítimo “clandestino” da diocese católica de Tianjin, que foi sagrado secretamente em 1982, dos anos depois foi capturado e condenado a prisão domiciliar.

Desde então, o Partido Comunista o prendeu de tempos em tempos até que em 1991 o condenou a uma prisão domiciliar em Liangzhuangzi, zona montanhosa do distrito de Jizhou, longe da cidade.

Mons. Li ainda pode administrar os sacramentos, celebrar missa e funerais. Mas, sempre sob controle do governo e estritamente vigiado.

Hoje o bispo tem 94 anos e já não pode cuidar de si próprio, tendo necessidade de que alguém tome conta dele.





Comunismo reforma a Bíblia que fica parecendo Teologia da Libertação

Igreja católica 'clandestina' antes de ser fechada pelo comunismo em Shijijiayuan
Igreja católica 'clandestina' antes de ser fechada pelo comunismo em Shijijiayuan
O Partido Comunista Chinês – PCC prossegue a toque de caixa a campanha para erradicar qualquer religião e, mais especialmente, a católica.

Uma das suas últimas medidas para matar o catolicismo, paradoxalmente, trouxe uma lição para nós.

Em 21 de maio 2019, dois concílios convocados pelo governo na província oriental de Shandong ordenaram ao clero cristão incluir a ideologia socialista nos sermões, noticiou “Infocatólica” com matéria de “Bitter Winter”.

Trata-se de um Plano de Implementação que exige quatro requisitos religiosos a serem obedecidos em toda parte.

Pelo primeiro deles, o clero é forçado a reforçar nos crentes a convicção ideológica socialista nas atividades religiosas comunitárias e na vida diária para que a ideologia acabe entrando nas mentes das pessoas.

Cartaz propagandístico dos 'valores socialistas' a ser afixado em igrejas
Cartaz propagandístico dos 'valores socialistas'
a ser afixado em igrejas
Pelo Plano, as igrejas devem pendurar cartazes de propaganda elucubrados pelo governo com versículos bíblicos.

Esses ilustram as doze exigências socialistas fundamentais: prosperidade, democracia, civismo, harmonia, liberdade, igualdade, justiça, governo da lei, patriotismo, dedicação, integridade e amizade.

Por trás das palavras está a imposição total do comunismo amarrando as crenças cristãs à ideologia socialista.

O caso de Shandong não é isolado. Em 2018 o Escritório de Teologia da Arquidiocese Católica de Pequim, Wang Heping, dominado pela ditadura, difundiu pela Internet uma interpretação teológica dos valores socialistas básicos.

O texto falsifica a doutrina católica dizendo que os princípios do socialismo chinês estão baseados na fé.

Para muitos fiéis o procedimento equivalia a considerar o Partido Comunista como Deus.

No mês de abril 2019, 17 departamentos de Xinxiang, na província central de Henan, obrigaram os pastores da área a misturar a ideologia do Partido nos sermões.

Um dos pastores disse a “Bitter Winter” que a política é enganar os fiéis para que eles acreditem que não há contradição entre a cultura tradicional chinesa como a entende o comunismo e a Bíblia.

Estudando a Bíblia a portas fechadas
Estudando a Bíblia a portas fechadas
Em Luoning, na mesma província, as autoridades marxistas ordenaram remover o primeiro Mandamento: “Amarás a Deus por cima de todas as coisas”.

E deixou apenas nove, porque não se pode amar coisa alguma por cima do Partido Comunista. Esse seria o mandamento máximo por cima até do Decálogo reduzido agora a nove.

Segundo “Bitter Winter”, o Partido Comunista Chinês trilha a péssimo trilha da Alemanha nazista que inventou seu Novo Testamento e forjou um novo catecismo em que os Mandamentos, em vez de dez eram doze porque incluíam o dever de respeitar o führer e o professor.

Em março do mesmo ano, na província de Hunan, no centro-sul do país, publicou mais um disparate anticatólico e ateu socialista.

Trata-se de mais um Plano de Trabalho que em cinco anos deve “achinesar” o cristianismo. Da Bíblia só podem ficar os versículos “compatíveis” com a ideologia socialista básica.

Os militantes devem reunir materiais de leitura fácil para inocular no clero e nos fiéis leigos a nova visualização socialista do Cristianismo.

Esta “achinesação” do cristianismo gerou muitos sermões e gestos coletivos e individuais ridículos.

Outras iniciativas “achinesadoras” como remover as cruzes e levantar as bandeiras nacionais diante das igrejas são praticadas superficialmente.

Porém, a imposição que mais perturba a vida dos cristãos é a deturpação dos grandes ensinamentos na Bíblia para forçá-los a entrar dentro dos “valores socialistas”.

Após longa hostilização comunista, o Pe. Liu Quanfa, administrador "clandestino" da diocese de Zhengzhu, na província de Henan, foi banido. Operários destruíram a escadaria que conduzia à sua residência "clandestina".

A violência religiosa e intelectual perturba os corações dos crentes e gera um bicho de muitas cabeças que se assemelha à Teologia da Libertação que tantos estragos produziu na América Latina.

Embora seja recebido como um trabalho do diabo, a situação sempre piora porque o governo intensifica a pressão visando eliminar completamente a fé.

O PCC também está acelerando o denominado “treino vermelho do clero”.

