Pesadelo chinês

O Test behind the Great Firewall of China, confirmou mais uma vez que nosso blog ESTÁ BLOQUEADO NA CHINA. A máquina repressiva impede o acesso em Pequim (confira); em Shangai (confira); e agora em Guangzhou (confira). Hong Kong é a exceção (confira). Enquanto Pequim não cobrar medidas coercitivas dos seus correligionários brasileiros ou da Teologia da Libertação, este blog continuará na linha católica anti-comunista, pelo bem do Brasil. MAIS

terça-feira, 23 de julho de 2019

O longo e glorioso martírio de católicos na China – II

Reforma agrária foi um instrumento de luta de classes contra os patrões
Reforma agrária foi um instrumento de luta de classes contra os patrões
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Continuação do post anterior: O longo e glorioso martírio de católicos na China – I



A malfadada e radical Reforma Agrária

Como os comunistas são ateus e igualitários, procuraram subverter toda a ordem social então vigente, a fim de adaptá-la à sua ideologia.

Iniciaram então uma Reforma Agrária radical, pois para eles — como para os petistas e o MST hoje no Brasil — os proprietários rurais não passam de sanguessugas e inimigos do povo, “a escória da sociedade antiga”.

O regime instigava por todos os meios, principalmente pela luta de classes, a eliminação dessa categoria “perniciosa”.

Segundo cálculos dignos de fé, durante a implantação da Reforma Agrária foram mortas mais de dez milhões de pessoas.

Veremos adiante outros efeitos dessa perversa política comunista para assegurar o seu poder totalitário.

Luta de classes como meio para implantar o comunismo

Conta o Pe. João Huang Yongmu, um dos biografados no livro em foco, testemunha e vítima desse violento processo, que passou mais de 25 anos em prisões e campos de trabalho forçado:

“Nossas igrejas foram transformadas em salas de palestras, ‘centros de reeducação’ e fóruns para acaloradas discussões sobre os programas da reforma agrária.

“[...] Podia-se dizer que já tínhamos adivinhado o diabólico plano dos comunistas contra a Igreja Católica.

“O primeiro passo foi o de controlá-la; o segundo foi de restringir suas atividades, de modo a destruí-la completamente.

“Algumas pessoas não viam claramente o que estava começando a acontecer.

“Eram otimistas e inclinadas a dizer que o comunismo chinês era diferente do russo.

“Mas isso era uma fábula contada por estrangeiros” (pp. 94-95).

E acrescenta com muita propriedade: “A Reforma Agrária provocou uma luta de classes extremamente violenta, colocando os chineses uns contra os outros.

Milhões de homens foram enviados como escravos para obras de infraestrutura
Milhões de homens foram enviados como escravos
para obras de infraestrutura
“Os comunistas queriam uma sociedade igualitária, e desse modo começaram a reduzir tudo ao nível de uma única classe.

“Rendas e interesses foram abolidos.

“Os proprietários de terra eram sujeitos a ‘julgamentos populares’ e a rudes críticas.

“As terras foram divididas, e os lavradores podiam pilhar as casas e os bens dos proprietários.

“As ‘ovelhas negras’ — aqueles que, em outras palavras, se opunham a esse terrível programa — eram expostas ao público e criticadas.

“[...] De acordo com a doutrina de luta de classes comunista, quem é rico está errado e, portanto, deve ser punido” (p. 96).

Essa é, aliás, a mentalidade dominante em amplas áreas do atual governo brasileiro, que atiça uma luta de classes e de raças segundo o estilo “nós contra eles”.

Destruição da família, obstáculo à revolução comunista

Girolamo Fazzini, organizador da edição que analisamos, escreve que entre 1958-1962 — “os trágicos anos do ‘Grande Salto para Frente’,” segundo o jargão comunista —, “Mao Tsé-Tung visava alcançar a radical transformação da economia e incrementar a produção industrial maciça, em particular a produção de aço.

O tradicional tecido social chinês, baseado na família e na vida da aldeia, é revolucionado com o estabelecimento das ‘comunas populares’, com as quais o regime comunista tenta coletivizar cada aspecto da vida dos agricultores”. (p. 317)

Instituídas oficialmente em agosto de 1958, “essas comunas não seriam supressas senão no começo dos anos 80.

“As consequências dessa desastrosa campanha foram sentidas principalmente na agricultura.

“A derrubada dos métodos tradicionais causou um drástico declínio na produção agrícola e no controle da terra arável, resultando na morte de pelo menos 40 milhões de chineses (existiria um documento interno do Partido que fala sobre cerca de 80 milhões de mortes por ‘causas não naturais’)”. (p. 317)

Sistemática perseguição à Igreja Católica

As igrejas invadidas viraram depósitos do partido. Cartaz de Mao Tsé Tung no pórtico.
As igrejas invadidas viraram depósitos do partido.
Cartaz de Mao Tsé Tung no pórtico.
A perseguição à verdadeira Igreja de Cristo foi inexorável desde o início da era comunista.

Já em 1951, para mais eficazmente controlar as religiões, o governo criou um órgão específico, que fechava seminários, confiscava hospitais, escolas e asilos dirigidos pela Igreja.


Num golpe de força, em 1955 os comunistas aprisionaram o destemido bispo de Xangai, Dom Inácio Kung, bem como muitos de seus sacerdotes e leigos pertencentes à Legião de Maria (que foi considerada ilegal e subversiva).

Dom Inácio passaria 30 anos na prisão, muitas vezes na solitária.(3)

Em agosto de 1957 foi fundada pelo governo comunista a Associação Patriótica dos Católicos Chineses, organização títere do regime, a única a ter voz e vez em matéria de catolicismo, com o fim de confundir e desviar a população católica.

Vale lembrar que representantes dessa malfadada Associação comunista e cismática vieram se aconselhar com altos representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) anos atrás...

A sinistra “Revolução Cultural” incitada por Mao Tsé-Tung

Para mais eficazmente revolucionar de alto a baixo toda a sociedade tradicional chinesa, Mao Tsé-Tung iniciou, com a “Circular de 16 de Maio” de 1966, a proletária Revolução Cultural.

