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terça-feira, 27 de junho de 2017

Igreja supera maior monumento
ao fundador do comunismo chinês

A cruz da igreja de Changsha vai ser a mais alta da China.
A cruz da igreja de Changsha vai ser a mais alta da China.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Crise axiológica ou de identidade em Changsha, berço histórico de Mao Tsé-Tung, fundador do comunismo chinês: está sendo erguida uma igreja de 80 metros de altura, coroada por uma cruz!

É a igreja Xingsha, que supera em dimensões a maior estátua de Mao Tsé-Tung existente em toda a China, erguida a menos de 16 quilômetros no oeste daquela cidade, noticiou “The New York Times”.

Na ilha Tangerina, no rio Xiang, desponta uma monstruosa cabeça em granito, com ombros e sem corpo, para evocar o líder revolucionário.

Ela tem 32 metros de altura, apenas a metade da igreja. Essa disparidade logo na cidade onde Mao passou a juventude e pregou pela primeira vez suas radicais ideias marxistas, enfureceu seus já diminuídos admiradores em toda a China.

A igreja soa como um desafio ideológico ao “herói” fundador da República Popular comunista em 1949. Mao havia culpado o cristianismo de servir de ferramenta do capitalismo imperialista estrangeiro.

Milhares de fãs “vermelhos” destravaram suas línguas em batalhas verbais contra o tamanho e o simbolismo da igreja coroada pela Cruz de Cristo.

“Acolher o cristianismo em grande escala danifica a segurança ideológica de nossa nação”, escreveu Zhao Danyang, do site Grupo Pensante Moralidade Vermelha.

Mas se seus concidadãos compartilhassem sua posição, a igreja não existiria. O problema é que eles dão de ombros para a vetusta pregação maoísta e enchem as igrejas.

Em Changsha, capital da província de Hunan, há por toda parte lembranças de Mao. Os restaurantes oferecem os pratos favoritos dele. Mas a maioria dos habitantes pouco se importa com a reversão histórica em andamento.

Maior monumento a Mao ficou pequeno diante da igreja. Changsha, na ilha Tangerina sobre o rio Xiang.
Maior monumento a Mao ficou pequeno diante da igreja.
Changsha, na ilha Tangerina sobre o rio Xiang.
O Estado comunista suprimiu a religião, tida como superstição até após a morte de Mao, em 1976.

Na prática, toleravam-se, e continuam sendo toleradas, cinco denominações: o protestantismo, o catolicismo, o budismo, o taoismo e o Islã.

Quando jovem estudante em Changsha, Mao organizou greves de estudantes e trabalhadores.

Também deu forma a um movimento “sem terra” que depois se espalhou pelo país.

Ele tinha por certo que os chineses se uniriam aos imperialistas e aos missionários.

“Houve muitas igrejas em Changsha, mas foram demolidas”–explicou Tan Hecheng, autor de um relato dos massacres socialistas na região durante a Revolução Cultural de Mão.

A narrativa foi publicada em inglês com o sugestivo título O vento assassino, mas está proibida na China.

Para os habitantes, Mao é uma fonte de orgulho bairrista. “Mao foi um filho de Changsha imperador. O homem mais bem-sucedido na China”, disse Tan.

Porém, a ideia dominante é de que “a crença no Partido morreu”, acrescentou.

É claro que, para os saudosistas, a igreja mais alta da região soa como toque de finados para uma época marcada pela foice e o martelo e a bandeira vermelha com a estrela amarela.



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