Em março de 2019, o Comitê de Assuntos Étnicos e Religiosos da cidade de Wuhan, na província central de Hubei, iniciou um curso de doutrinação de uma semana para 44 membros do clero da submissa Associação Católica Patriótica Chinesa.

Procissão 'clandestina' católica em Taiyuan, província de Shanxi
Procissão 'clandestina' católica em Taiyuan, província de Shanxi
E pensar que esses acharam que se livrariam da perseguição se abaixando diante do PCC!

Os cursos religiosos incluíram temas como “O Espírito do XIX Congresso Nacional”, e “O pensamento de Xi Jinping sobre o socialismo com características chinesas para uma nova era”, os “Valores socialistas fundamentais”, e assuntos similares igualmente esvaziados de religião e entupidos de materialismo marxista.

A maravilha da graça divina, entretanto, se faz sentir na perseverança dos católicos chineses que logo intuem as armadilhas comunistas e conservam heroicamente a fé.





O longo e glorioso martírio de católicos na China

Funeral de Mons. Xue-Yan Fan, antigo bispo de Baoding. Seu corpo com muitos ossos quebrados, foi despejado, envolto em plástico
Funeral de Mons. Xue-Yan Fan, antigo bispo de Baoding.
Seu corpo com muitos ossos quebrados,
foi despejado, envolto em plástico
Em pleno século XXI, continua a cruel perseguição religiosa na China comunista de que estamos transmitindo informações que chegam no Ocidente.

Inúmeros católicos, religiosos e leigos, estão testemunho da Fé, padecendo por isso sofrimentos indizíveis, às vezes a própria morte.

Essa perseguição é o desdobramento daquela iniciada durante a “Revolução Cultural” de Mao Tsé-Tung, e hoje é continuada pelo regime de Xi Jinping com conivências inimagináveis da diplomacia vaticana.

Que os corajosos exemplos desses novos mártires fortaleçam a nossa Fé. E nos estimulem a serem como eles, resistindo e progredindo contra todas as forças do mal, humanas e infernais, postas em ação.

Hoje em dia muito se fala (e de boca cheia) a respeito da China.

Louva-se o seu formidável desenvolvimento econômico e técnico (ao menos aparente), bem como sua expansão pelo Ocidente.

Entretanto, fala-se pouco ou praticamente nada sobre o regime que a domina — o comunista.

Sobretudo quase não se fala da sistemática perseguição que tal regime ateu e materialista move contra a Igreja Católica, a única e verdadeira Igreja de Cristo.

A Editora San Paolo, de Milão, Itália, publicou em 2006 um interessante documento intitulado Il Libro Rosso dei martiri cinesi (O Livro vermelho dos mártires chineses), contendo documentos pessoais sobre a cruel e implacável perseguição aos católicos chineses fiéis a Roma.

Embora tais documentos se refiram mais à época de Mao Tsé-Tung, eles conservam sua atualidade, pois a perseguição continua em nossos dias.

É o que afirma o destemido Dom José Zen, Cardeal Arcebispo emérito de Hong Kong, no prefácio do livro.
Depredação e saques das igrejas no início da revolução comunista
Depredação e saques das igrejas no início da revolução comunista
Afirma o purpurado: “O regime comunista, que foi o responsável pelos sofrimentos descritos neste livro, está ainda no poder [...].

“As comunidades [católicas] chamadas de ‘clandestinas’ ou ‘das catacumbas’, que recusam, com boa razão, submeter-se à política religiosa do governo, são continuamente sujeitas a abusos e mesmo a violências, de modo que não seria exagerado falar, nesses casos, de perseguição”.

E acrescenta: “Devo declarar que, infelizmente, há ainda várias dezenas de bispos, sacerdotes e leigos detidos em prisão domiciliar ou em prisões comuns.

“Inclusive há alguns de nossos irmãos bispos dos quais há anos que não se tem notícia”.

“Livro Vermelho dos Mártires Chineses”

Por isso pareceu-nos útil apresentar alguns aspectos desse livro, muito atuais em relação ao Brasil, onde está em andamento uma verdadeira revolução que, embora guardando aparências democráticas, é de cunho marxista.

Basta lembrar, por exemplo, o decreto 8.243, visando introduzir as famigeradas comunas populares — verdadeiros sovietes semelhantes ao Parlamento Comunal de Chaves e Maduro — a serem controladas pelos “movimentos sociais”, tão bafejados pelo PT.

Nosso objetivo é também informar os leitores sobre o que ocorre com os nossos irmãos da fé na tão badalada China, e propor-lhes que rezem pela sua perseverança.(1)

Como alerta o editor do referido livro, a não ser o relato dos sofrimentos e da morte de trinta e três monges trapistas, vítimas do terror comunista, que mencionaremos adiante, “no estrito senso do termo, nenhum dos eventos aqui registrados foi reconhecido solenemente pela Igreja como um ‘martírio’”.

Entretanto, o leitor reconhecerá isso imediatamente: os horríveis sofrimentos padecidos pelos protagonistas dessas histórias, a paciência evangélica com a qual os aceitaram e enfrentaram, e o fiel testemunho de Cristo de que deram mostra, garantem que todos eles têm boa razão para serem incluídos no Livro Vermelho dos Mártires Chineses (p. 22).

O martírio dos religiosos da Ordem Trapista

Profanação das igrejas
Profanação das igrejas
Com efeito, dois dos biografados — os padres Tan Tiande e Huang Yongmu — passaram respectivamente 30 e 25 anos de terríveis sofrimentos em prisões e campos de trabalhos forçados, constantemente sujeitos a “julgamentos populares”, sessões de “reeducação” e maus tratos.