Visava ele eliminar assim todos os remanescentes dessa antiga sociedade através de uma mudança abrupta e total de mentalidade segundo a filosofia comunista.

Sobre o significado desta “revolução” escreve o Pe. João Huang, baseado em sua própria experiência:

“Durante o verão de 1966, a furiosa perseguição da Revolução Cultural espalhou-se através do país como um incontrolável incêndio numa floresta, com atos de violência e vingança sem precedentes.

“Nunca, na história da China, se ouvira falar em tais atos de crueldade: uma perseguição de vastas proporções, que destruía tudo e promovia sangrentas flagelações, torturas e mortes.

“Toda a nação foi lançada num enorme redemoinho de imenso sofrimento.

“A assim chamada Revolução Cultural nada tinha a ver com a verdadeira cultura; ao contrário, seu propósito era destruir a cultura chinesa antiga.

“Essa revolução foi pior do que as catástrofes naturais comuns, como pragas e terremotos, porque era causada pelo homem” (p. 128).

“Revolução Cultural” e destruição da alma humana
Fiéis proibidos rezam ajoelhados na rua
Fiéis proibidos rezam ajoelhados na rua

Comentando sobre o mesmo tema, Li Daoming, autor da vida do Pe. José Li, também vítima dessa revolução, observa:

“A Revolução Cultural lançou o país num caos completo e absoluto.

“Ninguém mais trabalhava.

“Jovens e velhos, sem distinção, passavam todo o tempo em ‘reuniões de massa’ ou em ‘sessões de luta de classes’”.

No fundo, em agitações tão ao gosto dos mal chamados Movimentos Sociais que atuam no Brasil, cujo representante máximo, João Pedro Stédile, foi duas vezes convidado, recebido e promovido pelo Vaticano... (vide “Encontro Mundial de Movimentos Populares no Vaticano”, Catolicismo dezembro/2014).

As pessoas que tivessem qualquer vislumbre conservador “eram arrastadas à força e colocadas em plataformas diante da multidão, sendo alvo de torrentes de acusações e todos os tipos de agressões.

“Pouco importava que as acusações fossem contraditórias ou sem base; os acusados deviam, de qualquer modo, permanecer de pé, imóveis, enquanto cada detalhe de sua vida privada era dado a conhecer a todos.

“Entre os muitos incapazes de suportar a violência desse linchamento moral, vários chegaram a enlouquecer, enquanto outros cometeram suicídio.

“Não está longe da verdade afirmar que nesses anos o país inteiro se transformara num colossal manicômio.

“[...] A Revolução Cultural espalhou tal clima de desconfiança e suspeição, que ameaçava sufocar completamente até mesmo o pouco de bondade natural inerente a cada ser humano” (pp. 194-195).

Não é para isso que caminhamos com as novas políticas do governo brasileiro? É uma pergunta que se impõe.

E conclui: “Em 1974, a desordem e a confusão continuaram a prevalecer no país.

“À medida que a Revolução Cultural progredia, só os mais rudes, os mais arrogantes e os insensatos conseguiam permanecer no poder.

“O comum dos cidadãos tinha que aprender rapidamente a escolher cuidadosamente suas palavras e ser muito cauto.

“As pessoas procuravam esconder suas próprias opiniões até dos parentes mais próximos.

“Ninguém ousava tomar uma iniciativa pessoal; todo mundo se limitava a fazer somente o que tinha sido ordenado ou permitido por aqueles no poder”. (p. 203)


Continua no próximo post: O longo e glorioso martírio de católicos na China – III



terça-feira, 16 de julho de 2019

O longo e glorioso martírio de católicos na China – I

Funeral de Mons. Xue-Yan Fan, antigo bispo de Baoding. Seu corpo com muitos ossos quebrados, foi despejado, envolto em plástico
Funeral de Mons. Xue-Yan Fan, antigo bispo de Baoding.
Seu corpo com muitos ossos quebrados,
foi despejado, envolto em plástico
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Em pleno século XXI, continua a cruel perseguição religiosa na China comunista de que estamos transmitindo informações que chegam no Ocidente.

Inúmeros católicos, religiosos e leigos, estão testemunho da Fé, padecendo por isso sofrimentos indizíveis, às vezes a própria morte.

Essa perseguição é o desdobramento daquela iniciada durante a “Revolução Cultural” de Mao Tsé-Tung, e hoje é continuada pelo regime de Xi Jinping com conivências inimagináveis da diplomacia vaticana.

Que os corajosos exemplos desses novos mártires fortaleçam a nossa Fé. E nos estimulem a serem como eles, resistindo e progredindo contra todas as forças do mal, humanas e infernais, postas em ação.

Hoje em dia muito se fala (e de boca cheia) a respeito da China.

Louva-se o seu formidável desenvolvimento econômico e técnico (ao menos aparente), bem como sua expansão pelo Ocidente.

Entretanto, fala-se pouco ou praticamente nada sobre o regime que a domina — o comunista.

Sobretudo quase não se fala da sistemática perseguição que tal regime ateu e materialista move contra a Igreja Católica, a única e verdadeira Igreja de Cristo.

A Editora San Paolo, de Milão, Itália, publicou em 2006 um interessante documento intitulado Il Libro Rosso dei martiri cinesi (O Livro vermelho dos mártires chineses), contendo documentos pessoais sobre a cruel e implacável perseguição aos católicos chineses fiéis a Roma.

Embora tais documentos se refiram mais à época de Mao Tsé-Tung, eles conservam sua atualidade, pois a perseguição continua em nossos dias.

É o que afirma o destemido Dom José Zen, Cardeal Arcebispo emérito de Hong Kong, no prefácio do livro.

Depredação e saques das igrejas no início da revolução comunista
Depredação e saques das igrejas no início da revolução comunista
Afirma o purpurado: “O regime comunista, que foi o responsável pelos sofrimentos descritos neste livro, está ainda no poder [...].

