O Test behind the Great Firewall of China, confirmou mais uma vez que nosso blog ESTÁ BLOQUEADO NA CHINA. A máquina repressiva impede o acesso em Pequim (confira); em Shangai (confira); e agora em Guangzhou (confira). Hong Kong é a exceção (confira). Enquanto Pequim não cobrar medidas coercitivas dos seus correligionários brasileiros ou da Teologia da Libertação, este blog continuará na linha católica anti-comunista, pelo bem do Brasil. MAIS

quarta-feira, 21 de março de 2018

600 milhões de câmeras e um controle
que parece pesadelo do Apocalipse

Policial com óculos de reconhecimento facial na estação ferroviária de Zhengzhou.
Policial com óculos de reconhecimento facial na estação ferroviária de Zhengzhu.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






600 milhões de câmeras ligadas a supercomputadores com tecnologia de reconhecimento facial são as pilastras de um plano ironicamente qualificado de 'crédito social’, com o qual a ditadura de Pequim elaborará o 'carnê do bom cidadão' e identificará os sinais de mal-estar com o regime comunista a partir de 2020, escreveu “El Mundo” de Madri.

Já funcionam câmeras capazes de identificar 200 pessoas por minuto, reconhecer o ‘criminoso’ e passar sua posição à polícia. O sistema chinês cruzará os dados com a atividade econômica do ‘suspeito’, num sistema de controle sem precedentes.

O sistema não é só da China. No Ocidente, câmeras de vigilância identificam o rosto dos visitantes saindo do elevador e lhes abrem ou fecham portas sem necessidade de chaves ou códigos de acesso.

Em Pequim, a apresentação do sistema em tempo real focou uma multidão desembarcando na estação de trem de Hangzhou, no sul do país. O computador atribuía um número a cada rosto, enquanto reconhecia a sua identidade.

Segundo os jornais “The Paper” e “O Quotidiano do Povo”, citados por “Libération” de Paris, na estação de Zhengzhou, o maior entroncamento ferroviário do pais, a polícia testou os primeiros óculos de reconhecimento facial.



No mês do Ano Novo chinês, dezenas de milhões de passageiros passariam pelas estações de trem e aeroportos.

A polícia disse que poderia escanear 120.000 rostos em Zhengzhou, “em virtude da presença de agentes equipados com esses óculos posicionados nas quatro entradas”. Esses óculos estão ligados a uma mala portátil.

Sete pessoas, supostamente criminosos, foram então presas, além de 26 outras que usavam falsos documentos de identidade.

Em dezembro, um jornalista da BBC ofereceu-se à policia para um teste na cidade de Guiyang, no sul do país. Ele foi inscrito na base de dados dos ‘procurados’ e saiu para passear pela cidade.

A polícia o apreendeu em sete minutos.

Dissidente ou minorias religiosas e étnicas serão logo identificados e entrarão na máquina de supressão, e até de colheita de órgão humanos.
Dissidente ou minorias religiosas e étnicas serão logo identificados
e entrarão na máquina de supressão, e até de colheita de órgão humanos.
“Uma câmera é capaz identificar 120 pessoas por segundo”, comemora Jian Danai, porta-voz da empresa Face ++ de Pequim.

As câmeras acumulam também dados de pessoas e veículos nas ruas.

“Temos acesso aos bancos de dados do governo, que reúnem informação e fotos dos criminosos e pessoas buscadas. Quando o rosto coincide toca um alarme”, explica friamente a jovem Danai.

Ela aponta para outra tela de vídeo que mostra uma dama com casaco no metrô de Hangzhou, enquanto um desses alarmes toca, avisando que pesa sobre ela uma ordem de busca e apreensão. Ao mesmo tempo, um rótulo avisa: “A polícia já foi notificada”.

“Queremos ser os olhos e o cérebro das cidades”, sublinha a funcionária.

Face ++ é parte do projeto mais ambicioso acalentado por Pequim: um sistema de 'crédito social' que relegou à pré-história o velho sistema maoísta de controlar os cidadãos com uma caderneta de racionamento alimentar.

O sistema está no coração do que Xi Jinping prometeu: “Uma sociedade socialista harmoniosa”, que promove “a honestidade”, “a confiança” e a “integridade” com muita cidadania.

Segundo a firma especializada IHS Markit, a China já dispõe de 176 milhões de câmeras de vigilância geridas pelo Estado e entidades terceirizadas. A meta são mais 450 milhões em 2020.

O reconhecimento facial é habitual na China, onde se pode encomendar o cardápio num restaurante olhando uma máquina que identifica as feições.