Também tiveram que sofrer muito por sua fidelidade à verdadeira Igreja a jovem Gertrude Li Minwen e o Pe. Li Chang, razão pela qual são mencionados no livro.

Entretanto, mais impressionante é o relato dos sofrimentos e do martírio dos monges trapistas de Yangjiaping, cujo mosteiro havia sido fundado em 1883 por um abade trapista francês.

Seu florescimento em terras chinesas foi tal, que chegou a ter 120 membros, abrindo uma trapa (convento) perto de Pequim.

A perseguição começou no ano de 1947, com a chegada das tropas comunistas.

A comunidade de Yangjiaping tinha então 75 membros, 18 dos quais eram sacerdotes — cinco estrangeiros e os demais chineses.

Incitados pelos comunistas, os aldeões, que mantinham até então muito boas relações com os monges, começaram a hostilizá-los.

O mosteiro foi pilhado repetidas vezes e finalmente incendiado.

Os monges foram todos aprisionados e sujeitos a inúmeros “julgamentos populares tumultuosos, exaustivos interrogatórios e tortura desumana”.

Obrigaram-nos depois a participar de uma marcha sem fim, acompanhando como mulas de carga o exército comunista, cujas provisões e armas carregavam.

Como a maioria dos monges era constituída de idosos ou doentes, muitos expiraram no caminho.

Seis deles foram sumariamente executados. No final, 33 morreram, vítimas do ódio dos sem-Deus.

Parte do Corpo Místico de Cristo que é a Igreja

Qual é o interesse desse relato para nós? É ainda o Cardeal Zen quem afirma no prefácio:

“Os confessores e mártires da Igreja da China pertencem à Cristandade como um todo, e é nosso dever, bem como nosso direito, apresentar seus testemunhos, para que possam alimentar a fé dos cristãos através do mundo”.

Afirmação absolutamente cheia de sentido, pois eles fazem parte do Corpo Místico de Cristo que é a Igreja.

Alguns dados sobre a perseguição anticatólica

Nossa Senhora imperatriz da China, Auxílio dos Cristãos
Nossa Senhora imperatriz da China, Auxílio dos Cristãos
Em meados dos anos 40 do século passado, as forças nacionalistas de Chiang Kai-Shek lutavam contra as tropas comunistas de Mao Tsé-Tung.

À medida que as tropas vermelhas conquistavam terreno, sistematicamente perseguiam os católicos da região.

No dia 1º. de outubro de 1949, tendo os comunistas dominado a situação, eles proclamaram a República Popular da China.

Nessa época já havia cerca de três milhões e meio de católicos chineses.(2)

Imediatamente os comunistas iniciaram uma violenta campanha de ateização e uma implacável repressão às forças “contra-revolucionárias”, em especial à Igreja Católica, qualificada pelos “vermelhos” de “títere do Vaticano”.

Reforma agrária foi um instrumento de luta de classes contra os patrões
Reforma agrária foi um instrumento de luta de classes contra os patrões
A malfadada e radical Reforma Agrária

Como os comunistas são ateus e igualitários, procuraram subverter toda a ordem social então vigente, a fim de adaptá-la à sua ideologia.

Iniciaram então uma Reforma Agrária radical, pois para eles — como para os petistas e o MST hoje no Brasil — os proprietários rurais não passam de sanguessugas e inimigos do povo, “a escória da sociedade antiga”.

O regime instigava por todos os meios, principalmente pela luta de classes, a eliminação dessa categoria “perniciosa”.

Segundo cálculos dignos de fé, durante a implantação da Reforma Agrária foram mortas mais de dez milhões de pessoas.

Veremos adiante outros efeitos dessa perversa política comunista para assegurar o seu poder totalitário.

Luta de classes como meio para implantar o comunismo

Conta o Pe. João Huang Yongmu, um dos biografados no livro em foco, testemunha e vítima desse violento processo, que passou mais de 25 anos em prisões e campos de trabalho forçado:

“Nossas igrejas foram transformadas em salas de palestras, ‘centros de reeducação’ e fóruns para acaloradas discussões sobre os programas da reforma agrária.

“[...] Podia-se dizer que já tínhamos adivinhado o diabólico plano dos comunistas contra a Igreja Católica.

“O primeiro passo foi o de controlá-la; o segundo foi de restringir suas atividades, de modo a destruí-la completamente.

“Algumas pessoas não viam claramente o que estava começando a acontecer.

“Eram otimistas e inclinadas a dizer que o comunismo chinês era diferente do russo.

“Mas isso era uma fábula contada por estrangeiros” (pp. 94-95).

E acrescenta com muita propriedade: “A Reforma Agrária provocou uma luta de classes extremamente violenta, colocando os chineses uns contra os outros.

Milhões de homens foram enviados como escravos para obras de infraestrutura
Milhões de homens foram enviados como escravos
para obras de infraestrutura
“Os comunistas queriam uma sociedade igualitária, e desse modo começaram a reduzir tudo ao nível de uma única classe.

“Rendas e interesses foram abolidos.

“Os proprietários de terra eram sujeitos a ‘julgamentos populares’ e a rudes críticas.

“As terras foram divididas, e os lavradores podiam pilhar as casas e os bens dos proprietários.