“As comunidades [católicas] chamadas de ‘clandestinas’ ou ‘das catacumbas’, que recusam, com boa razão, submeter-se à política religiosa do governo, são continuamente sujeitas a abusos e mesmo a violências, de modo que não seria exagerado falar, nesses casos, de perseguição”.

E acrescenta: “Devo declarar que, infelizmente, há ainda várias dezenas de bispos, sacerdotes e leigos detidos em prisão domiciliar ou em prisões comuns.

“Inclusive há alguns de nossos irmãos bispos dos quais há anos que não se tem notícia”.

“Livro Vermelho dos Mártires Chineses”

Por isso pareceu-nos útil apresentar alguns aspectos desse livro, muito atuais em relação ao Brasil, onde está em andamento uma verdadeira revolução que, embora guardando aparências democráticas, é de cunho marxista.

Basta lembrar, por exemplo, o decreto 8.243, visando introduzir as famigeradas comunas populares — verdadeiros sovietes semelhantes ao Parlamento Comunal de Chaves e Maduro — a serem controladas pelos “movimentos sociais”, tão bafejados pelo PT.

Nosso objetivo é também informar os leitores sobre o que ocorre com os nossos irmãos da fé na tão badalada China, e propor-lhes que rezem pela sua perseverança.(1)

Como alerta o editor do referido livro, a não ser o relato dos sofrimentos e da morte de trinta e três monges trapistas, vítimas do terror comunista, que mencionaremos adiante, “no estrito senso do termo, nenhum dos eventos aqui registrados foi reconhecido solenemente pela Igreja como um ‘martírio’”.

Entretanto, o leitor reconhecerá isso imediatamente: os horríveis sofrimentos padecidos pelos protagonistas dessas histórias, a paciência evangélica com a qual os aceitaram e enfrentaram, e o fiel testemunho de Cristo de que deram mostra, garantem que todos eles têm boa razão para serem incluídos no Livro Vermelho dos Mártires Chineses (p. 22).

O martírio dos religiosos da Ordem Trapista

Profanação das igrejas
Profanação das igrejas
Com efeito, dois dos biografados — os padres Tan Tiande e Huang Yongmu — passaram respectivamente 30 e 25 anos de terríveis sofrimentos em prisões e campos de trabalhos forçados, constantemente sujeitos a “julgamentos populares”, sessões de “reeducação” e maus tratos.

Também tiveram que sofrer muito por sua fidelidade à verdadeira Igreja a jovem Gertrude Li Minwen e o Pe. Li Chang, razão pela qual são mencionados no livro.

Entretanto, mais impressionante é o relato dos sofrimentos e do martírio dos monges trapistas de Yangjiaping, cujo mosteiro havia sido fundado em 1883 por um abade trapista francês.

Seu florescimento em terras chinesas foi tal, que chegou a ter 120 membros, abrindo uma trapa (convento) perto de Pequim.

A perseguição começou no ano de 1947, com a chegada das tropas comunistas.

A comunidade de Yangjiaping tinha então 75 membros, 18 dos quais eram sacerdotes — cinco estrangeiros e os demais chineses.

Incitados pelos comunistas, os aldeões, que mantinham até então muito boas relações com os monges, começaram a hostilizá-los.

O mosteiro foi pilhado repetidas vezes e finalmente incendiado.

Os monges foram todos aprisionados e sujeitos a inúmeros “julgamentos populares tumultuosos, exaustivos interrogatórios e tortura desumana”.

Obrigaram-nos depois a participar de uma marcha sem fim, acompanhando como mulas de carga o exército comunista, cujas provisões e armas carregavam.

Como a maioria dos monges era constituída de idosos ou doentes, muitos expiraram no caminho.

Seis deles foram sumariamente executados. No final, 33 morreram, vítimas do ódio dos sem-Deus.

Parte do Corpo Místico de Cristo que é a Igreja

Qual é o interesse desse relato para nós? É ainda o Cardeal Zen quem afirma no prefácio:

“Os confessores e mártires da Igreja da China pertencem à Cristandade como um todo, e é nosso dever, bem como nosso direito, apresentar seus testemunhos, para que possam alimentar a fé dos cristãos através do mundo”.

Afirmação absolutamente cheia de sentido, pois eles fazem parte do Corpo Místico de Cristo que é a Igreja.

Alguns dados sobre a perseguição anticatólica

Nossa Senhora imperatriz da China, Auxílio dos Cristãos
Nossa Senhora imperatriz da China, Auxílio dos Cristãos
Em meados dos anos 40 do século passado, as forças nacionalistas de Chiang Kai-Shek lutavam contra as tropas comunistas de Mao Tsé-Tung.

À medida que as tropas vermelhas conquistavam terreno, sistematicamente perseguiam os católicos da região.

No dia 1º. de outubro de 1949, tendo os comunistas dominado a situação, eles proclamaram a República Popular da China.

Nessa época já havia cerca de três milhões e meio de católicos chineses.(2)

Imediatamente os comunistas iniciaram uma violenta campanha de ateização e uma implacável repressão às forças “contra-revolucionárias”, em especial à Igreja Católica, qualificada pelos “vermelhos” de “títere do Vaticano”.


Continua no próximo post: O longo e glorioso martírio de católicos na China – II


terça-feira, 9 de julho de 2019

A China made in USA

Xi Jinping diz a Mourão que China e Brasil devem se ver como oportunidade (Veja, 24.5.19)
Xi Jinping diz a Mourão que China e Brasil devem se ver como oportunidade (Veja, 24.5.19).
Enquanto isso, a China estende a 'rota da Seda' para dominar até o Brasil



A recente viagem do general Hamilton Mourão à China foi precedida pela ampla divulgação do conceito — à maneira de um slogan talismânico — de que “a China é o nosso maior parceiro comercial”.

Vão na mesma linha as declarações do presidente chinês Xi Jinping:

“Os dois lados devem continuar discutindo com firmeza as oportunidades e os parceiros um do outro para o seu próprio desenvolvimento, respeitando-se, confiando um no outro, apoiando-se mutuamente e construindo as relações China-Brasil como modelo de solidariedade e cooperação entre os países em desenvolvimento”, escreveu “Veja”.

