Pesadelo chinês

O Test behind the Great Firewall of China, confirmou mais uma vez que nosso blog ESTÁ BLOQUEADO NA CHINA. A máquina repressiva impede o acesso em Pequim (confira); em Shangai (confira); e agora em Guangzhou (confira). Hong Kong é a exceção (confira). Enquanto Pequim não cobrar medidas coercitivas dos seus correligionários brasileiros ou da Teologia da Libertação, este blog continuará na linha católica anti-comunista, pelo bem do Brasil. MAIS

domingo, 20 de maio de 2018

Templos demolidos, túmulos violados no “país que melhor aplica a doutrina social da Igreja”!

Proibir as cruzes e estreitar as mãos da Ostpolitik vaticana.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







As cruzes da catedral do Sagrado Coração de Jesus de Shangqiu, China, foram removidas pelo governo local. Foi a primeira igreja católica da província de Henan vítima dessa violência.

As autoridades voltaram para instalar outras muito menores e em muito menor número, noticiou a agência UCANews.

Agentes dos comitês comunistas de rua e de bairro que espionam e controlam os cidadãos exigiram remover as cruzes. “Os comissários impusera que a Cruz mais elevada da catedral fosse removida, mas os responsáveis da igreja discordaram” narrou uma fonte que não quis ter o nome divulgado.

Todas as tentativas de uma moderação da exigência foram inúteis e o governo apelou a máquinas para a demolição.

Além da catedral foram alvejadas uma pequena e velha capela e uma torre. Ao todo foram removidas 10 cruzes, seis das quais da catedral e três da capelinha.

Os fiéis compareceram na catedral e ficaram rezando do lado de fora.

Denúncias pela violência foram apresentadas em órgãos do Partido Comunista. Esse, temeroso de reações populares parece ter ordenado reerguer a metade das cruzes da catedral e uma da capela. O maior cruzeiro de seis metros foi substituído por outro de três metros.

Cruz da catedral de Shangqiu arrancada pela perseguição socialista.
Cruz da catedral de Shangqiu arrancada pela perseguição socialista.
O Pe. João disse que a exação foi brutal e contrária as leis escritas em matéria religiosa.

Um católico que trabalha no Partido Comunista local reconheceu que a catedral está em situação legal e que a remoção foi ilegal, se mostrando surpreso pelo fato de as cruzes originais não serem repostas.

Os incidentes contra o catolicismo se estão multiplicando na província de Henan. Também o governo está afixando cartazes nas portas das igrejas proibindo o ingresso de crianças e jovens.

O Pe. João sublinhou que não só o Henan está sendo alvejado, mas desde que o presidente Xi Jinping abaixou as novas normas ditatoriais “incidentes como esse estão acontecendo em todo o país”.

“A Igreja católica da província de Henan, China central, está sendo violentamente perseguida! Rezem por ela!”: era a mensagem que chegava desde diversas partes do país, acompanhada de uma lista de episódios de violência antirreligiosa verificados nas últimas semanas, registrou a agência AsiaNews.

A lápide e o túmulo de Mons. Li Hongye foram profanados e destruídos. Mons Li (1920-2011). Ele governou a diocese de Luoyang legitimamente e padeceu décadas em campos de trabalho forçado ou prisão domiciliar.

Os fiéis acreditam o frenesi sacrílego contra o túmulo se deve à presença de signos episcopais gravados sobre a lápide funerária.

Na mesma diocese foi inteiramente demolida a igreja de Hutuo, distrito de Xicun, Gongyi.

A violência mais sórdida foi aplicada em Zhengzhou. Representantes do governo irromperam na missa pascal, no domingo 1° de abril, sequestrando todas as crianças e menores de idade.

A nova lei de Xi Jinping proíbe dar educação religiosa aos menores de 18 anos. Desde então, todos os domingos há funcionários estatais nas portas das igrejas para impedir o ingresso dos menores.

Essa perseguição começou em Henan, na Mongólia interior e em Xinjiang onde a comunidade católica é pequena minoria. A aplicação das novas leis está ocorrendo a modo de teste das resistências e dos métodos para sufoca-las.

Quando o sinistro treino for considerado suficiente virão os assaltos nas regiões onde os católicos representam uma percentagem importante da população, como em Hebei e Shanxi.

O túmulo profanado do bispo de Luoyang
O túmulo profanado do bispo de Luoyang
No Henan a quase totalidade da Igreja resiste ao socialismo – é “subterrânea” – e nas suas 10 dioceses – salvo a de Anyang – não há bispos submissos ao governo. A diocese Luoyang está sem bispo, mas a Santa Sé não nomeia sucessor contentando ao regime. Pequim se assanha contra a Igreja não oficial, especialmente a que está sem pastor.

Segundo sacerdote local, o socialismo tenta atemorizar sobre tudo aos que querem se converter, tentando deter o potente surto religioso na região.

Na diocese de Zhengzhou, além da mencionada invasão da missa de Domingo de Pascoa, nas paroquias de Shuanghuaishu, Jiayu e Youfang, a polícia sequestrou os livros de oração, de cânticos e bíblias.

Na diocese de Shangqiu, os esbirros comunistas ameaçam os fiéis de impedir que seus filhos possam ir à escola e que tirarão a aposentadoria dos católicos anciões.

Eles vão de porta em porta dizendo que os desobedientes serão expulsos dos empregos públicos e residências estatais.

Na entrada principal da igreja de Qixian, diocese de Kaifeng, afixaram cartazes proibindo “pregar a menores nos locais de atividade religiosa”.

O mesmo acontece na diocese de Anyang. O jardim de infantes da igreja de Weihui foi clausurado pela força, numa noite em que membros do governo jogaram os bancos das crianças para fora e selaram as portes.

Todos os objetos sacros das igrejas de Xincun e Gaoqiangying foram sequestrados pelas tropas de segurança. A casa da igreja em Huaxian também foi clausurada e o cruzeiro que coroava a igreja de Xincun foi destruído.

Policiais impedem missa pela violência em Heilongjiang
Policiais impedem missa pela violência em Heilongjiang
Na diocese de Puyang houve igrejas demolidas e os presidentes dos conselhos paroquiais foram obrigados a denunciar os dados (nomes, RG, local de trabalho, moradia, etc.) dos membros das comunidades.

Nas dioceses de Xinxiang, o governo mandou demolir a cruz da igreja de Xishang norte, roubou as bíblias das crianças e os livros da igreja e sequestrou a documentação financeira da igreja.

Um vídeo rapidamente retirado de circulação exibiu policiais invadindo um local “clandestino” onde se celebrava a Missa do Domingo Pasqual na província de Heilongjiang, nordeste da China, segundo informou o “Catholic Herald” do Reino Unido.