“As ‘ovelhas negras’ — aqueles que, em outras palavras, se opunham a esse terrível programa — eram expostas ao público e criticadas.

“[...] De acordo com a doutrina de luta de classes comunista, quem é rico está errado e, portanto, deve ser punido” (p. 96).

Essa é, aliás, a mentalidade dominante em amplas áreas do atual governo brasileiro, que atiça uma luta de classes e de raças segundo o estilo “nós contra eles”.

Destruição da família, obstáculo à revolução comunista

Girolamo Fazzini, organizador da edição que analisamos, escreve que entre 1958-1962 — “os trágicos anos do ‘Grande Salto para Frente’,” segundo o jargão comunista —, “Mao Tsé-Tung visava alcançar a radical transformação da economia e incrementar a produção industrial maciça, em particular a produção de aço.

O tradicional tecido social chinês, baseado na família e na vida da aldeia, é revolucionado com o estabelecimento das ‘comunas populares’, com as quais o regime comunista tenta coletivizar cada aspecto da vida dos agricultores”. (p. 317)

Instituídas oficialmente em agosto de 1958, “essas comunas não seriam supressas senão no começo dos anos 80.

“As consequências dessa desastrosa campanha foram sentidas principalmente na agricultura.

“A derrubada dos métodos tradicionais causou um drástico declínio na produção agrícola e no controle da terra arável, resultando na morte de pelo menos 40 milhões de chineses (existiria um documento interno do Partido que fala sobre cerca de 80 milhões de mortes por ‘causas não naturais’)”. (p. 317)

Sistemática perseguição à Igreja Católica

As igrejas invadidas viraram depósitos do partido. Cartaz de Mao Tsé Tung no pórtico.
As igrejas invadidas viraram depósitos do partido.
Cartaz de Mao Tsé Tung no pórtico.
A perseguição à verdadeira Igreja de Cristo foi inexorável desde o início da era comunista.

Já em 1951, para mais eficazmente controlar as religiões, o governo criou um órgão específico, que fechava seminários, confiscava hospitais, escolas e asilos dirigidos pela Igreja.


Num golpe de força, em 1955 os comunistas aprisionaram o destemido bispo de Xangai, Dom Inácio Kung, bem como muitos de seus sacerdotes e leigos pertencentes à Legião de Maria (que foi considerada ilegal e subversiva).

Dom Inácio passaria 30 anos na prisão, muitas vezes na solitária.(3)

Em agosto de 1957 foi fundada pelo governo comunista a Associação Patriótica dos Católicos Chineses, organização títere do regime, a única a ter voz e vez em matéria de catolicismo, com o fim de confundir e desviar a população católica.

Vale lembrar que representantes dessa malfadada Associação comunista e cismática vieram se aconselhar com altos representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) anos atrás...

A sinistra “Revolução Cultural” incitada por Mao Tsé-Tung

Para mais eficazmente revolucionar de alto a baixo toda a sociedade tradicional chinesa, Mao Tsé-Tung iniciou, com a “Circular de 16 de Maio” de 1966, a proletária Revolução Cultural.

Visava ele eliminar assim todos os remanescentes dessa antiga sociedade através de uma mudança abrupta e total de mentalidade segundo a filosofia comunista.

Sobre o significado desta “revolução” escreve o Pe. João Huang, baseado em sua própria experiência:

“Durante o verão de 1966, a furiosa perseguição da Revolução Cultural espalhou-se através do país como um incontrolável incêndio numa floresta, com atos de violência e vingança sem precedentes.

“Nunca, na história da China, se ouvira falar em tais atos de crueldade: uma perseguição de vastas proporções, que destruía tudo e promovia sangrentas flagelações, torturas e mortes.

“Toda a nação foi lançada num enorme redemoinho de imenso sofrimento.

“A assim chamada Revolução Cultural nada tinha a ver com a verdadeira cultura; ao contrário, seu propósito era destruir a cultura chinesa antiga.

“Essa revolução foi pior do que as catástrofes naturais comuns, como pragas e terremotos, porque era causada pelo homem” (p. 128).

“Revolução Cultural” e destruição da alma humana
Fiéis proibidos rezam ajoelhados na rua
Fiéis proibidos rezam ajoelhados na rua

Comentando sobre o mesmo tema, Li Daoming, autor da vida do Pe. José Li, também vítima dessa revolução, observa:

“A Revolução Cultural lançou o país num caos completo e absoluto.

“Ninguém mais trabalhava.

“Jovens e velhos, sem distinção, passavam todo o tempo em ‘reuniões de massa’ ou em ‘sessões de luta de classes’”.

No fundo, em agitações tão ao gosto dos mal chamados Movimentos Sociais que atuam no Brasil, cujo representante máximo, João Pedro Stédile, foi duas vezes convidado, recebido e promovido pelo Vaticano... (vide “Encontro Mundial de Movimentos Populares no Vaticano”, Catolicismo dezembro/2014).

As pessoas que tivessem qualquer vislumbre conservador “eram arrastadas à força e colocadas em plataformas diante da multidão, sendo alvo de torrentes de acusações e todos os tipos de agressões.

“Pouco importava que as acusações fossem contraditórias ou sem base; os acusados deviam, de qualquer modo, permanecer de pé, imóveis, enquanto cada detalhe de sua vida privada era dado a conhecer a todos.

“Entre os muitos incapazes de suportar a violência desse linchamento moral, vários chegaram a enlouquecer, enquanto outros cometeram suicídio.