Tais afirmações dão ensejo a que se esclareça um aspecto do problema, sobre o qual as novas gerações geralmente não estão informadas.

A mídia gosta de apresentar a China como segunda potência mundial, dando a entender que sua industrialização e seu crescimento têm como causa, propulsão e continuidade a aplicação dos princípios comunistas.

Nada mais falso e contrário à realidade histórica, pois os verdadeiros motores da industrialização chinesa foram o capitalismo ocidental e a aproximação com o Japão (em 1972).

Enquanto Mao matava milhões de fome e violência, o presidente NIxon foi lhe entregar um manancial de recursos para tirá-lo da miséria e faze-lo líder de uma potência econômica
Enquanto Mao matava milhões de fome e violência,
o presidente NIxon foi lhe entregar um manancial de recursos
para tirá-lo da miséria e faze-lo líder de uma potência econômica
Vamos aos fatos. Em 1972, o presidente americano Nixon — que se elegeu em nome do anticomunismo yankee — empreendeu a chamada détente, que numa abordagem rápida poderia se traduzir por abertura aos países comunistas, sobretudo Rússia e China.

Assim, Nixon empreendeu “sensacionais” viagens à Rússia e à China, trombeteadas e aplaudidas pela mídia.

Em 1972, assim se exprimia o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em artigo na “Folha de S. Paulo” (1º-10-1972):

“Não poderia a China aspirar ao controle da Ásia?

“Extensão territorial, população superabundante, apetite de conquista não lhe faltam.

“Mas ser-lhe-á necessário ainda, para tão grande cometimento, um potencial industrial e bélico considerável.

“E o regime comunista não lhe deu nem uma nem outra coisa.

“A China comunista só poderá desenvolver-se e alçar-se à condição de superpotência imperialista com o concurso de uma nação capitalista de grande importância”.

Os fatos superaram essas previsões, pois além dos EUA e do Japão, várias outras nações montaram fábricas na China, inclusive o Brasil.

Prosseguem os comentários do Prof. Plinio:

Nixon inaugurou a 'distensão' com um regime marxista
que matou mais de cem milhões de seus cidadãos,
segundo o Livro Negro do Comunismo
“Ora, a única possibilidade de a China receber tal apoio de uma nação capitalista consistiria numa completa reformulação de suas relações com o Japão [Lembramos que o comentário é de 1972, quando o Japão tinha um gabinete conservador e anticomunista].

“Segundo a ordem natural das coisas, nada seria mais impraticável.

“As violentas rivalidades entre os dois povos amarelos, agravadas pela implantação do comunismo na China, tornaram intransponível a distância política entre os dois países.

“Pois o Japão se manifestou sempre cioso de evitar o contágio da lepra vermelha.

“Mas Nixon — deliberado a desmantelar inexoravelmente o sistema anticomunista do Extremo Oriente — ainda desta vez favoreceu o jogo chinês.

“Em entendimentos diretos com Tóquio, fez saber que o Japão não perderia o apoio dos EUA no plano comercial, se se aproximasse resolutamente da China.

“E, como era natural, no Japão o derrapamento para a esquerda começou.

“Como todos sabem, o gabinete conservador foi substituído por outro, de matiz esquerdista.

“O novo governo tratou, desde logo, de aproximar-se da China. E daí resultou a visita do premier nipônico Tanaka a Pequim.

“Tanaka, por sua vez, não cessa de manifestar sua humildade ante os anfitriões chineses.

Primeiro ministro japonês Tanaka cumprimenta Mao Tsé-Tung. Após Nixon, os líderes dos países ricos foram abaixar a cabeça em Pequim
Primeiro ministro japonês Tanaka cumprimenta Mao Tsé-Tung.
Após Nixon, os líderes dos países ricos foram abaixar a cabeça em Pequim
“Em sua visita a Mao Tsé-Tung, reconheceu a ‘culpa’ do Japão pela agressão à China, elogiou rasgadamente Chou Enlai, a hospitalidade chinesa, e até a comida chinesa.

“E ainda compôs um poema sobre o reatamento com Pequim”. (Íntegra do artigo)

* * *

Em artigo anterior para a “Folha de S. Paulo” (17-10-71), o Prof. Plinio havia advertido:

“Com a já inevitável entrada da China vermelha no Conselho de Segurança da ONU, o poder norte-americano perde um ponto nesse supremo cenáculo da política mundial”. (Íntegra)

E hoje temos diante dos olhos a confirmação, pois a entrada da China no Conselho de Segurança da ONU, ao lado da Rússia, é um poderoso trunfo, por exemplo, para vetar em nossos dias ações contra a Venezuela do ditador Maduro.

Estamos falando de fatos históricos. Em 1972, época da viagem de Nixon, o PIB da China era de apenas US$ 113,7 bilhões.

Foi necessário um investimento gigantesco das potências ocidentais — do novo continente, da Europa, do Japão e de Taiwan, entre outras — além de enorme campanha midiática de desmobilização da opinião pública do mundo livre face ao comunismo, a qual é o fruto natural da détente.

Sejam as vítimas de direita, centro ou esquerda “Mao previa uma situação na qual,
‘os Partidos Comunistas do mundo inteiro acreditarão em nós’.
A China então poderia se apresentar como ‘centro da revolução mundial’.”
(Jung Chang e Jon Halliday, “Mao”, Gallimard, Paris, 2005, págs. 500-501).
Para isso, o cristianismo deverá ser extinto.
Portanto, a atual riqueza da China não é fruto (da aplicação) dos princípios comunistas, e sim de uma velhaca manobra de concessão, ou abertura, aos princípios capitalistas de livre iniciativa e propriedade privada.

Ou seja, exatamente a aplicação daquilo que a doutrina comunista nega, combate e reprime.

Dizemos intencionalmente concessão, porque o comunismo, sendo antinatural, é contrário ao direito de propriedade e à livre iniciativa.