O local foi saqueado e os esbirros tentaram prender o pároco e o líder leigo da comunidade. As autoridades socialistas comemoraram ter “impedido com sucesso a atividade religiosa de um sacerdote católico ‘subterrâneo’”.

A publicação inglesa rememorou a perseguicao que sofriam simultaneamente os bispos Vicente Guo Xijin, de Mindong, e Pedro Shao Zhumin de Wenzhou, que foram feitos prisioneiros para lhes impedir celebrar os ofícios quaresmais, enquanto dialogavam com os enviados do vaticano para destitui-los.

O acordo procurado pelos delegados vaticanos e marxistas chineses vem sendo fortemente criticado nos ambientes sinceramente católicos.



Demolição de uma Cruz em Henan





A vida de um católico perseguido na China




terça-feira, 15 de maio de 2018

Arrancando “confissões”
como no auge da Revolução maoísta

Gui Minhai e Peter Dahlin foram forçados a 'confessar' pela TV chinesa.
Gui Minhai e Peter Dahlin foram forçados a 'confessar' pela TV chinesa.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em 2016, Peter Dahlin, militante de uma ONG pelos direitos humanos ativa na China “desapareceu” na estrada rumo ao aeroporto de Pequim.

Poucas semanas depois, reapareceu na TV estatal confessando ter “posto em perigo a segurança do Estado” apoiando ativistas locais. Pediu então perdão por “ferir os sentimentos do povo chinês”.

Algumas semanas mais tarde, após ser deportado à Suíça, ele revelou que aquela “confissão” pública foi forçada pelas autoridades. Essas exploraram sua frágil saúde e ameaçaram sua noiva que também ficou “desaparecida”, denunciou reportagem de “El Mundo” de Madri.

A ONG Safeguard Defenders recolheu em relatório essa horrível experiência e a de outros presos que durante os últimos anos viveram amargos momentos similares.

O relatório aponta que o regime comunista – “o que melhor aplica a doutrina social da Igreja”, segundo o representante vaticano D.Sánchez Sorondo – usa sistematicamente métodos de intimidação e terror.

Ele age como sempre agiu o regime marxista com finalidades de propaganda violando os fundamentos de qualquer processo jurídico internacionalmente reconhecido.

O relatório de Safeguard Defenders analisa 45 casos registrados entre julho de 2013 e fevereiro de 2018. Mais da metade deles vitimaram advogados, jornalistas ou defensores dos direitos humanos.

A grande maioria dessas “confissões” foram divulgadas pela TV, antes mesmo de haver algum procedimento judicial, ignorando por completo a presunção de inocência que está incluída na legislação chinesa. Para inglês ver obviamente.

A TV chinesa irradia as 'confissões' que justifiquem a condena.
A TV chinesa irradia as 'confissões' que justifiquem a condena.
Os “arrependidos” descreveram como foram vestidos pela polícia para a iníqua encenação e o script que deviam memorizar, com instruções precisas de quando chorar ou fazer algum gesto desejado pelos torturadores.

Segundo o relatório, os torturadores procediam a várias gravações até que os chefes marxistas se achavam satisfeitos com o resultado.

“Tudo era uma coreografia que durou por volta de sete horas, mas as repetições foram tantas que não lembro com certeza”, disse um dos “arrependidos” identificado com o pseudônimo de Wen.

Nos tribunais chineses as condenas caem sobre mais de 99% dos acusados.

Outra associação, a Anistia Internacional em relatório 2015, registra que a justiça penal socialista se baseia principalmente nas “confissões” de réus para poder condena-los.

Por isso os agentes policiais não hesitam em recorrer à violência para arrancar a auto admissão dos fatos imputados e encerrar o caso.

Encenação dos maus tratos para arrancar 'confissões'.
Encenação dos maus tratos para arrancar 'confissões'.
“(A policia) me ameaçou dizendo que se não cooperava seria sentenciado à prisão, perderia o emprego, minha família me abandonaria e perderia a reputação para o resto da vida”, garantiu uma vítima do sistema identificada como Li.

O relatório de Safeguard Defenders sublinha a parte dos meios de comunicação, que colaboram na gravação e difusão desses mea culpa forçados.

“A mídia que filma, colabora com a polícia na montagem do processo, e emite as ‘confissões’ pelos órgãos estatais ou privados, é tão culpada quanto o Estado chinês nessa prática enganosa, ilegal e que viola os direitos humanos”, constata o texto.

A maior parte dessas emissões foi ao ar pelo canal estatal CCTV.

Em 2016, o site ‘The Paper’ financiado pelo governo emitiu mais uma “confissão” trucada de Wang Yu, advogada de direitos humanos, em que ela garantia que “forças estrangeiras” utilizaram sua empresa jurídica para danificar a reputação da China.

O relatório cita o jornal ‘South China Morning Post’, “o mais destacado jornal colaborador em inglês”, editado em Hong Kong, que publicou uma entrevista em que Gui Minhai, um dos cinco livreiros raptados em Hong Kong em 2015 diz que eles difundiam textos que danificavam a reputação do Partido Comunista chinês.

Desde que o presidente Xi Jinping assumiu o poder em 2012, foi desencadeado um ataque contra a sociedade civil, prendendo qualquer um que não esteja em consonância com o Partido Comunista chinês e suas políticas.

O advogado Xie Yang antes de ser preso 'Teu único direito é obedecer' diziam os guardas.
O advogado Xie Yang antes de ser preso 'Teu único direito é obedecer' diziam os guardas.
É o caso da Igreja Católica dita “clandestina” que não aceita as doutrinas e chantagens socialistas e por isso é perseguida até pela Ostpolitik vaticana.

Nesse caso, Pequim, mais do que confiar em sua polícia ideológica e nas torturas, prefere que o Vaticano se encarregue de reprimir. Essa é a essência dos desejos de Pequim num acordo com a Santa Sé dirigida pelo Papa Francisco.

O método das confissões forçadas foi imposto pelo ditador marxista Joseph Stalin na União Soviética. Mao Tsé Tung o adotou na China antes mesmo de usurpar o poder em 1949.

“O processo de autocrítica é um dos objetivos mais importantes da cultura e da arte. Se se faz forma correta... podemos estar certos da qualidade e da efetividade da educação das massas”, garantiu o líder comunista em um de seus mais cultuados e monstruosos discursos.

Essa prática foi especialmente aplicada durante a Revolução Cultural chinesa (1966-1976) tão admirada pelos agitadores de Maio de 68 no Ocidente.