“Não está longe da verdade afirmar que nesses anos o país inteiro se transformara num colossal manicômio.

“[...] A Revolução Cultural espalhou tal clima de desconfiança e suspeição, que ameaçava sufocar completamente até mesmo o pouco de bondade natural inerente a cada ser humano” (pp. 194-195).

Não é para isso que caminhamos com as novas políticas do governo brasileiro? É uma pergunta que se impõe.

E conclui: “Em 1974, a desordem e a confusão continuaram a prevalecer no país.

“À medida que a Revolução Cultural progredia, só os mais rudes, os mais arrogantes e os insensatos conseguiam permanecer no poder.

“O comum dos cidadãos tinha que aprender rapidamente a escolher cuidadosamente suas palavras e ser muito cauto.

“As pessoas procuravam esconder suas próprias opiniões até dos parentes mais próximos.

“Ninguém ousava tomar uma iniciativa pessoal; todo mundo se limitava a fazer somente o que tinha sido ordenado ou permitido por aqueles no poder”. (p. 203)


Mons. Giulio Jia Zhiguo, bispo de Wuqiu, preso pela policia
Mons. Giulio Jia Zhiguo, bispo de Wuqiu, preso pela policia

Continuação do post anterior: O longo e glorioso martírio de católicos na China – II



Espírito sobrenatural dos católicos perseguidos

Convém ressaltar aqui o elevado espírito sobrenatural com que os biografados enfrentavam o cárcere e o possível martírio.

Citemos o testemunho do Pe. Tan Tiande sobre a sua prisão pela polícia, à porta da catedral de Cantão:

“Eu não tinha medo absolutamente.

“Pelo contrário, sentia-me honrado.

“Quando recebi o Sacramento da Confirmação, prometi que seria um bravo soldado de Cristo [...].

“Quando me tornei sacerdote, prometi outra vez oferecer minha vida por Nosso Senhor [...].

“Hoje eu recebi a graça especial do Senhor de dar testemunho do Evangelho.

“Era assim um acontecimento alegre”.

E acrescenta: “A aceitação ‘voluntária’ de minha sentença não tinha nada que ver com a questão de minha inocência.

“Eu queria unicamente imitar Jesus para preencher o que estava faltando nos sofrimentos da Igreja”. (p. 60)

Ele ainda comenta: “As pessoas podem maravilhar-se de como eu fui capaz de sobreviver nessas horríveis condições [dos campos de reeducação por mais de 30 anos].

“Para quem não crê isso não tem explicação.

“Pelo contrario, para quem tem fé trata-se da vontade de Deus” (p. 63).
Combates, perseguições e o prêmio do Céu

Depois dos longos e terríveis sofrimentos, tendo o Pe. Tan recobrado novamente a liberdade, voltou para a sua querida catedral de Cantão, a fim de continuar a exercer ali seu ministério até a morte.

Eis as palavras desse verdadeiro herói da fé:

“Recebi muitas graças de Deus em todos aqueles anos. O que eu poderia fazer em retorno?

“Gostaria de gastar todas as minhas energias pela sua Igreja, a ponto de sacrificar a minha vida.

“Espero sinceramente que Deus ouvirá minha prece e aceitará meu sacrifício”. (p. 73)

Afirmou ainda: “Cada vez que me sinto completamente exausto e tenho que deitar-me [por causa da idade e dos sofrimentos suportados], gosto de fechar os olhos e meditar nessas palavras de São Paulo: ‘Eu combati o bom combate, finalizei a minha carreira, guardei a fé’ [...].

“Quanto eu desejo ser capaz de finalizar rapidamente minha tarefa terrena e ir ante o trono de Deus receber a coroa que Ele tem preparada para mim!” (p. 80).

* * *

Seminário clandestino
Seminário clandestino
Concluímos com o depoimento do Pe. Angelo Lazzaroto, missionário do PIME(4) e perito em assuntos chineses:

“Para a ideologia reinante [na China], permanece intolerável que as igrejas ofereçam respostas diferentes daquelas do governo comunista sobre as questões fundamentais da vida e da morte, e, desse modo, do significado do homem e da sociedade, uma resposta que contradiga a versão ‘científica’ da verdade apresentada pelo Marxismo-Leninismo e o pensamento de Mao Tsé-Tung.

“Aqui está a chave para se entender o persistente mal-estar e a mal disfarçada repressão que a Igreja ainda continua a experimentar em nossos dias”.(5)

_____________

Notas:

1. Seguimos aqui a tradução americana do livro, “The Red Book of Chinese Martyrs”, Ignatius Press, San Francisco, 2009.

2. Em 1949 havia na China 20 arquidioceses, 85 dioceses, e 34 prefeituras apostólicas. Eram 20 os bispos chineses, mas cerca de 30 seriam apontados pela Santa Sé nos anos seguintes, até 1955, quando ficou impossível manter contato com a Igreja na China. A Igreja conduzia também muitos serviços sociais apostólicos: 216 hospitais e creches, seis leprosários, 781 dispensários médicos, 254 orfanatos, três universidades, 189 ginásios, 2011 escolas primárias, 2243 escolas catequéticas, 32 casas publicadoras e cerca de 50 jornais e revistas.
.
3. Cfr. Plinio Maria Solimeo, D. Inácio Kung – O Cardeal que, do Céu, faz tremer a China, Editora Petrus, São Paulo, 2013.

4. Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras, fundado na Itália em 1850, com sede atual em Roma, esta organização essencialmente missionária, congrega leigos e padres seculares diocesanos comprometidos a trabalhar nas missões, sendo por isso um importante auxiliar da Congregação para a Evangelização dos Povos (antiga Propaganda Fide),

5. Prefácio para a edição italiana do livro de James T. Myers, Enemies Without Guns, um profundo estudo sobre a situação da Igreja na China, na página 132 do livro que analisamos.


(Autor, Plinio Maria Solimeo, “CATOLICISMO”, nº 782, fevereiro 2016)





Santuários bloqueados, igrejas fechadas, imagens profanadas

A procissão do Mês de Maria não pode ser realizada em Shantou, província de Guangdong (ex-Cantão)
A procissão do Mês de Maria não pode ser realizada em Shantou,
província de Guangdong (ex-Cantão)
O Acordo entre a Santa Sé e o regime comunista chinês parece cada vez mais um pretexto para perseguir os católicos, voltou a sublinhar Bitter Winter.

No santuário de Ludezhuang na diocese de Cangzhu, província de Hebei, onde peregrinam dezenas de milhares de fiéis de todo o país no segundo domingo de maio: Na data, mais de 300 policiais armados e homens de tropas especiais levantaram barreiras de ferro nas estradas que levam ao local sagrado.

A polícia instalou instrumentos que medem o número dos fiéis e que quando atingem 10 mil, bloqueiam novos ingressos. Nos momentos mais importantes, milhares de fiéis ficaram de fora, mas ajoelharam e ficaram rezando.

Para evitar que as crianças participassem o governo ordenou que as escolas da região fossem obrigatórias nos dias da romaria.

Muitos pais de família que devem pegar os filhos nas escolas ficaram impedidos de ir à peregrinação.

Outra grande meta de romarias é o Monte Mozi, na Mongólia Interior.

No dia 2 agosto 2018, o governo local mobilizou 200 agentes incluído policiais armados e bloqueou com perto de 70 a 80 viaturas as principais vias que levam ao monte.

Na entrada, sistemas de reconhecimento facial analisavam cada peregrino. Esses deviam exibir uma permissão de viagem em grupos organizados emitidos pelo escritório socialista para as questões religiosas.

Drones policiais interferiam nos equipamentos digitais para impedir que as fotografias ou vídeos da peregrinação fossem carregadas em alguma rede social.

Fiéis proibidos rezam ajoelhados na rua do santuário.
Fiéis proibidos rezam ajoelhados na rua do santuário.de Nossa Senhora em Ludezhuang
No santuário de Sheshan, Shangai, as autoridades controlaram estreitamente o clero e os fiéis para afastar grupos de peregrinos do catolicismo “subterrâneo”.

Para identifica-los e desmoraliza-los obrigavam os romeiros a hastear a bandeira e cantar o hino marxista.

O Morro da Cruz, na diocese de Weinan é outra meta de romarias diocesanas desde 1940. Elas acontecem na festa da Invenção da Cruz no mês de maio e no 14 de setembro festa da Exaltação da Cruz.

Desta vez, também os fiéis foram constrangidos a cantar o hino nacional e hastear a bandeira cheia de símbolos anticristãos.

Um fiel explicou: “Para nós, cantar o hino nacional antes de celebrar a missa é um insulto, mas não temos opção. Se opomos resistência o Partido Comunista nos prende e acabamos no cárcere”.

O Partido Comunista impôs obrigatoriamente a todo o clero católico a adesão à cismática Associação Patriótica Católica Chinesa (APCC) em nome do Acordo assinado entre a Santa Sé e Pequim.

O Vaticano geme que o acordo “provisório” e “secreto” não vai até lá, mas acaba abaixando a cabeça e cooperando.

Também devem aceitar o princípio de uma Igreja “independente, autônoma e autogestionada”.

Obviamente independente e autônoma de Roma e de sua hierarquia, onde os leigos se “autogestionam” nas paróquias desconhecendo a autoridade do clero.

Porém, isso é imposto pelo regime comunista em relação ao qual não há independência alguma, nem autonomia, nem mesmo uma autogestão que não seja a socialista.

O clero resistente é perseguido e muitas vezes preso, as igrejas são devassadas e saqueadas, os símbolos religiosos são destruídos, e muitos templos foram fechados ou demolidos.

Policiais vigiam intimidatoriamente o ingresso dos fiéis ao santuário de Nossa Senhora Ludezhuang
Policiais vigiam intimidatoriamente o ingresso dos fiéis
ao santuário de Nossa Senhora de Ludezhuang
Na diocese de Yujiang, para evitar a perseguição alguns fiéis se reuniam num templo que exteriormente parecia “tradicional”, quer dizer pagão, dedicado aos fiéis defuntos, mas não conseguiram fugir à mão pesada do Partido.

Todos os símbolos católicos foram esmagados com perversidade. 

O Cruzeiro principal foi jogado barranco abaixo, os quadros sagrados foram despedaçados. Até o monograma de Jesus Cristo foi arrancado.

Além da depredação e do saque, a celebração da Missa foi proibida e o sacerdote foi ameaçado com a demolição da igreja em caso de desobediência, segundo noticiou Bitter Winter.

Os objectores de consciência sofrem vexações e ameaças constantes.

A polícia quer quebrar a esperança dos fiéis privando-os de bispos e padres. Ela acha que as igrejas sem clero se esvaziarão e os fiéis se dispersarão.