Muitos milhões dessas câmeras já estão instaladas. Mas virão centenas de milhões mais.
Muitos milhões dessas câmeras já estão instaladas.
Mas virão centenas de milhões mais.
Até sugere o tipo de comida para o cliente-escravo com base na sua idade. Também há banheiros que só liberam papel higiênico após se escanear o rosto.

Em Xangai e Hangzhou há painéis LCD exibindo os rostos das pessoas que atravessaram a rua com luz vermelha, ou ciclistas e motoristas que entraram na contramão.

Sua cara foi “capturada” por uma dessas câmeras. Para não ser mais motivo de escárnio público, o “bom cidadão” deve comparecer na delegacia e pagar a multa correspondente.

Alibaba promete supermercados sem empregados, em que se entra e se paga com a cara.

Chris Tung, chefe de comercialização da Alibaba, falou de um “Passaporte do Consumidor” e de um “Sistema de Crédito Zhima”, aprovados pelo Banco Central de China em 2015.

“Sabemos que tipo de filmes a pessoa vê, que música compra,... ou quantos proprietários de BMW há em Xangai... Não se pode imaginar a quantidade de dados pessoais a que temos acesso. Podemos reconstruir o perfil de cada consumidor e de seu estilo de vida”, explicou ele a jornalistas estrangeiros.

Alibaba decide o número de pontos que cada um recebe no “Sistema de Crédito Zhima”. Mas os responsáveis não querem revelar quais são os critérios.

Estes incluem as amizades nas redes sociais. Quem se der com um dissidente do regime...

Em sentido contrário, os mais bem pontuados e mais fiéis ao regime recebem benefícios na hora de alugar uma bicicleta ou um apartamento, obter vistos para Singapura ou Luxemburgo, ou facilidades nos trâmites na polícia.

O jornal “The Global Times”, sólido defensor da ideologia do Partido Comunista chinês, faz a apologia desse programa de ‘crédito social’.

O jornal lembrou que em 2010 a província de Jiangsu tentou impor um programa similar, que incluía avaliar “as posições políticas das pessoas”. Ele incluía as condutas dos que vão a Pequim para se queixar das autoridades locais.

O projeto gerou enorme controvérsia e ficou de lado. Hoje pode estar voltando, mais aperfeiçoado e implacável.

Mons Marcelo Sánchez Sorondo só vê um
'modelo modelar de doutrina social da Igreja'
que só pode ser identificada na 'Laudato Si'
Para Samantha Hoffman, o sistema consiste resumidamente na “automatização do processo do pau e da cenoura”. O indivíduo fica reduzido a andar como um burro atrás do alimento, figurado pela cenoura na ponta do pau, que o regime lhe mostra. Também pode lhe tirar a qualquer momento e ficará reduzido literalmente a nada.

Samantha diz que o objetivo do regime é “garantir o poder do Estado e do Partido”. Para o Human Right Watch, o plano é “terrífico”, porque procura identificar os indivíduos “que se desviam do que eles consideram o pensamento normal” para depois “vigiá-los”.

Chris Tung, de Alibaba, surpreso pela reação de um jornalista alemão, fugiu dizendo: “Não queremos cruzar linha vermelha alguma. Estamos fazendo o mesmo que faz o Facebook ou o Google”.

Na Face ++, Jian Danai tentou justificar o novo Big Brother, alegando que “achar que esse sistema é uma ameaça contra a privacidade” é coisa de europeus”.

O Partido Comunista chinês está montando uma base de dados biométricos de toda a população, que incluirá amostras da voz, do ADN, do grupo sanguíneo, foto do íris, impressões digitais, etc.

O objetivo – escreve “Libération”– é identificar qualquer um dos 1,4 bilhões de cidadãos em… três segundos. As autoridades comunistas falam de “a maior rede de vigilância vídeo do muno”.

Interrogado pelo “Wall Street Journal”, William Nee, pesquisador da Amnesty International, disse temer que esses óculos permitam acompanhar os passos dos dissidentes políticos ou de minorias étnicas indesejadas pelo PC.

Em sentido totalmente oposto, para Mons. Marcelo Sánchez Sorondo, Chanceler da Pontifícia Academia das Ciências e da Academia Pontifícia das Ciências Sociais, conhecido como conselheiro próximo do Santo Padre, “neste momento, os que melhor praticam a doutrina social da Igreja são os chineses [...]. Os chineses procuram o bem comum, subordinam as coisas ao bem geral“. Cfr. o jornal “La Stampa” de Turim do dia 2 de fevereiro 2018.


Um comentário:

  1. Não é atoa que um dos livros recentemente proibidos na China foi 1984, de George Orwell! Paulo Martins

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