E hoje voltam por instrução de Xi Jinping também em boas relações com as esquerdas civis e vaticanas.



terça-feira, 8 de maio de 2018

China proibe venda da Bíblia

Menina lee Bíblia durante ato religioso.
Agora as Bíblias "não oficiais" estão proibidas
e as crianças não podem entrar nas igrejas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Pequim baniu a venda da Bíblia na Internet aplicando as novas regras de repressão da religião ordenada pelo presidente Xi Jinping, entronizado à testa do PC chinês sem limites de tempo, informou o “The New York Times”.

As principais lojas online do país tiraram logo o Livro Sagrado de seus sites. Lojas como Amazon, JD e Taobao preferiram não comentar o caso.

Das grandes religiões espalhadas no país, o cristianismo é a única que não pode oferecer seus textos sagrados em venda.

A Bíblia impressa só pode ser vendida em livrarias religiosas que precisam estar registradas na burocracia comunista e, portanto até os clientes são controlados.

A versão aprovada deverá estar de acordo com os objetivos do socialismo chinês. Isso equivale nos nossos país a só autorizar a Bíblia da Teologia da Libertação.

As lojas digitais abriram uma brecha para os fiéis comprarem a Bíblia Sagrada sem serem controlados pelo Partido. Mas agora a escapatória foi fechada.

Xi Jinping ordenou intensificar o doutrinamento marxista da juventude.
O endurecimento das regras contra o cristianismo é acompanhado pelo esforço de Xi para promover religiões pagãs como o taoísmo e o budismo, além de uma intensificação do ensino do marxismo nos locais de educação.

O governo subsidia a música taoísta ou romarias pagãs. O próprio Xi elogiou de público o budismo, qualificando como uma crença que está de acordo com a cultura e a vida espiritual chinesa.

Essas religiões sem estrutura e “alugadas” pelo marxismo constituem o modelo de crença “achinesada” em que o presidente marxista quer transformar o catolicismo. Para isso precisa do acordo com a Santa Sé.

Tomando essa medida de força, Pequim parece não temer reações negativas nas concomitantes negociações com a diplomacia vaticana, hoje mais sorridente aos ditadores comunistas.

Em entrevista coletiva de imprensa apresentando o veto, um porta-voz governamental afirmou que nunca o Vaticano terá controle da igreja chinesa, recolheu o “New York Times”.

A violência patenteia a força do anticristianismo dentro do PC chinês cujo departamento mais anticristão assumiu o controle da política religiosa.

“Parece que a porção antivaticanista do governo chinês saiu vencedora", disse Yang Fenggang, chefe do Centro de Religiões Chinesas da Universidade de Purdue.

Entre 2014 e 2016, mais de 1.500 Cruzes foram removidas das igrejas só numa província chinesa onde Xi exerce especial influência.

Vender a "versão não aprovada pelo comunismo" da Bíblia pela Internet é delito
Vender a "versão não aprovada pelo comunismo" da Bíblia pela Internet é delito
Mais um relatório oficial publicado na China patenteou o renascimento religioso no país.

O relatório anterior divulgado em 1997 calculava que os seguidores de religiões proibidas chegavam a ser 100 milhões.

O novo relatório duplica esse número.

O catolicismo passou de quatro a seis milhões no período, e os protestantes de dez a trinta e oito milhões.

Mas os especialistas julgam que esses números só representam a metade da realidade. O maior problema se põe com os budistas e taoístas cujos números são inverificáveis, e depois com os protestantes onde o senso de pertencença a uma denominação é volátil e instável.

Segundo o relatório já foram impressos 160 milhões de exemplares da Bíblia, que foram exportadas a mais de 100 países. Uma metade do total foi publicada em alguma das quatro principais línguas chinesas ou em algum dos mais de duzentos dialetos que há no país.


Partido Comunista Chinês proíbe venda de bíblias na internet





O testemunho vitorioso do cristão: trailer oficial de “No auge do inverno” (italiano)




terça-feira, 1 de maio de 2018

O comércio chinês de órgãos humanos
e a Ostpolitik vaticana

Protesto no mundo livre contra o comércio chinês de órgãos humanos.
Protesto no mundo livre contra o comércio chinês de órgãos humanos.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Pontifícia Academia das Ciências Sociais, cujo chanceler é Mons. Marcelo Sánchez Sorondo, bispo muito próximo do Papa Francisco, voltou a albergar um encontro com a China sobre o tráfico de órgãos humanos.

A China é o maior e mais desumano fornecedor de órgãos humanos “frescos”. Esses são extraídos de dissidentes, presos ou simples cidadãos “caçados” a dedo em locais públicos para atender uma encomenda da elite do Partido Comunista ou de estrangeiros muito ricos.

Os órgãos são arrancados numa rede de hospitais de alta tecnologia em território chinês onde ocorrem os transplantes ou desde onde são exportados.

Os organizadores vaticanos mantiveram no maior segredo o encontro feito na Casina Pio IV, belo palácio nos jardins da Santa Sé, inacessível ao público em geral.

Só veio a se saber do evento por um jornal do governo comunista chinês, segundo informou o site italiano “La Nuova Bussola Quotidiana”.

Foi o “Huanqiu Shibao”, tabloide de noticias internacionais editado também em inglês, como o “Global Times”, pelo quotidiano oficial do Partido Comunista Chinês, “Renmín Rìbao” (“People’s Daily”).

Mons. Marcelo Sánchez Sorondo, no primeiro encontro sobre tráfico de órgãos no Vaticano.
Mons. Marcelo Sánchez Sorondo,
no primeiro encontro sobre tráfico de órgãos no Vaticano.
Para o bispo: “os que melhor praticam a doutrina social da Igreja são os chineses“
Os poucos outros meios de informação que falaram do encontro – por exemplo, a agencia Reuters, o blog “Il Sismografo” editado na Secretaria de Estado vaticana e “AsiaNews” – tiveram que se limitar às informações do “Global Times”.

O site da Pontifícia Academia das Ciências Sociais fez silêncio completo. O tema enunciado do simpósio teve conotações “humanitárias”: “Escravidão moderna, tráfico de seres humanos e acesso à justiça para pobres e vulneráveis”.

Mas, o jornal chinês se concentrou exclusivamente no tráfico de órgãos e seus reflexos no acordo que Pequim quer fazer com a Santa Sé para controlar a Igreja Católica.

O primeiro encontro também promovido pelo organismo vaticano apresentou resultados perturbadores.

O personagem de destaque foi Huang Jiefu, presidente do Comitê Nacional chinês para a doação e transplante de órgãos, ex-vice-ministro da Saúde da China, que há vinte anos está no centro do tráfico mundial de órgãos humanos.

