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quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Pesca mundial depredada pela China

Barcos pesqueros em Yangjiang, Guangdong
Barcos pesqueiros em Yangjiang, Guangdong
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Após esgotar sem sabedoria os estoques de peixes em suas águas costeiras, a China se jogou a pescar em qualquer oceano.

Para isso, nas últimas duas décadas construiu a maior frota mundial de pesca em alto mar, com quase 3.000 embarcações, cuja presença predatória se faz sentir cada vez mais do Oceano Índico, no Pacífico Sul, das costas da África às da América do Sul, Brasil incluído, registrou longa e pormenorizada reportagem do “The New York Times”.

China não ouve protestos diplomáticos e legais, e essa frota também exerce atividades ilegais, invade águas territoriais de outros países, pratica abusos trabalhistas e captura espécies ameaçadas de extinção.

Em 2017, o Equador apreendeu o Fu Yuan Yu Leng 999, com uma carga ilícita de 6.620 tubarões, muito prezados na China. No verão de 2020, cerca de 300 pesqueiros chineses operavam perto das ilhas equatorianas de Galápagos, e eram responsáveis de quase 99% das capturas na área.

“Nosso mar não aguenta mais essa pressão”, disse Alberto Andrade, pescador de Galápagos. “Estão destruindo os estoques e tememos que no futuro não haja mais pesca”, acrescentou.

Hai Feng 718, barco receptador da pesa ilegal propriedade chinesa
Hai Feng 718, barco receptador da pesa ilegal propriedade chinesa
China encomendou embarcações como o Hai Feng 718, um cargueiro refrigerado construído no Japão em 1996, propriedade da estatal China National Fisheries Corporation.

É um navio-mãe que recolhe toneladas de pescado dos pesqueiros e transporta toda espécie de suprimentos para que navios menores não parem de colher.

Em um ano, desde junho de 2021, o Hai Feng 718 fez o transbordo de 70 embarcações chinesas de pesca menores. Após partir de Weihai, cidade portuária na província de Shandong, foi à zona econômica exclusiva do Equador nas Galápagos, prosseguiu para a costa do Peru, e carregado de peixes congelados, retornou à China.

Em dezembro rumou para o Oceano Índico, fez seu serviço ilegal na costa da Argentina, e voltou às Galápagos.

Entre 1990 e 20 de fevereiro 2022, os barcos chineses de pesca de lula em alto mar passou de seis para 528, e a captura anual de 5.000 toneladas para 278.000.

Pesqueiro chinês de lulas perto das Galápagos em 2021Pesqueiro chinês de lulas perto das Galápagos em 2021
Pesqueiro chinês de lulas perto das Galápagos em 2021
Em 2019, no Pacífico Sul a China era dona de quase todos os barcos de lula, peixe muito bem cotado nos mercados.

Embarcações menores desligam seus transponders para evitar a detecção e disfarçar capturas ilegais. Já existem sinais preocupantes de declínio dos estoques, que preludiam um mais amplo colapso da pescaria.

Na Argentina, uma liminar foi introduzida na mais alta corte do país, mas o governo nacionalista-socialista ideologicamente afim com Pequim, pouco faz para defender os direitos soberanos do país.

Pesqueiros piratas na Indonesia prefrem se afundar a serem pegos com cargas e instrumentos ilegais
Pesqueiros piratas na Indonésia preferem se afundar
a serem pegos com cargas e instrumentos ilegais
Os EUA se comprometeram a ajudar a combater as práticas de pesca ilegais da China, mas o governo populista de Buenos Aires não quis receber nos portos o guarda-costas de alto mar da Guarda Costeira dos EUA designado para a missão.

O consumo de peixe no mundo atingiu o recorde em 2019, mas as populações conhecidas da maioria das espécies de peixes continuam a diminuir, segundo relatório da FAO, órgão da ONU para a Agricultura e a Alimentação.

Após ter jogado na subnutrição a imensa população chinesa e matado a dezenas de milhões de pessoas pela fome da reforma agrária socialista e confiscatória, agora Pequim parece querer repetir a dose macabra pelos mares do mundo inteiro.

Algumas associações ambientalistas protestam, mas a China parece saber que de ali não vai sair nada sério.


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