Cumpriu-se assim a previsão de Plinio Corrêa de Oliveira, de que o desenvolvimento da China precisaria do “concurso de uma nação capitalista de grande importância”.

A História mostra que houve o concurso de várias nações capitalistas, inclusive do Brasil.

Este é o segredo da tão festejada segunda potência econômica mundial, que paradoxalmente é também a primeira em violação dos direitos humanos.

Mas isto a mídia cúmplice não conta.


terça-feira, 2 de julho de 2019

“Rota da Seda” e nova ordem global
sob chefia chinesa

Agência putinista Sputnik anunciou com agrado a inclusão do Peru
Agência putinista Sputnik anunciou com agrado a inclusão do Peru
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Pode uma via poética mas riquíssima do passado se transformar numa espécie de superautoestrada para consolidar a hegemonia totalitária de Pequim?

Na aparência são coisas incompatíveis. Entretendo, a cúpula marxista chinesa pensa diferente.

O plano tem um nome antigo e poético, mas pode encravar sua faca até a costa atlântica brasileira.

O belo nome antigo é “Rota da Seda” que constituiu durante milênios uma série de percursos interligados através da Ásia por onde transitava o comércio da seda e outras preciosidades entre o Oriente e a Europa.


Caravanas de toda espécie e tamanho ou até embarcações oceânicas, quando circulavam pelo Pacífico e pelo Índico, ligavam comercialmente o Extremo Oriente e a Europa.

Investimentos chineses no mundo
Investimentos chineses no mundo
O ponto de partido era na cidade de Xiam, capital durante séculos do império chinês, e célebre por seu exército de terra-cota entre outras obras de arte.

As caravanas chegavam por diversos caminhos até Antioquia, na Ásia Menor, dominadas pelo menos na metade final por tribos nômades islâmicas que faziam sua riqueza.

Foi a maior rede comercial do Mundo Antigo.

Em Antioquia encontravam as naus de Veneza, rainha do Mediterrâneo, que também fazia seu fasto e imenso lucro.

Até que Portugal deu a volta na África e dominou o comércio com o Oriente. Nos séculos seguintes foi superado pela Inglaterra que passou a ser a rainha dos mares e a dominadora do intercambio econômico com o Oriente.

Mas, hoje Pequim anseia recriar uma nova “Rota da Seda” que obviamente não vai trazer magníficas sedas, mas pretende ser um instrumento de hegemonia comercial planetária.

Nova Rota da Seda, projeções
Nova Rota da Seda, projeções
A China está realizando crescentes aquisições de empresas e imóveis no exterior, inclusive no Brasil.

Investe pesadamente em energia e, onde lhe permitem, em terra, subsolo, agricultura. E o faz globalmente.

Os investimentos são particularmente visíveis na África, mas os principais destinos dos capitais pequineses na última década foram EUA, Austrália, Canadá e Brasil.

E isso não é ingênuo ou inocentemente comercial. Quando a imensa rede da nova “Rota da Seda” chegar encontrará os clientes já preparados, chineses eles próprios.

China está tomando conta da infraestrutura africana e mira o mundo.
China está tomando conta da infraestrutura africana e mira o mundo.
A estratégia gera agudas preocupações. Teme-se uma competição e desindustrialização não só desleal, mas conquistadora.

Governos sensibilizam-se com eventual perda de soberania sobre recursos naturais.

Trabalhadores ressentem-se do estilo escravizante com que os chineses exploram a seus empregados-escravos.

O Fundo da Rota da Seda e o investimento estatal e privado no exterior por parte do marxismo chinês já foi comparado a um “Plano Marshall chinês”.

Porém, o nome é exageradamente dissimulado. Poderia ser chamado de “Plano Mao Tsé Tung de conquista do mundo”.

“O que Mao cuidava bem de não esclarecer era a natureza essencialmente militar desse plano, a qual iria ficar escondida, e ainda é muito pouco conhecida na China de hoje. (...)

“O objetivo de Mao era que a China se tornasse uma superpotência para que quando ele falasse o mundo inteiro ouvisse”. (Jung Chang e Jon Halliday, “Mao”, Gallimard, Paris, 2005, 843 págs. 414)

Xi JinPing: a China está disposta a jogar com quem aceitar entrar na manobra.
Xi JinPing: a China está disposta a jogar com quem queira entrar na manobra.
A nova Rota da Seda é o mais ambicioso projeto geopolítico do governo chinês que está saindo do papel, é a grande aposta de Pequim se tornar o poder global hegemônico, escreveu já há tempos a Folha de S. Paulo. 

Pequim não cogita em caravanas de camelos para fazer os 8.000 km aproximadamente entre Xiam e Veneza, mas numa ampla rede de ferrovias, estradas, oleodutos e cabos de fibras ópticas, entre outros.

Pequim criou um fundo de US$ 40 bilhões, e confia na participação de outros 21 países que forneceriam um capital de US$ 50 bilhões.

A Rússia é uma das maiores esperanças.

Segundo o sinólogo David Kelly, a nova Rota da Seda é fruto de uma decisão do mais alto nível na hierarquia comunista, só estabelecida pelos líderes máximos, como Mao Tse-Tung e Deng Xiaoping, hoje Xi Jinping. “É como uma bula papal, não pode ser contestada”.

Em alguns mapas prospectivos a nova Rota da Sede já aparece atravessando de lado a lado o Brasil, entrando pelo Peru, para plasmar a ordem internacional maoista do século 21.

A magnitude dos investimentos chineses no nosso continente visa essa integração sob o látego pequinês.


terça-feira, 25 de junho de 2019

Comunismo reforma a Bíblia
que fica parecendo Teologia da Libertação

Igreja católica 'clandestina' antes de ser fechada pelo comunismo em Shijijiayuan
Igreja católica 'clandestina' antes de ser fechada pelo comunismo em Shijijiayuan
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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O Partido Comunista Chinês – PCC prossegue a toque de caixa a campanha para erradicar qualquer religião e, mais especialmente, a católica.

Uma das suas últimas medidas para matar o catolicismo, paradoxalmente, trouxe uma lição para nós.