Segundo o site italiano “enquanto Huang Jiefu dava aulas, os defensores dos direitos humanos na China, notadamente a sociedade “Doctors Against Forced Organ Harvesting” – DAFOH não eram levados em consideração pela Academia Pontifícia.

Huang Jiefu, chefe da máquina de destruição de vidas humanas para arrancar órgãos foi recebido como vedette pelo Vaticano
Huang Jiefu, chefe da máquina de destruição de vidas humanas para arrancar órgãos
foi recebido como vedette pelo Vaticano
DAFOH foi nominada em 2006 para receber o Premio Nobel da paz por seu combate ao tráfico de órgãos humanos praticado por Pequim.

Em janeiro, DAFOH publicou um apanhado desse monstruoso comércio se baseando em jornais, por certo não “reacionários”, como o “The Washington Post”.

O relatório da DAFOH mostra as tentativas da China para enganar a opinião pública ocidental enquanto prossegue com as ilegais transações de órgãos humanos.

O primeiro indiciado é o Comitê chefiado por Huang Jiefu, acolhido como figura nos diálogos com a Santa Sé.

Huang alega que agora os órgãos só se tiram de doadores voluntárias.

Porém, até 2010 nunca houve “sistema de doações voluntárias de órgãos” e o hospital You’an de Pequim só registrou 30 casos em quatro anos (2013-2017), constata o relatório.

A minoria religiosa Falun Gong (ou Falun Dafa) foi especialmente atingida pelos catadores de órgãos.

A minoria étnica uigur é alvo da política de repressão política e comercialização de órgãos.
A minoria étnica uigur é alvo da política de repressão política e comercialização de órgãos.
Mais recentemente a caçada visou a minoria uigur, turcofona e islâmica que ocupa o noroeste da China.

No dia 31 de dezembro de 2017, diante do Parlamento britânico, Dolkun Isa, presidente do World Uyghur Congress, denunciou que Pequim criou um banco de dados genéticos de milhões de uigures visando o transplante forçado de órgãos.

A prática chinesa de transplantes forçados é tão grande que gerou um “turismo dos transplantes”. Até o Parlamento do Japão se declarou alarmado.

O esquema socialista é denunciado come “genocídio clínico” pelos especialistas que forneceram fortes e documentadas alegações sobre a verdadeira natureza do sistema de transplantes chinês.

Tudo isso a Pontifícia Academia das Ciências Sociais conhece muito bem comentou “La Nuova Bussola Quotidiana”.

O espantoso é que o “Global Times” comemore como uma vitória a nova reunião de cúpula no Vaticano sobre esse imoralíssimo procedimento montado pelo governo socialista.

A mídia oficial comemorou a participação de Mons. Sánchez Sorondo (4º à direita)
em congresso sobre transplante de órgãos, tema em que a China exibe tétrico curriculum.
Por sua vez, a International Coalition to End Transplant Abuse in China (ETAC), coalisão de advogados, médicos e defensores dos direitos humanos fizeram sentir seu desacordo com a conduta do Vaticano sob Francisco I em relação ao transplante abusivo de órgãos humanos originado na China.

A ETAC encaminhou uma Carta Aberta à mencionada Academia Pontifícia espantada pela segunda reunião com responsáveis chineses da cruel chacina de seres humanos para comerciar seus órgãos.

A reunião “Escravidão moderna, tráfico humano e Acesso à Justiça para Pobres e Vulneráveis”, realizada nos dias 12 e 13 de março teve entre seus discursastes ao Dr. Wang Haibo, chefe do Sistema de Respostas a Transplantes de Órgãos da China (COTRS).

A carta foi endereçada ao bispo Marcelo Sanchez Sorondo, chanceler dessa Academia, e desmentiu as alegações do COTRS segundo as quais não extraia mais órgãos de prisioneiros de qualquer tipo.

Guo Bin, criança de seis anos, teve os olhos arrancados pelo esquema de tráfico de órgãos do regime.
Guo Bin, criança de seis anos, teve os olhos arrancados
pelo esquema de tráfico de órgãos do regime.
Porém, os transplantes de “doações” aumentaram de modo exponencial nos últimos anos.

Na China vermelha não há leis que proíbam arrancar os órgãos aos prisioneiros, nem que desautorizem execuções extrajudiciais de prisioneiros de consciência.

E há robustas provas de que isso continúa sendo feito.

Na China não há verdadeiros processos judiciais e um condenado pode ser executado sem provas.

Acresce que a ordem de 1984 que estabelece as bases para coletar órgãos de prisioneiros continúa em pé.

Os chineses têm fundamentada resistência cultural a se oferecer como doadores voluntários de órgãos, pois os deixa a mercê do regime.

As alegações de Pequim de uma reforma do sistema de transplantes não passam de meras declarações propagandísticas à mídia feitas pelo Dr. Huang Jiefu, diz a carta da ETAC.

Tais alegações obedecem à política do estado socialista, mas não têm fundamento nos fatos e servem para acobertar os monstruosos abusos.

Numerosas e autorizadas testemunhas declaram que não se pode provar que tenham cessado.

David Kilgour (esquerda), David Matas (centro) e Ethan Gutmann (direita), autores do espantoso relatório 'Bloody Harvest-The Slaughter, An Update'.
David Kilgour (esquerda), David Matas (centro) e Ethan Gutmann (direita),
autores do espantoso relatório 'Bloody Harvest-The Slaughter, An Update'.
As estatísticas oficiais raramente são atualizadas e a integridade dos dados não é confiável, acrescenta a ETAC. A China publica dados incompletos e contraditórios sobre as alegadas “doações voluntárias”.

O COTRS não publica estatísticas hospitalares sobre o assunto que permitam uma conferição de veracidade.

A China mantêm mais de 12 bancos de dados oficiais sobre os transplantes, incluindo de coração, fígado e joelhos que não podem ser consultados.

Pequim viola os Princípios Guia da Organização Mundial da Saúde sobre transplante de órgãos e faz suspeitos pagamentos para as famílias pobres que perderam algum membro levado para tiara órgãos de transplante.

Nada indica que o socialismo chinês parou de arrancar órgãos pela força. Médicos e especialistas pedem moderação ao Vaticano que finge ignorar o que está acontecendo.
Nada indica que o socialismo chinês parou de arrancar órgãos pela força.
Médicos e especialistas pedem moderação ao Vaticano
que finge ignorar o que está acontecendo.
Esses e muitos outros dados apresentados na Carta Aberta da ETAC mostram que não só o sistema chinês não mudou, mas que horrendos abusos estão largamente documentados e deveriam chamar a atenção da Santa Sé.

A acolhida de responsáveis chineses por essas práticas inumanas estão servindo para a propaganda doméstica e internacional da China.