Os fiéis pedem para os sacerdotes não se apresentarem nos locais de oração para não serem presos. “Não importa se nos encarceram a nós, temos que proteger absolutamente os sacerdotes”, afirmam alguns anciões.

Em toda a diocese de Yujiang, os agentes do governo irrompem nas salas de reunião alegando que vão “fazer limpeza das bandas criminais e eliminar o mal”. Na realidade visam intimidar os católicos que recusaram aderir à Igreja Patriótica.

Os funcionários do governo socialista proibiram que donos de casa hospedem grupos de crentes, e os ameaçaram de multas equivalentes a 30 mil dólares, impagáveis para a imensa maioria





Meta comunista: desunir a Igreja Católica para destruí-la

As violências comunistas contra os católicos foram contraproducentes. O número dos fiéis católicos não parou de aumentar.
As violências comunistas contra os católicos foram contraproducentes.
O número dos fiéis católicos não parou de aumentar.
Um sacerdote católico da província chinesa de Jiangxi, interrogado pela imprensa ocidental descreveu a nova estratégia comunista para destruir a Igreja. Ele foi reproduzido pelo site Bitter Winter.

O padre explicou que “nos primeiros anos de ditadura, o comunismo se engajou no confisco das propriedades da Igreja e numa violenta repressão do catolicismo ‘subterrâneo’ [porque se refugiou em ‘catacumbas’].

“Ele prendia os sacerdotes e religiosos chineses e expulsava pela força os missionários estrangeiros, inclusive os lazaristas que eram muito populares.

“Porém, as prisões e violências não serviram para destruir a Igreja. Pelo contrário, a perseguição impulsionou um número crescente de pessoas a acreditar em Deus”.

“Em pouco mais de dez anos, acrescentou o sacerdote, o número de fiéis havia crescido exponencialmente.

“Isso foi uma coisa que o Partido Comunista Chinês não tinha previsto e que fez compreender ao regime que os encarceramentos eram inúteis”.

Então, no início dos anos 1950, o governo criou a factícia Igreja Patriótica e constrangeu os católicos a entrar nela rompendo a obediência ao Papa.

O corpo de Dom Pedro Fan Xueyan foi devolvido pela polícia num saco plástico. Mas seu heroico martírio inspirou novas conversões.
O corpo de Dom Pedro Fan Xueyan
foi devolvido pela polícia num saco plástico.
Mas seu heroico martírio inspirou novas conversões.
Nesse período, ficaram fiéis ao Papa religiosos como Dom Pedro José Fan Xueyan (1907-1992), bispo católico cativo durante mais de 30 anos porque se recusou a romper a lealdade devida ao Vaticano.

Foram capturados muitos fiéis e clérigos que imitavam a Mons. Fan e boicotavam a Igreja Patriótica.

Para grande desapontamento do PC, havia outros bispos como Dom Fan Xueyan. Dom Tomás Zeng Jingmu (1920-2016), defunto sexto bispo da diocese católica de Yujiang, padeceu perto de 30 anos no cárcere recusando a adesão à Associação Patriótica.

Depois do excarceramento permaneceu constantemente vigiado pelo Partido Comunista. Ele era assediado a toda hora, proibido de se movimentar ou presenciar atos na Igreja.

O sacerdote explicou que “as autoridades queriam impedir que aparecesse um novo bispo ‘clandestino’ com a mesma influência de Dom Fan ou de Mons. Zeng”.

Não adiantou.

Então o Partido Comunista mudou gora a estratégia. Começou a aplicar um novo método de destruição que consiste em desagrega-la por dentro promovendo a desunião.

Segundo narrou o sacerdote, os ideólogos do comunismo concluíram que esse era o único modo de destruí-la, porque quando mais se enrijecia a perseguição mais aumentavam as adesões.

Então o PC concluiu que o método ideal consistiria em desagregar as religiões internamente. “Esse é o artifício para destruir nossa diocese. É espantoso porque não há modo de se prevenir contra este tipo de perseguição”.

O sacerdote acrescentou que o comunismo aplica três táticas fundamentais. A mais significativa consiste em pôr sob espionagem os bispos que recusam aderir à Igreja Patriótica.

A segunda implica fechar os seminários clandestinos.

A terceira visa reduzir o número dos locais de reunião dos fiéis.

Os socialistas trabalham duramente para que o clero clandestino de todas as dioceses adira à Igreja Patriótica.

Quando prisões e ameaças não funcionam, apelam à tortura ou a corrupção. Mas se os religiosos continuam resistindo devem ser assediados incessantemente para que não possam exercer seus deveres e sua liderança. Hoje são assediados até bispos que têm 80 ou 90 anos.

Bispos que aderem à 'Associação Patriótica' são promovidos logo. Até como deputados do Partido Comunista!
Bispos que aderem à 'Associação Patriótica' são promovidos logo.
Até como deputados do Partido Comunista!
“Aqueles que aceitam aderir à Igreja Patriótica são promovidos logo, recebem aposentadoria e excelentes benefícios.

As astúcias do demônio são malvadas, ele analisa atentamente o coração dos homens e faz alavanca em seus pontos de maior debilidade”.

Ele contou que a um padre da diocese de Jiangxi ofereceram centenas de milhares de yuan para que aderisse à Igreja Patriótica, mas recusou.