Em 21 de maio 2019, dois concílios convocados pelo governo na província oriental de Shandong ordenaram ao clero cristão incluir a ideologia socialista nos sermões, noticiou “Infocatólica” com matéria de “Bitter Winter”.

Trata-se de um Plano de Implementação que exige quatro requisitos religiosos a serem obedecidos em toda parte.

Pelo primeiro deles, o clero é forçado a reforçar nos crentes a convicção ideológica socialista nas atividades religiosas comunitárias e na vida diária para que a ideologia acabe entrando nas mentes das pessoas.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Dois milhões em Hong Kong contra sequestro “legal” de opositores

Angústia em Hong Kong o sistema ditatorial comunista parece próximo
Angústia em Hong Kong o sistema ditatorial comunista parece próximo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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política internacional,
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Por volta de dois milhões de cidadãos de Hong Kong saíram às ruas vestidos de preto no domingo 16 contra o projeto de lei que autoriza extradições para a China continental, segundo noticiou a “Folha de S.Paulo” e a imprensa nacional e internacional.

A populosa e rica cidade de Hong Kong vive um lento, mas incoercível processo de transição político-econômica. Todos os poderes que outrora estavam nas mãos do Reino Unido estão sendo transferidos a Pequim.

Um acordo de 1984 transferiu a soberania a Pequim em 1º de julho de 1997, mas com a condição que a cidade seria uma Região Administrativa Especial com a fórmula “um país, dois sistemas” com liberdade de imprensa.

Sob o amparo dessa fórmula ambígua, o regime comunista ousa cada vez mais violando as liberdades que ficam na cidade. Entre múltiplos delitos internacionais praticou o sequestro de oposicionistas que foram recluídos em cárceres marxistas no continente.

No momento atual, Carrie Lam, governadora de Hong Kong, promove um projeto que autoriza extradições para a China continental.

Quase dois mihões de habitantes de Hong Kong pedem o fim das extradições a China.
Quase dois mihões de habitantes de Hong Kong pedem o fim das extradições a China.
Considerados os sequestros já praticados sem lei, qualquer autorização de descontentes chineses é percebida como o fim da liberdade de expressão e extensão do regime repressivo que vigora no continente.

O protesto foi tão grande e indignado que a governadora anunciou que daria marcha ré.

Até o Ministério das Relações Exteriores da China preferiu apoiar essa decisão a fim de “escutar mais” as opiniões e “reestabelecer a calma” no território. Mas isso soou a recuar um passo para depois dar um pulo mais feroz para frente.

O governo britânico parabenizou sua ex-colônia pelo recuo que salvaria os direitos humanos dos cidadãos, afirmou o chanceler em Londres Jeremy Hunt.

A proposta da lei de extradição provocou críticas de países ocidentais, porque temem que seja a via para julgamentos ideológicos na China. Também temem que a reforma prejudicará a imagem internacional do território semi-autônomo que, na prática, deixaria de ser livre.

Os protestos em anos recentes contra outros passos de corrosão da liberdade foram muito intensos, mas os atuais foram os mais violentos em décadas.

Cfr.: Hong Kong: imensa multidão lembrou massacre de Tiananmen

Hong Kong protesta pelo esfaqueamento de um jornalista dissidente

Durante a semana a polícia aplicou uma violenta repressão no próprio centro financeiro, que é o coração da cidade.

Não ao regime comunista de Pequim em Hong Kong.
Não ao regime comunista de Pequim em Hong Kong.
A tropa disparou balas de borracha e usou bombas de gás lacrimogênio contra civis desarmados e pacíficos.

No sábado 15, a própria Lam disse estar profundamente arrependida e prometeu reativar a comunicação com a sociedade e ouvir diferentes opiniões.

Mas isso não foi achado suficiente, a reação popular exige que Lam retire definitivamente o projeto de lei.

Acresce que, como escreveu Philip Bowring, colunista do jornal South China Morning Post, a governadora Carrie Lam é um modelo de “trair as ideias ou o pessoal que a apoiou no passado, segundo registrou o jornal espanhol “El Mundo” sob a sugestiva manchete “Carrie Lam: rogando a Deus e obedecendo a Pequim”.

Piora a imagem de falsidade de Lam o fato de ser católica de tipo colaboracionista com o comunismo.

“Aqui temos a Lam, escreve Bowring, um produto da igreja católica, (...) que trai as expectativas do povo se convertendo em porta-voz e agente do autocrata antirreligioso que comanda o Partido Comunista Chinês”, Xi jin Ping.

Lam é ex-aluna de colégio católico, como também foi Dilma Rousseff, e explorou esse passado para ser eleita chefe do gabinete autonômico de Hong Kong com o apoio de Pequim.

“Desde o primeiro dia disse que esta é uma oportunidade que Deus me concede”, arguiu ela.

Quando Deus me chamou para me dizer que precisavam de mim para continuar servindo a Hong Kong, respondi”, disse com palavras que são lembradas como obras primas da hipocrisia de quem está levando a cidade para o comunismo, tal vez o mais ditatorial da terra.

A pró-comunista Carrie Lam explora seu catolicismo colaboracionista. Na foto com o novo arcebispo de Hong Kong D Michael Yeung (esq.)
A pró-comunista Carrie Lam explora seu catolicismo colaboracionista.
Na foto com o novo arcebispo de Hong Kong D Michael Yeung (esq.)
Seu passado ideológico esquerdista é evocado, mencionando seu ativismo apaixonado pelas “causas sociais” em seu tempo de Universidade.

Lam se empenhou a fundo para angariar a confiança das autoridades do Partido Comunista Chinês.

Sua cumplicidade com o comunismo e tão íntima que a pôs em risco de prejudicar sua imagem astuciosamente construída, quando apoiou a causa pró-comunista durante a Revolução dos Guarda-chuvas em 2014.

Cfr. “Revolução dos guarda-chuvas” enfrenta repressão

Em apenas dois anos à testa do governo autonómico, Lam bateu os recordes de animadversão popular de seu predecessor, Leung Chun-ying, sendo objeto de incisivos impropérios nas ruas de Hong Kong.