A extensa lista de médicos e especialistas signatários da Carta Aberta pedem que a Pontifícia Academia de Ciências modere seus julgamentos enquanto não houver dados certos que demonstrem a mudança do monstruoso sistema chinês.


terça-feira, 24 de abril de 2018

O drama dos católicos fiéis: “O Vaticano está vendendo a Igreja Católica na China”

Comunhão numa missa na clandestinidade no Domingo de Ramos, perto de Shijiazhuang, província de Hebei.
Comunhão numa missa na clandestinidade no Domingo de Ramos,
perto de Shijiazhuang, província de Hebei.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O acordo entre a Santa Sé e Pequim é o modelo do novo relacionamento do Vaticano com governos de esquerda no mundo inteiro: Rússia, Ucrânia, América Latina, entre outros.

Apanhado da situação da perseguição religiosa na China


Em outubro de 2017, diplomatas vaticanos tentaram convencer bispos instituídos canonicamente pela Santa Sé a entregarem suas dioceses a bispos ilegítimos, submissos ao Partido Comunista Chinês.

Dom Pedro Zhuang Jianjian, de Shantou (Guangdong), foi convidado por carta a entregar sua diocese a um bispo excomungado.

Mas se recusou, declarando: “Aceito levar a cruz por desobedecer”.

Em dezembro, Dom Zhuang foi retirado da sua diocese no sul do país e escoltado até Pequim, limitando-se a polícia a informar que “um prelado estrangeiro” o aguardava.

Ficou “sob controle” — leia-se: preso.

Apesar de sua idade avançada (88 anos), sua debilidade física e intenso frio em Pequim, foi-lhe negada assistência de um médico ou de um sacerdote.

Dom Zhuang foi conduzido à sede da Associação Patriótica e do fictício Conselho dos Bispos da China — uma espécie de CNBB instituída pelo regime comunista.

Ali  foi interrogado pelos bispos ilegítimos Ma Yinglin, Shen Bin e Guo Jincai, presidente, vice-presidente e secretário-geral dessa “CNBB chinesa”.

Foi também levado perante três representantes da Administração Estatal de Assuntos Religiosos.

Mons. Claudio Maria Celli, diplomata vaticano
ativo na aproximação do Vaticano com regimes comunistas,
tenta quebrar os bispos resistentes.
Na foto, com Nicolás Maduro, ditador da Venezuela.
Não obtendo os resultados visados, os agentes o conduziram até onde se encontravam o “bispo estrangeiro” e três sacerdotes do Vaticano.

O “bispo estrangeiro” era Mons. Claudio Maria Celli, encarregado pela diplomacia vaticana das negociações com o Partido Comunista.

Explicou que a Santa Sé deseja um acordo com o governo marxista, mediante a entrega de dioceses aos designados por Pequim, e pediu que Dom Zhuang entregasse sua Sé episcopal ao bispo ilegítimo José Huang Bingzhang, deputado no Parlamento (Assembleia Nacional do Povo).

Dom Zhuang manteve sua recusa. Todas estas informações são de AsiaNews em 22-1-18.

Uma carta ao Papa Francisco

Enquanto Dom Zhuang era chantageado em Pequim, a delegação vaticana se deslocava até Fujian, no sul do país, para tentar convencer o legítimo bispo diocesano de Mindong, Dom José Guo Xijin, a permitir que sua diocese fosse ocupada por Vicente Zhan Silu, bispo ilegítimo a serviço do regime comunista.

Dom José Guo havia passado quase um mês encarcerado antes da Semana Santa de 2017, tendo os agentes do governo feito de tudo para que ele assinasse um documento aceitando “voluntariamente” a imoral proposta.

Após a mencionada tentativa de outubro, o Cardeal Zen, arcebispo emérito de Hong Kong e figura de maior destaque do episcopado chinês, fez chegar a Dom Sávio Hon Taifai, responsável na Cúria Romana dos assuntos chineses, um relatório sobre os brutais fatos.

Dom Sávio levou o caso ao Papa Francisco, que prometeu estudar o assunto. O próprio cardeal, em carta publicada por AsiaNews (29-1-18), descreveu as violências que sofrera.

Ficava assim a impressão de que a investida tenderia a arrefecer, mas em dezembro ocorreu a nova pressão policialesca que relatamos acima.

Dom Zhuang, em lágrimas, pediu ao Cardeal Zen que levasse ao Papa um relatório, na esperança de que ele interviesse.

O cardeal aceitou a incumbência, apesar de recear que o Pontífice pudesse não querer receber a correspondência do prelado resistente.

Doente e debilitado, o cardeal Zen, de 85 anos, viajou de Hong Kong a Roma para chegar na hora da audiência geral do Papa, no dia 10 de janeiro.

Ingressou inesperadamente durante a cerimônia, ocupando o lugar reservado aos cardeais.

Cardeal Zen entrega carta ao Papa Francisco.
Cardeal Zen entrega carta ao Papa Francisco.
Num momento dramático, pôs a carta nas mãos do Santo Padre, acrescentando que viajara só para isso, e esperava que o Pontífice consentisse em ler a carta.

O Vaticano não quer um novo “caso Mindszenty”

O cardeal ficou surpreso quando, no mesmo dia, o Papa Francisco mandou chamá-lo para uma audiência privada. Informou que havia lido a carta, e se explicou: “Eu falei para eles [seus colaboradores na Santa Sé] que não criem outro caso Mindszenty!”.

O próprio cardeal divulgou esses fatos na citada carta de 29 de janeiro, e concluiu: “Ou se rende ou se aceita a perseguição. Pode-se imaginar um acordo entre São José e o Rei Herodes?”.

Perguntado se “acredita que o Vaticano está vendendo a Igreja Católica na China”, respondeu: “Sim, absolutamente”.

Segundo o jornal britânico “The Tablet” de 30-1-18, a sala de imprensa da Santa Sé reagiu de modo fora do comum e contradisse as palavras do Cardeal Zen.

Yi-Zheng Lian, professor na Universidade Yamanashi Gakuin, de Kofu (Japão), escreveu no “The New York Times” (8-2-18) que a política do Papa Francisco ante um governo ateu e comunista “não é inteiramente transparente”.

Para o “The Wall Street Journal” (2-2-18), a imagem do Pontífice como “defensor dos oprimidos” está ficando sem sentido, e acrescenta que ele não ajuda os ucranianos invadidos pela Rússia, dá as costas aos católicos chineses perseguidos e se alia aos seus algozes.

Um grupo de intelectuais católicos influentes de Hong Kong lançou uma petição internacional, visando impedir o iníquo acordo entre a Santa Sé e Pequim (Hong Kong Free Press, 15-2-18).