Com base no Acordo entre a Santa Sé e o Partido Comunista, cada vez que o Vaticano reconhece um bispo notório por suas posições favoráveis ao Partido, muitos fiéis se recusam a participar em suas celebrações.

Heróis como o cardeal Kung ficaram para sempre na memória dos fiéis.
Heróis como o cardeal Kung
ficaram para sempre na memória dos fiéis.
Assim a Igreja se divide. O próprio Partido Comunista mantém em segredo que vários clérigos outrora “clandestinos” aderiram à Igreja Patriótica porque teme que percam influência sobre os fiéis.

Dessa maneira, segundo o sacerdote que quis conservar o anonimato, “o PC vai corrompendo as pessoas e cria o caos na Igreja e dessa forma causa rupturas internas. Essa é uma tática extremamente perversa!”.

O PC, como ateu que é, desconhece que “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem.” (São João, 10:27).

Os fiéis logo percebem o mau cheiro do lobo disfarçado de pastor. E acontece até que religiosos “patrióticos” se somam aos fiéis “clandestinos” das “catacumbas”.

Veja-se o caso do jovem bispo auxiliar de Shangai Mons. Taddeo Ma Daqin que apenas sagrado renunciou clamorosamente à Igreja Patriótica ante a catedral lotada de fiéis que o aplaudiam.

Ele foi sequestrado na hora pela polícia na porta da catedral e ainda continua em prisão. Agora é um herói a mais da resistência católica. Cfr. Prisão iníqua do bispo auxiliar de Shangai afervora católicos no mundo





Odiar a religião: ensino básico nas escolinhas chinesas

Faixas incitam a acabar com as 'gangues criminosas', leia-se os grupos religiosos e 'eliminar o mal'.
Faixas incitam a acabar com as 'gangues criminosas',
leia-se os grupos religiosos e 'eliminar o mal'.
Os jardins de infância e escolas primárias chinesas receberam uma instrução brutal: devem educar as crianças no ateísmo desde que possam compreende-lo.

Além do mais as crianças devem ser ensinadas a se oporem a seus pais quando esses acreditem em qualquer religião.

Muitos pais denunciam o estresse psicológico no lar por medo de serem denunciados pelos próprios filhos, ou que alguém da família seja encarcerado porque frequenta uma igreja.

Bitter Winter colheu o testemunho de algumas dessas famílias.

Uma criança achou em casa um santinho e acorreu à mãe dizendo: “meu maestro diz que o cristianismo é xie jiao”.

Xie jiao” é um termo impreciso introduzido no artigo 300 do Código Penal em 1999. Literalmente significa “seita” ou “seita maligna”.

Em séculos passados foi aplicado aos grupos religiosos “que não agradavam ao governo”. O cristianismo ora incorreu nessa classificação, ora foi exonerado, dependendo do capricho do governante pagão.

Em 2017, o Supremo Tribunal, equivalente ao nosso STF, emitiu uma interpretação oficial.

Crianças devem assinar compromissos contra a religião
Crianças devem assinar compromissos contra a religião
Xie jiao seriam “organizações ilegais que por meio de um uso fraudulento da religião, com qualquer nome que seja, procedem a deificar e promover seus líderes, ou fabricar e espalhar falácias supersticiosas e outros meios para confundir e enganar as pessoas (…), controlar os membros do grupo e prejudicar a sociedade”.

Num regime persecutório, a fórmula é suficientemente larga para prender qualquer um.

Voltando ao caso da criança, essa prosseguiu repetindo à mãe a lição da escolinha: “Se você acredita, você vai ter que ir embora de casa e não te ocupar mais de mim. Você poderá se tocar fogo”.

A criança mostrou à mãe o que estava escrito num livro de texto com o título Moral e sociedade.

O livro explica como resistir aos grupos religiosos. A criança acrescentou que o maestro disse que essas seitas “xie jiao” são terríveis e pediu à mãe de rasgar o folheto religioso.

As mães têm que esconder os símbolos religiosos em casa. A referida criança acabou encontrando um santinho, o perfurou furiosamente com uma faca de cozinha e intimou a sua mãe a renunciar à fé.

Como podia seu filho, outrora inocente e obediente, ter ficado tão agressivo?

A mãe contou com dor: “antes de ir na escola, lhe contei a criação de Deus e ele acreditava. Depois de que foi doutrinado passou a ser outra pessoa. Na China ateia, as crianças puras e inocentes são ensinadas a odiar a Deus”.

No fim de abril uma escola primária de Xinzheng, na província central de Henan, fez um curso para ensinar a se opor à religião.

Um professor lecionou que os estudantes jamais podem acreditar na existência da divindade e concluiu ameaçando-os: “se tua mãe vai à igreja e acredita em Deus, não te quer mais como filho”.

Folhetos advertem que a religião está estritamente proibida na escola.
Folhetos advertem que a religião está estritamente proibida na escola.
Em Xinzheng outro maestro de primária montou uma projeção contra a religião em que os crentes são apresentados como monstros negros.

O maestro disse que as pessoas religiosas poderiam amaldiçoa-las e que antes disso acontecer, as crianças devem denuncia-las à polícia.

No condado de Linzhang, província de Hebei, os estudantes receberam a ordem de espionar os pais para garantir que não pratiquem qualquer tipo de atividade religiosa.

Um aluno exortou a seu pai cristão a não acreditar em Deus porque é anormal e perigoso, acrescentando: “não tem saída, se participas nos encontros, serás preso”.



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