É tida como responsável pela acelerada degradação das liberdades locais patenteada na desqualificação de políticos dissidentes, na negativa a renovar o visto ao correspondente do Financial Times e controvertidos projetos ferroviários que deixariam a cidade à mercê de uma invasão partida do território dominado pela foice e o martelo.

Lam vem usando slogans melífluos, no estilo de seu modelo Xi Jin Ping, como “sarar a divisão social” e “unir a sociedade para avançar”.

Melúrias insinceras que o ditador de Pequim aplica com crueldade contra seus opositores.

Essas frases são, segundo “El Mundo” , uma amostra acabada da “defasagem manifesta que existe entre sua dialética e suas ações, e entre sua invocação ao Altíssimo e sua devoção ao poder de Pequim”.


terça-feira, 11 de junho de 2019

Comunismo chinês teme
até os mártires enterrados

Policiais uniformizados bloqueiam quem entra na aldeia para venerar o túmulo do bispo mártir
Uniformizados bloqueiam quem entra na aldeia para venerar o túmulo do bispo mártir
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









Quando no último dia 13 de abril (2019) os fiéis foram visitar o túmulo de Mons. Pedro José Fan Xueyan (1907-1992), ex-cardeal da diocese de Baoding, província de Hebei, se depararam com um obstáculo que para nós é inacreditável.

Mas não assim para eles. É policialesco e agressivo, mas é frequente no socialismo.

Este ano, duas viaturas de polícia com telecâmeras de vigilância e espionagem instaladas no teto, bloqueavam a estrada, informou Bitter Winter.

Os policiais interrogavam os transeuntes que iam para a cidade: “se vais procurar vossos parentes podeis passar. Mas se vais a visitar o túmulo, então não podeis”.

Segundo um dos fieis do local, também havia agentes do governo uniformizados fazendo guarda em volta da pobre sepultura do bispo.

Mais um posto de controle e bloqueio foi montado na entrada da aldeia de Xiaowangting onde morou o falecido sucessor dos Apóstolos.

Por volta de 20 policiais com uniformes camuflados garantiam a vigilância em postos de controle ostensivo, analisando cada pedestre que passava.

Um fiel contou que muitos não ousam se aproximar da sepultura de medo das represálias dos agentes do Partido Comunista. Nesse caso, lembram a memória de Mons. Fan com cerimônias no interior de suas casas.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Arrancam estátuas de mártires para que chineses não imitem seu exemplo

Estátuas dos santos mártires Wu, removidas por injunção marxista. Foto Bitter Winter.
Luis Dufaur
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As imagens e monumentos erigidos para comemorar os 120 Mártires chineses são objetivo da sanha marxista na província de Hebei, China, escreveu “Infocatólica”. 

Segundo as denúncias provenientes do continente e veiculadas pelo site Bitter Winter, o regime comunista está demolindo e retirando sistematicamente as estátuas desses mártires modelos de fidelidade a Cristo numa era de perseguição.

Tudo começou em Dongxihetou, diocese de Hengshui, em outubro de 2018. Os fiéis que contribuíram para elaborar as estátuas foram intimidados com o espectro dos cárceres socialistas.

As estátuas comemoravam a São Paulo Wu Anju (1838-1900), São João Baptista Wu Mantang (1883-1900) e São Paulo Wu Wanshu (1884-1900).

O Papa Pio XII proclamou mártires aos três em 17 de abril de 1955 que, aliás eram da mesma família. Por fim, foram canonizados no dia 1° de outubro de 2000.

A violência faz parte de uma generalizada campanha de demolições de símbolos religiosos. Essa visa não somente os católicos ditos clandestinos fiéis a Roma, mas até as imagens da Associação Patriótica Católica (órgão governamental para controlar a Igreja).

O inimigo único são Nosso Senhor, Nossa Senhora, os Santos e todo bem feito pela Igreja Católica.

terça-feira, 21 de maio de 2019

No Calvário carcerário
porque acreditam em Jesus Cristo

Luis Dufaur
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“É o inferno na terra!” assim um cristão descreveu o tempo de “reeducação pelo trabalho” passado num campo de concentração, parte da galáxia carcerária, ou “laogai”, criada pelo socialismo chinês em 1957.

Nesses campos, o regime reclui dissidentes, fiéis de religiões proibidas como o catolicismo fiel a Roma e os “contrarrevolucionários”, reais ou imaginários.

Oficialmente foram abolidos em 2013 para ocidental ver. Mas, na prática estão sendo multiplicados do atual ditador Xi Jinping, em parte para se beneficiar com o produto da “mão de obra escrava” assim recrutada.

Produto que depois é vendido no mundo com preços abaixo de qualquer concorrência.

Bitter Winter entrevistou a alguns ex-presos que relataram a dolorosa experiência do atual sistema.

A situação dos religiosos é pior que a dos demais presos. Para o Partido Comunista Chinês – PCC, o “crime” de acreditar em Cristo é mais grave que roubar, assaltar, incendiar ou assassinar.

As quotas de trabalho diário são enormes, como produzir 3.000 acendedores de cigarros, 1.000 peças de roupa interior, ou 4.000 caixas de fósforos.

Os gerentes de produção aumentam a carga de trabalho segundo os interesses do momento por vezes até os prisioneiros perderem a pele dos dedos, e independentemente da idade ou forças físicas.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Mais relatos emocionantes dos católicos perseguidos sob o acordo Pequim-Vaticano

O povo fiel está vendo a onda de destruição anticristã e os policiais alegando que é em acordo com o Papa
O povo fiel está vendo a onda de destruição anticristã
e os policiais alegando que é em acordo com o Papa
Luis Dufaur
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Transcorridos apenas quatro meses do acordo provisório assinado pelo Vaticano para supostamente suavizar as tensões, o Partido Comunista Chinês – PCC está multiplicando as supressões de igrejas católicas e a perseguição aos fiéis ditos “clandestinos” porque não são obedientes ao comunismo, escreveu o bem informado site Bitter Winter.