Simultaneamente, Dom Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler das Pontifícias Academias de Ciências e Ciências Sociais, voltou da China afirmando que “os chineses são os que melhor aplicam a doutrina social da Igreja”.

O Dr. Samuel Gregg, professor de filosofia política e diretor de pesquisas do Acton Institute, comparou a atual diplomacia do Vaticano com a moda dos anos 20 e 30.

E acentuou que nessa época intelectuais progressistas e esquerdistas voltavam de viagem à URSS comemorando com elogios a “primeira grande experiência do comunismo”, enquanto a realidade era bem outra, com muitos milhões morrendo de fome.

Mons. Sánchez Sorondo virou um símbolo da “irrealidade e a incoerência reinam no Vaticano” (Dr. Samuel Gregg) favorecendo os horrores do comunismo chinês
Mons. Sánchez Sorondo virou um símbolo da
“irrealidade e a incoerência reinam no Vaticano” (Dr. Samuel Gregg)
favorecendo os horrores do comunismo chinês
O escritor comentou as longas declarações de Dom Sánchez Sorondo (argentino muito próximo do Papa) como um sinal de que “a irrealidade e a incoerência reinam no Vaticano” (Law & Liberty, 8-2-18).

Uma nova Revolução Cultural

Em publicação no “The Catholic Herald” (31-8-17), o Pe. Alexander Lucie-Smith, doutor em moral e teologia, perguntou: “Como é possível que o Vaticano negocie com a China, que continua demolindo as igrejas?”.

A destruição sacrílega mais recente foi documentada em Yining, diocese de Urumqi, no noroeste do país.

Cruzes, estátuas, torres dos sinos, relevos religiosos, cruzes do cemitério e do interior do templo, incluindo a Via Sacra — tudo isso foi destruído.

Análogos atentados foram perpetrados contra as igrejas de Manas e Hutubi, na mesma diocese, segundo noticiou UCANews (1-3-18).

Em Yining tudo foi destruído enquanto as delegações chinesa e vaticana preparavam um “histórico acordo” para a nomeação dos bispos católicos pelo regime anticristão.

As profanações obedecem ao projeto do ditador Xi Jinping de “achinesar” a Igreja, submetendo-a às políticas do Partido Comunista, e ele o deixou bem claro no XIX Congresso do PC, em outubro de 2017: “A cultura […] deve ser aproveitada para a causa do socialismo, de acordo com a orientação do marxismo”.

Acrescentou que a religião deve ter por isso uma “orientação chinesa” e se adaptar à sociedade socialista guiada pelo partido (“The Washington Post”, 18-10-17).

O ditador definiu “achinesar” como a obrigatoriedade de “aderir e desenvolver as teorias religiosas, mas com características chinesas”.

Um comentário se tem generalizado, enquanto se multiplicam esses episódios de perseguição religiosa: “É uma nova Revolução Cultural”, batizada agora de “achinesar”.

Perseguição religiosa e Igreja clandestina

Essa posição anticatólica de Xi Jinping deve ser avaliada não apenas como uma série de violências de caráter transitório, pois ele acaba de reformar a Constituição comunista, proclamando-se ditador sem prazo de mandato.

Estaríamos assim diante de uma nova revolução cultural, cujas características não podem diferir muito do verdadeiro genocídio praticado por Mao Tsé-Tung. No campo religioso, tal revolução implicaria:
  • Aplicar o princípio da “independência”, significando ruptura com a Santa Sé;
  • Adaptar a religião à sociedade socialista, transformando-a numa força de propulsão comunista;
  • Resistir às “infiltrações religiosas do exterior”, banindo os símbolos religiosos, os missionários e as Ordens religiosas vindos de fora.
Assim sendo, já se podem ver com antecipação exemplos do que acontecerá aos católicos chineses, com a nova orientação comunista:
  • O Cruzeiro, símbolo da Redenção, é qualificado agora como “infiltração religiosa proveniente do exterior”, e foi arrancado com satânico impulso na igreja de Yining;
  • O princípio de “independência” proíbe rezar, inclusive no interior dos lares. Se a polícia encontrar duas pessoas rezando juntas em sua casa, vai prendê-las e obrigá-las a passar por uma “reeducação”, que implica reclusão num campo de concentração.
  • Hoje só está permitido o culto nas igrejas registradas na burocracia marxista, e nos horários fixados pelo governo. Um ato piedoso em outro lugar é tido como feito em “local ilegal” e sujeito a prisão, multas, e até expropriação do prédio.
  • Nas residências particulares, toda conversa religiosa ou oração ficou proibida.
  • Na porta das igrejas deve ser legível a proibição do ingresso aos “menores de 18 anos”. Crianças e jovens não podem participar nos ritos, receber catequese, instrução religiosa nem preparação para os sacramentos, explicou o Pe. Bernardo Cervellera, diretor da agência AsiaNews (2-3-18), do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras.
Antes e depois da destruição sacrílega dos símbolos católicos em Yining, diocese de Urumqi,
Antes e depois da destruição sacrílega
dos símbolos católicos em Yining,
diocese de Urumqi,

Diplomacia vaticana favorecendo os carrascos

O Partido Comunista ficou como “guia ativo” das religiões.

Sob a inspiração suprema de Xi Jinping, dependerá do PC a vida ou morte de qualquer entidade religiosa cristã, para o que não lhe faltará o apoio dos seus amigos do Vaticano, sempre tendentes à concessão.

O controle ditatorial e asfixiante está sendo exercido através do medo.

No passado recente, os católicos chineses já haviam enfrentado esse medo assassino e o venceram, mas desta vez a diplomacia vaticana se põe do lado dos carrascos.

Dom José Guo Xijin, bispo de Mindong, um dos mais diretamente extorquidos pelas Ostpolitik vaticana acabou sendo sequestrado pela polícia nas vésperas da Semana Santa de 2018.

Seu delito consistiu em se negar a concelebrar com o bispo excomungado que a Ostpolitik quer como novo bispo diocesano.

O sequestro causou estupor no mundo e o bispo foi liberado logo depois com proibição de celebrar missas sem o usurpador. Veja toda a história em "Bispo que Pequim e o Vaticano querem remover sofre intimidações policiais".

Uma das causas da pressa comunista em fazer acordo com seus correspondentes vaticanos é que há uma renascença religiosa na China que o governo não consegue controlar.

Mais de 80% da população tem religião, e pelo menos uma quinta parte dos membros do Partido Comunista pratica alguma delas em segredo.

Incapaz de convencer o povo com as ideias comunistas ateias, o regime recorre a medidas de força.

Mas, sendo essas insuficientes, apela a eclesiásticos ligados de um modo ou de outro à “Teologia da Libertação”.

Disse um fiel de Urumqi à AsiaNews: “Estou muito triste pelo fato de o Vaticano se rebaixar ao fazer pactos com este governo. Agindo desse modo, ele se converte em cúmplice de quem quer a nossa aniquilação”.


terça-feira, 17 de abril de 2018

Bispo que Pequim e o Vaticano querem remover sofre intimidações policiais

Mons Vincent Guo Xijin foi sequestrado pela polícia comunista em ato de intimidação e libertado com proibição de celebrar
Mons Vincent Guo Xijin foi sequestrado pela polícia comunista
em ato de intimidação e libertado com proibição de celebrar
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O bispo de Mindong, Mons. Guo Xijin, 59, é um dos dois prelados “subterrâneos” — reconhecidos pela Santa Sé, mas não pelo governo comunista — que receberam pedido da Santa Sé para passar suas dioceses para bispos ilegítimos e até excomungados, criados do regime anticristão.

Uma delegação diplomática vaticana presidida por Mons. Claudio Maria Celli pediu ao bispo legítimo ficar na diocese como bispo auxiliar do bispo ilegítimo e excomungado Zhan Silu.

A inédita capitulação seria parte inicial de um acordo histórico entre a Santa Sé e o comunismo chinês.

Posto contra a parede pelas autoridades vaticanas, Mons. Guo reafirmou a disposição de se submeter à vontade do Papa Francisco, mas pediu que a transferência fosse formalizada com um “documento autêntico verificável do Vaticano”, segundo informou o jornal “The New York Times”.

O pedido, aliás, tão razoável numa situação canônica em extremo complicada, parece ter caído mal no Vaticano e em Pequim. Até o presente, a Santa Sé não ousou emitir o documento de praxe, tal vez temendo deixar uma prova de irregularidade. E Mons. Guo ficou com a diocese aguardando instrução.

Na presidência de Xi Jinping o regime vem demolindo as igrejas e os símbolos da Cruz pelo país todo, vendo nelas uma ameaça ao controle marxista.

terça-feira, 10 de abril de 2018

A producao em laboratorio do homem perfeitamente igualitário e o reinado de Satanás

Macacos de laboratório Zhong Zhong e Hua Hua pensando no homem planificado exatamente igual pela ditadura marxista
Macacos de laboratório Zhong Zhong e Hua Hua
pensando no homem planificado exatamente igual pela ditadura marxista
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O Instituto de Neurociências de Xangai (China) procedeu a clonar dois primatas numa primeira experiência para aplicar a técnica na produção de seres humanos visando um futuro em que a Humanidade estaria composta de seres inteiramente iguais programados segundo as conveniências materiais do Partido Comunista.

No caso, o experimento foi feito com macacos-de-cauda-longa que receberam os nomes repetitivos de Zhong Zhong e Hua Hua por serem geneticamente idênticos. Os nomes significam em mandarim ‘nação’ e ‘pessoa’, segundo a BBC.

Os cientistas responsáveis publicaram seu trabalho na revista Cell, e alegaram visar o estudo de doenças e o desenvolvimento de novos remédios. Porém, foram alvo da fúria de instituições que condenam experimentos de clonagem, segundo “The Guardian” de Londres

Até uma ONG Pessoas para o Tratamento Ético dos Animais (Peta), que milita no extremismo ecologista divulgou protesto classificando a clonagem como uma “ciência Frankenstein”.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Vaticano tenta entregar diocese regada pelo sangue dos mártires

Na gruta refúgio do bispo São Pedro de Sanz y Jordá, mártir, onde brota água milagrosa.
Na gruta refúgio do bispo São Pedro de Sanz y Jordá, mártir, onde brota água milagrosa.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A diocese de Mindong, uma das escolhidas por Pequim e o Vaticano para dar início concreto ao acordo para “achinesar” a Igreja Católica está regada com sangue de mártires, descreve uma tocante reportagem do jornal de Madri “El Mundo”.

Os mais recentes foram vítimas do comunismo com que a Ostpolitik troca sorrisos e promessas falaciosas. Mas outros surgem hoje do fundo de séculos heroicos de evangelização em que a verdade de Cristo era pregada sem conchavos com os inimigos de Cristo e sem medo de sofrer a prisão, a tortura ou a morte.

Os peregrinos atravessam quase de quatro a pequena entrada da gruta onde o missionário dominicano espanhol São Pedro de Sanz y Jordá, lembrado como o “bispo Bai” foi conduzido por um pombo para ali estabelecer seu refúgio.

O sendeiro até o local serpeia entre morros e atravessa uma Via Sacra cheia de cruzes criada há mais de uma década quando as autoridades que agora dialogam com a diplomacia da Santa Sé “ameaçaram destruir todas elas”, segundo narra um religioso que no quer ser identificado pelos algozes comunistas.

“Aqui não somos da igreja patriótica, mas da autêntica, a que segue ao Papa”, esclarece o sacerdote.

Igreja católica em Lankou, na costa, diocese de Mindong, no sul da China
Igreja católica em Lankou, na costa, diocese de Mindong, no sul da China
Os fiéis esconderam as 14 estações com tijolos e cimento até que perceberam que as autoridades marxistas perderam o interesse em demoli-las.

Então afixaram sobre cada um desses montículos uma imagem impressa de cada estação piedosa com Jesus carregando a Cruz.

Na primeira estação há três cruzes de madeira a disposição do romeiro que queira carregar uma até a “cova de Bai”, imitando Jesus em sua Via Dolorosa.

Todo domingo, dezenas de fiéis perfazem a Via Sacra, em geral em grupos. Precisam fazer fila para entrar na gruta.

Nela lavam os pés e enchem garrafas com água de uma fonte natural. Eles garantem que é milagrosa.

“Minha família é católica há cinco gerações. Nós vimos uma vez por ano. É tradição desta região”, diz Fan Wenda, agricultor de 77 anos que recita sistematicamente o terço junto com todos.

O bispo Sanz y Jordá acabou cativo durante terrível perseguicao pagã contra os missionários no século XVIII.

Em Shangwan a gruta do padre Miao Zishan,
martirizado pelos comunistas na Revolução Cultural (1966-1976)
Foi encarcerado pelos soldados do imperador Qianlong e decapitado em 1747. O mesmo destino providencial foi concedido a mais quatro missionários dominicanos espanhóis no ano seguinte.

Esse sangue derramado comprou a implantação do catolicismo em Mindong, na província sulista de Fujian, um dos redutos mais antigos da fé católica no continente chinês.

Os religiosos usavam como base de suas incursões apostólicas as posses espanholas na vizinha Ilha Formosa – agora Taiwan.