O ministro das Relações Exteriores anuncia que Xi Jinping e o Papa Francisco avançam no processo de melhoramento das relações recíprocas. Mas, no interior da China, o PCC está fazendo exatamente o oposto.

Em dezembro (2018), policiais de Taining, na província de Fujian, devassaram uma igreja e prenderam o sacerdote e as religiosas.

A polícia entrou ilegalmente no prédio intimidando as freiras caso não encontrassem o sacerdote. Os fiéis foram humilhados.

Em outubro (2016) a igreja católica de Gucheng, na província de Hebei, foi fechada acusada de ser um “local de encontro sem licença”.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Frotas pesqueiras chinesas pilham os oceanos do planeta, incluindo costas brasileiras

Pesqueiros chineses no porto de Haiku
Luis Dufaur
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Pilhagem dos mares. A expressão pode parecer por demais forte, decididamente exagerada e cheia de preconceito.

Entretanto, ela foi lançada pelo cotidiano parisiense de tendência socialista Le Monde, próximo ideologicamente do regime de Pequim.

De fato, não há outra expressão para qualificar o gigantesco saqueio dos mares pelas frotas de pesqueiros chineses, segundo estudo internacional coordenado pelo renomeado biólogo Daniel Pauly, da Universidade de Columbia-Britânica.

O estudo colocou em números a fabulosa depredação de um recurso alimentar fundamental para o gênero humano, o qual está diminuído de modo preocupante pela descontrolada exploração ordenada pela ditadura de Pequim.

terça-feira, 30 de abril de 2019

O trabalho escravo e o suicidio
no país modelo segundo a Ostpolitik vaticana

Condições de trabalho desrespeitam critérios básicos. Mas Vaticano diz que são modelo de doutrina católica.
Condições de trabalho desrespeitam critérios básicos.
Mas Vaticano diz que são modelo de doutrina católica.
Luis Dufaur
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Em 2014, a China Radio International, controlada pelo estado marxista estimava que 1.600 chineses morriam diariamente por excesso de trabalho.

O jornal oficial China Youth Daily elevava a cifra a 600 mil pessoas por ano, segundo edição da revista Exame da época.

Os números, entretanto, estavam longe das milionárias chacinas empreendidas em nome do desenvolvimento comunista em campanhas grandemente elogiadas pelas esquerdas ocidentais como o Grande Salto Adiante ou – incredibile dictu – as menos assassinas da Revolução Cultural.

O “Livro Negro do Comunismo” calcula um mínimo de cem milhões de mortos pelo comunismo chinês em campos de trabalho forçado, obras faraônicas ou extermínios de classe, raça, cultura ou religião.

Com a modernização da China, as mortes por excesso de exigências laborais continuaram sendo glorificadas como atos heroicos.

Foi o caso de Lin Jianhua, de 48 anos, regulador do sistema financeiro oficial que caiu fulminado depois de passar a noite inteira preparando um relatório.

terça-feira, 2 de abril de 2019

Invasão de telecâmeras
empurra fiéis para catacumbas

A invasão das telecâmeras está forçando os fiéis para se reunir em catacumbas
A invasão das telecâmeras está forçando os fiéis a se reunirem em catacumbas
Luis Dufaur
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A China está instalando um novo sistema de telecâmeras de controle da população em estradas, ingressos das aldeias, denominado “Olhos Aguçados” (“Sharp Eyes”) ou, com maior hipocrisia, “Projeto de neve deslumbrante”, “Xue Liang” em chinês, noticiou “Bitter Winter” com informações da China continental.

O sistema vem se acrescentar ao fabuloso sistema de controle da população facial das cidades denominado “Crédito Social”.

Cfr. Embora não o seja, a ditadura chinesa se parece com a do Anticristo

Nasce a mais requintada ditadura rotulada “crédito social”  

Pentágono: celulares chineses espionam conversas

A nova rede está adaptada às necessidades de controle e repressão nas áreas rurais e já está sendo testada em 50 cidades. O plano que visa a instalação em todo o país foi aprovado em 2016 pelo Comitê Central do Partido Comunista Chinês – PCC.

A ordem do PCC é que até 2020 seja feita a “cobertura completa de todas as regiões, a integração de todas as redes e a disponibilidade instantânea e a controlabilidade em todos os pontos”.

terça-feira, 26 de março de 2019

Índices económicos da China vêm sendo falsificados há anos


Luis Dufaur
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Segundo o think tank americano Brookings citado pelo jornal “Le Figaro” de Paris, o crescimento real da economia chinesa vem sendo falsificado nas estatísticas do governo em dois pontos percentuais por ano.

Também o nível da poupança e os índices de investimento foram inchados.

Os números reais estariam 7% abaixo.

Segundo essa fonte, o PIB chinês verdadeiro estaria 12% por baixo do número oficial.

O estudo foi realizado por dois professores de economia e dois doutorandos das Universidades de Chicago e de Hong-Kong encomendados pelo prestigioso think tank.

terça-feira, 12 de março de 2019

Base espacial chinesa na Patagônia tem fins “não civis”,
diz exército dos EUA

Base chinesa na Patagonia não é só civil, diz exército dos EUA
Base chinesa na Patagonia não é só civil, diz exército dos EUA

Luis Dufaur
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A desproporcionada base espacial que o governo nacionalista-populista de Cristina Kirchner concedeu à China na Patagônia causa cada vez mais preocupação na Argentina e no mundo, como pode se ver em reportagem do jornal portenho “La Nación”.

Teme-se cada vez mais sobre sua verdadeira finalidade. Recentes fatos, como o pouso de uma nave chinesa no lado escuro da Lua multiplicaram os temores.

A base dirigida pelo Exército Vermelho comunista teria também um objetivo militar.

Durante milênios as guerras e as hegemonias imperiais tinham como objetivo supremo o domínio da superfície terrestre.

Em séculos recentes, os impérios coloniais como o inglês privilegiaram o controle dos mares, e dos estreitos que controlam a navegação