Foi assim que o catolicismo em Mindong ganhou especial simbolismo para o Vaticano.

É a diocese onde nasceu o primeiro sacerdote católico chinês; onde se estabeleceu o primeiro bispo no imenso império, até que por fim virou um dos redutos mais firmes da Fé católica.

“A pressão do Estado ia e vinha, mas as comunidades religiosas deitavam sólidas raízes na areia local”, explica Eugenio Menegon, autor de livro sobre as origens do catolicismo em Mindong.

A perseguição pagã imperial foi substituída pela pressão dos nacionalistas de Chiang Kai-Shek até que o comunismo maoista montou as piores técnicas de difamação e violência contra os missionários e os cristãos.

O bispo missionário São Pedro de Sanz y Jordá não se dobrou diante das promessas e ameaças do imperador. Hoje é venerado pelo povo de Mindong.
O bispo missionário São Pedro de Sanz y Jordá
não se dobrou diante das promessas e ameaças do imperador.
Hoje é venerado pelo povo de Mindong.
“Diziam que os missionários e as freiras assassinavam as crianças nos orfanatos para lhes tirar os órgãos”, acrescenta Menegon.

Esse crime hoje é praticado sistematicamente pelo sistema comunista e não o é secreto para o Vaticano que recebe seus fautores em dissimulados encontros.

O catolicismo é divino na sua fonte e sobreviveu a todos os satânicos embates comunistas.

Mas agora enfrenta um perigo nunca antes imaginado: o conchavo do Vaticano e de Pequim que lhes obrigaria por um pacto a abandonar a religião de seus martirizados antepassados e se submeter à espúria Associação Patriótica de Católicos Chineses (CCPA), mera criação do governo comunista em 1957.

O iníquo pacto, segundo sites católicos especializados como UcaNews, incluiria o reconhecimento por parte do Vaticano de sete bispos ilegais da CCPA, vários deles excomungados.

Os bispos leais ao Pontífice – um deles é o de Mindong – seriam substituídos pelos fantoches de Pequim.

O governo marxista promete aprovar dezenas de bispos fiéis que pertencem à “igreja subterrânea” e que não aceitam o comando socialista.

Em Luojiang, onde fica a catedral de Nossa Senhora do Rosário, sede do bispo de Mindong, Mons. Guo Xijin, a notícia causou estupor.

“Não estamos de acordo com essa decisão. Se o bispo deve ceder seu posto à igreja patriótica, seremos controlados pelo Partido Comunista”, reconhece Luo, proprietário de uma loja perto da catedral.

Dos 80.000 católicos de Mindong, por volta de 70.000 se declaram membros da “igreja autêntica” pastoreada pelo bispo Guo. O resto aderiu à CCPA.

Os católicos “autênticos” ou “subterrâneos” estão longe de se ocultarem.

Os católicos de Mindong não têm medo de ostentar seu catolicismo.
Os católicos de Mindong não têm medo de ostentar seu catolicismo.
Eles pintam as portas de suas casas com cruzes vermelhas e mensagens em caracteres chineses dizendo “Deus está conosco” ou “Deus nos abençoa com sua paz”.

“Não à igreja patriótica!”

O pequeno restaurante da senhora Chang está decorado com imagens de Jesus nas paredes. E isso se pode ver em muitos locais.

A cozinheira lembra que nos anos 80, a CCPA “enviou um bispo patriótico para celebrar a Missa e os fiéis o puseram para fora”.

“Não à igreja patriótica!”, exclama ela. E suas palavras são ecoadas por muitos dos presentes nos mesmos termos.

“Vivemos numa ditadura”, garante outro católico. O bispo Guo aceitará qualquer decisão do Pontífice “se a vemos por escrito e com o selo oficial”, esclarece um clérigo da catedral.

Nem o Sinédrio, nem Judas Iscariotes ousaram deixar seu pacto por escrito.

Cena de um 'processo popular comunista'
na Revolução Cultural. Por ele passou o Pe Miao Zishan
Na diocese há outro santuário também numa gruta. É o do Pe. Miao Zishan e fica na aldeia de Shangwan.

O sacerdote foi martirizado em 1968 e o povo conserva seu nome com uma aureola de santidade como a que acompanha a São Pedro de Sanz y Jordá.

Para eles também é um “mártir” e a terra da gruta faz milagres para a saúde.

O sacerdote Miao Zishan foi encarcerado e torturado pelos acólitos do maoísmo que hoje estreitam as mãos da Ostpolitik vaticana.

Ele foi “preso numa jaula” e condenado a prisão perpetua. “Foi acusado em ato público diante de 10.000 pessoas. Só foi liberado quando estava terminal”, relata um residente de Shangwan.

Após Mao a perseguição não parou.

“Nos anos 90, o governo destruiu muitas igrejas. A da minha aldeia (Baihu) se salvou porque a transformamos em casa de retiro.

“Nunca esquecerei que quando era criança vi prender um sacerdote”, rememora.

Mons. Vicente Huang Shoucheng, anterior bispo de Mindong passou 35 anos em prisões e campos de trabalho comunistas. Seu enterro foi apoteótico e os comunistas ficaram impotentes
Mons. Vicente Huang Shoucheng, anterior bispo de Mindong
passou 35 anos em prisões e campos de trabalho comunistas.
Seu enterro foi apoteótico e os comunistas ficaram impotentes
O próprio Mons. Guo Xijin substituiu ao defunto bispo Mons. Vicente Huang Shoucheng, que passou 35 anos recluído em prisões e campos de trabalho comunistas.

Veja mais em: Ante a proibição de enterrar o Bispo com sua mitra, fiéis o coroam com uma mitra de flores


A irmã Lin, freira do povoado de Saiqi denuncia que as restrições do governo prosseguem muito numerosas.

“Põem-te obstáculos na hora de renovar as igrejas ou de construí-las. Na aldeia de Qitou derrubamos a velha igreja para fazer uma nova e nos negaram a licença.

“Temos que rezar sobre os fundamentos. O mesmo aconteceu em Xiapu”.

Os fiéis se mostram submissos aos desígnios papais, mas na sua maioria estão “abalados, tristes e deprimidos”, segundo Ren Yanli, investigador da Academia de Ciências Sociais da China.

“Preocupa-nos ver que a autenticidade da fé está sendo danificada”, admite Lin, a freira de Saiqi.

“Rezem por nós”, implora antes de se despedir.

Quem no Vaticano ou na CNBB está rezando por esses pobres católicos, acossados injustamente, traídos pelos maus pastores, mas abençoados pelo Juiz supremo e Pastor dos pastores, Nosso Senhor Jesus Cristo?